Desuni�o e mentalidade estreita das oposi��es facilitam vit�ria de Melo.txt

Di�rio do Front
(t�tulo) Desuni�o das oposi��es facilitam vit�ria de Melo
(subt�tulo) Preocupadas com mesquinharias, lideran�as pol�ticas oposicionistas n�o conseguem tra�ar estrat�gia eficiente

Alexandre Gomes

H� alguns dias critiquei duramente a abertura de uma CPI (Comiss�o Parlamentar de Inqu�rito) que investigasse as den�ncias de um servidor que diz ter recebido uma gratifica��o extra por ter participado, em 1996, de um movimento contra o prefeito da �poca. Setores da oposi��o, com a falta de percep��o que lhes � caracter�stica, entenderam a posi��o como sendo uma defesa da administra��o.
Tivessem um pouco mais de sensibilidade, procurassem conversar mais com as pessoas de fora de seus pr�prios grupos pol�ticos, fossem mais abertos �s opini�es que contradizem suas idiossincrasias e teriam percebido que para a maioria da popula��o tamb�m n�o se justifica a abertura de uma CPI. Al�m da dimens�o diminuta do problema ainda existe a extrema suspei��o a respeito do denunciante. N�o bastasse isto, o pr�prio motivo da den�ncia noa � outro sen�a o fato do problema ter sido corrigido.
Ao inv�s de provocar uma frente de atrito que possa desgastar a administra��o - pretenso objetivo oposicionista - este pedido de CPI tem o efeito absolutamente contr�rio: passa � opini�o p�blica a imagem que s� h� pequenos problemas na administra��o, coisas diminutas e que portanto a oposi��o precisa ir atr�s destas firulas e futricas. O mesmo efeito, por sinal, provocado pelo pedido anterior de abertura de uma CPI.

Alvo errado
A cr�tica ao pedido, portanto, n�o foi uma defesa da administra��a, mas a defesa de um princ�pio: que a CPI � um instrumento muito improtante para ser banalizado desta forma. Evidente que talvez a oposi��a tenha atirado no que viu e acertado no que viu, j� que o pedido de abertura da CPI provocou algum grau de desentendimento entre as for�as governistas.
Mas ainda assim corre-se o risco que ele acabe por reunir grupos hoje distantes e d� ao prefeito a possibilidade de enquadrar alguns "governistas envergonhados" que vinham agindo mais soltos. Se isto se confirmar a oposi��o ter� acabado por prestar um favor � administra��o.
Mais uma vez falta �s for�as oposicionistas uma vis�o estrat�gica da disputa pol�tica. A oposi��o � incapaz de enxergar que a grande amea�a � sua pr�pria sobreviv�ncia pol�tica � a consolida��o de um dom�nio hegem�nico do grupo ligado ao prefeito. Portanto, evitar esta hegemonia deveria ser o objetivo principal objetivo do conjunto da oposi��o, todos os demais objetivos incluindo os projetos pol�ticos pessoais, deveriam estar abaixo deste - e vinculados a este - objetivo maior.
Ao inv�s de tentarem desqualificar a pesquisa Isto�/Bramarket - tampando o sol como a peneira - a oposi��o deveria t�-la tomado como um referencial que aponta o insucesso das suas t�ticas at� agora. Mas o conjunto da oposi��o parece confirmar aquele velho ditado que as pessoas preferem a mentira piedosa � verdade dolorosa.

Dispers�o de for�as
Fossem as estrat�gias oposicionistas mais racionais e as lideran�as teriam percebido que as chances de qualquer um que n�o o atual prefeito seja eleito depende fundamentalmente de um grande desgaste que reduza a popularidade do prefeito. Este deveria ser o objetivo comum e a base de uma agenda que reunisse as for�as extremamente dispersas da oposi��o, mas h� egos demais na oposi��o para que todos se sentem a uma mesma mesa, portanto a reelei��o de Melo parece ser inevit�vel.
N�o bastasse esta incapacidade de trabalhar juntos, as lideran�as oposicionistas parecem ser incapazes de acertar o foco at� mesmo das suas estrat�gias divididas. E o pedido de CPI votado ontem demonstra bem isto. Eles n�o hesitam em se expor ao rid�culo pedindo uma CPI irris�ria baseada em um depoimento suspeito de quem alega a pr�pria falta de princ�pios.
Curioso que pelos corredores, �s vezes at� na tribuna da C�mara, vereadores e outras lideran�as oposicionistas d�o a entender que existem outros motivos muito mais s�rios para propor CPIs. H� quem fale, por exemplo, que o pre�o do asfalto na cidade � mais caro que o das cidades vizinhas, o lixo parece continuar sendo mais caro, h� quem diga que os pagamentos n�o vem sendo feitos na ordem cronol�gica, existe quem afirme que a Prefeitura realizou obras em um bairro da cidade que j� haviam sido pagas pelos moradores ao loteador, h� contas de diversos prefeitos esperando h� anos para serem votadas.
Mas nenhum destes assuntos consegue chegar ao topo da agenda da C�mara ou dos oposicionistas em geral. Ficam apenas na periferia da ordem do dia j� que os vereadores parecem estar mais preocupados com a suspeita den�ncia vaga e mesquinha do vigia ou com o chicote da Tiazinha.
Os motivos que levam as for�as da oposi��o a deixar de lado as den�ncias realmente importantes e relevantes para se dedicar a picuinhas e besteiras parece ser um mist�rio. Certamente n�o � falta de informa��o pois nenhuma das coisas mencionadas acima seria dif�cil de investigar. Tamb�m � dif�cil imaginar que h� tanta falha de percep��o de prioridades e import�ncias na Oposi��o. Quem sabe eles esperam at� se chegar mais pr�ximo das elei��es, quando ningu�m mais acredita em nenhuma den�ncia atribuindo todas elas a briga pol�tica?


Index

Next

Previous

Hosted by www.Geocities.ws

1