| "O que me d�i ..." O que me d�i n�o � O que h� no cora��o Mas essas coisas lindas Que nunca existir�o... S�o as formas sem forma Que passam sem que a dor As possa conhecer Ou as sonhar o amor. S�o como se a tristeza Fosse �rvore e, uma a uma, Ca�ssem suas folhas Entre o vest�gio e a bruma. Fernando Pessoa |
| "AUTOPSICOGRAFIA" O poeta � um fingidor. Finge t�o completamente Que chega a fingir que � dor A dor que deveras sente. E os que l�em o que escreve, Na dor lida sentem bem, N�o as duas que ele teve, Mas s� a que eles n�o t�m. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a raz�o, Esse comboio de corda Que se chama cora��o. Fernando Pessoa |
| "Mar portugu�s" � mar salgado, quanto do teu sal S�o l�grimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas m�es choraram, Quantos filhos em v�o rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, � mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma n�o � pequena. Quem quer passar al�m do Bojador Tem de passar al�m da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele � que espelhou o c�u. Fernando Pessoa, Mensagem (1934) |
| "O mostrengo" O mostrengo que est� no fim do mar Na noite de breu ergueu-se a voar, � roda da nau voou tr�s vezes, Voou tr�s vezes a chiar, E disse: �Quem � que ousou entrar Nas minhas cavernas que n�o desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo?� E o homem do leme disse, tremendo: �El-Rei D. Jo�o Segundo!� �De quem s�o as velas onde me ro�o? De quem as quilhas que vejo e ou�o?� Disse o mostrengo, e rodou tr�s vezes, Tr�s vezes rodou, imundo e grosso, �Quem vem poder o que s� eu posso, Que moro onde nunca ningu�m me visse E escorro os medos do mar sem fundo?� E o homem do leme tremeu, e disse: �El-Rei D. Jo�o Segundo!� Tr�s vezes do leme as m�os ergueu, Tr�s vezes ao leme as reprendeu, E disse no fim de tremer tr�s vezes: �Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um Povo que quer o mar que � teu; E mais que o mostrengo, que me a alma teme E roda nas trevas do fim do mundo, Manda a vontade, que me ata ao leme, De El-Rei D. Jo�o Segundo!� Fernando Pessoa, Mensagem (1934) |
|
| Poemas: Fernando Pessoa |
| dfg |
| "Entre o sono e o sonho" Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim me suponho, Corre um rio sem fim. Passou por outras margens, Diversas mais al�m, Naquelas v�rias viagens Que todo o rio tem. Chegou onde hoje habito A casa que hoje sou. Passa, se eu me medito; Se desperto, passou. E quem me sinto e morre No que me liga a mim Dorme onde o rio corre - Esse rio sem fim. Fernando Pessoa |
![]() |
![]() |
![]() |
| Links Importantes : Fernando Pessoa (1) Fernando Pessoa (2) |