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Era Vitoriana virtual

Carlos Orsi

A quantidade de fontes sobre o final do s�culo XIX, a chamada Era Vitoriana, na Internet, � avassaladora. O que talvez se deva ao interesse natural de um per�odo de final de s�culo - o nosso - pela experi�ncia anterior mais pr�xima e, em alguns aspectos, mais semelhante; a isso, soma-se o fato de que, no final do s�culo XIX, j� havia uma imprensa consolidada e massificada, o que gera um grande n�mero de textos e imagens dispon�veis, o que torna a "garimpagem" de material relativamente simples - al�m de muito interessante.
E, � claro, a Era Vitoriana produziu alguns dos �cones mais duradouros da cultura ocidental, como o detetive Sherlock Holmes; os romances de J�lio Verne e H.G. Wells; e o romance "Dr�cula", de 1897, para citar apenas alguns exemplos. Nos EUA, este foi o per�odo do Oeste Selvagem, romantizado na literatura e no cinema. Para al�m disso tudo, por�m, reside a tenta��o de se fazer paralelos hist�ricos.

Paralelos desse tipo s�o sempre perigosos - j� foi dito que, com um pouco de criatividade, � poss�vel tra�ar similaridades entre quaisquer dois per�odos, mesmo que escolhidos ao acaso. Mas, com dois finais de s�culo na berlinda, a compara��o parece boa demais para ser deixada de lado.

H� quem veja na R�ssia de hoje, por exemplo, mergulhada em uma crise econ�mica e governada por um homem doente, uma imagem da R�ssia de cem anos atr�s - � beira da revolu��o, e governada por um czar, Nicolau II, descrito como "fraco e inconstante". Frente � crise nos B�lc�s, somos lembrados de que o nacionalismo s�rvio foi uma das causas da I Guerra Mundial.

Mas, na verdade, seria o paralelo t�o paralelo assim? Em termos de l�deres mundiais, � dif�cil imaginar duas figuras p�blicas mais opostas que Bill Clinton e a Rainha Vit�ria. Al�m disso, um mundo onde algo como o relat�rio de Kenneth Starr vem a p�blico tem muito pouco a ver com o de cem anos atr�s, com normas de etiqueta rigorosas para tudo, desde quem deve fazer o primeiro cumprimento quando dois amigos, de sexos opostos, se encontram na rua (a mulher, sempre), at� o uso de cart�es de visita.

No mundo vitoriano, a verdadeira dama "nunca se explica, e nunca se queixa"; e cavalheiro � aquele que sabe que "a verdadeira boa educa��o consiste em poupar ao m�ximo os sentimentos alheios". Hoje em dia essas recomenda��es podem soar meio hip�critas, mas n�o deixa de ser estranho imaginar que essa verdadeira cultura de discri��o e privacidade deu origem aos tabl�ides sensacionalistas...

A Era Vitoriana foi marcada, tamb�m, pelo uso ideol�gico da ci�ncia. Hoje desacreditada, a frenologia - baseada na suposi��o de que � poss�vel descrever a personalidade de uma pessoa atrav�s do formato do cr�nio - era usada para explicar porque os ingleses seriam intrinsecamente superiores aos irlandeses, os brancos aos negros e (claro) os ricos aos pobres. Hoje em dia, teme-se que a gen�tica seja usada para o mesmo fim.

Duas curiosidades da ci�ncia vitoriana, aplicada � cena social: o centro do amor, no c�rebro, ficaria na parte de tr�s da cabe�a, perto da base do cr�nio. Por isso, quando uma mulher ama, ela ergue o rosto na dire��o da pessoa amada (o fato do homem ser, normalmente, mais alto � desconsiderado...). Al�m disso, a postura dos ombros revela a quantidade de sexo que uma pessoa possui; aquelas dotadas de grande quantidade mant�m os ombros elevados e jogados para tr�s. Ombros encolhidos e ca�dos para a frente significam pouca disposi��o nesse campo. Bobagem? Pois �. Mas era "ci�ncia", em plena Inglaterra, o centro da civiliza��o ocidental, cem anos atr�s.

Links:

Victoriana
http://www.victoriana.com/

19h Century
http://members.aol.com/EastLynne/index.htm

Phrenology and Race
http://www.stg.brown.edu/projects/hypertext/landow/victorian/race/rc3.htm

Phrenology Page
http://wwwtw.vub.ac.be/ond/etec/cit/phreno/home.htm

Victorian Web
http://www.stg.brown.edu/projects/hypertext/landow/victorian/victov.html

Chronology - Russian History
http://www.departments.bucknell.edu/russian/chrono.html

Harper's Bazar
http://www.victoriana.com/library/harpers/harpers.html




Carlos Orsi, 27 anos, � jornalista e escritor. Trabalha com Internet desde 1996, quando foi contratado pela Ag�ncia Estado. Desde 1997, responde tamb�m pela se��o 'Ano 2000'.

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