| "Ao desconcerto do Mundo" Os bons vi sempre passar No Mundo graves tormentos; E pera mais me espantar, Os maus vi sempre nadar Em mar de contentamentos. Cuidando alcan�ar assim O bem t�o mal ordenado, Fui mau, mas fui castigado. Assim que, s� pera mim, Anda o Mundo concertado. Lu�s de Cam�es |
| "Amor � fogo que arde sem se ver" Amor � fogo que arde sem se ver; � ferida que d�i e n�o se sente; � um contentamento descontente; � dor que desatina sem doer; � um n�o querer mais que bem querer; � solit�rio andar por entre a gente; � nunca contentar-se de contente; � cuidar que se ganha em se perder; � querer estar preso por vontade; � servir a quem vence, o vencedor; � ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos cora��es humanos amizade, Se t�o contr�rio a si � o mesmo Amor? Lu�s de Cam�es |
| "Eu cantarei de amor t�o docemente" Eu cantarei de amor t�o docemente, Por uns termos em si t�o concertados, Que dois mil acidentes namorados Fa�a sentir ao peito que n�o sente. Farei que amor a todos avivente, Pintando mil segredos delicados, Brandas iras, suspiros magoados, Temerosa ousadia e pena ausente. Tamb�m, Senhora, do desprezo honesto De vossa vista branda e rigorosa, Contentar-me-ei dizendo a menor parte. Por�m, pera cantar de vosso gesto A composi��o alta e milagrosa Aqui falta saber, engenho e arte. Lu�s de Cam�es |
| "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confian�a; Todo o mundo � composto de mudan�a, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperan�a; Do mal ficam as m�goas na lembran�a, E do bem, se algum houve, as saudades. O tempo cobre o ch�o de verde manto, Que j� coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto. E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudan�a faz de mor espanto: Que n�o se muda j� como so�a. Lu�s de Cam�es |
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| Poemas: Luis Vaz de Cam�es |
| dfg |
| "Alma minha gentil, que te partiste" Alma minha gentil, que te partiste T�o cedo desta vida, descontente, Repousa l� no C�u eternamente E viva eu c� na terra sempre triste. Se l� no assento et�reo, onde subiste, Mem�ria desta vida se consente, N�o te esque�as daquele amor ardente Que j� nos olhos meus t�o puro viste. E se vires que pode merecer-te Alguma cousa a dor que me ficou Da m�goa, sem rem�dio, de perder-te, Roga a Deus, que teus anos encurtou, Que t�o cedo de c� me leve a ver-te, Qu�o cedo de meus olhos te levou. Lu�s de Cam�es |
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