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Desenterrando informa��o na rede

Carlos Orsi
Recentemente, pesquisadores americanos conclu�ram que os mecanismos de busca da Internet (sistemas como Yahoo, Altavista, etc.) cobrem, apenas, 16% de toda a Internet "busc�vel" - ou seja, das p�ginas que se deixam acessar, livremente, por qualquer mortal. Fica a pergunta: se a informa��o de que voc� precisa estiver nos outros 84% e voc� n�o for amigo ou conhecido do dono do site, como encontr�-la?
Na verdade, a situa��o � menos dram�tica do que parece - basicamente, porque h� grande redund�ncia nos conte�dos da Internet, o que significa que existe uma boa chance de que um dado dispon�vel nos 84% "ocultos" se repita em alguma parte dos 16% "listados" (ou "indexados", na linguagem dos especialistas).
O verdadeiro problema �, dado o aparente caos informativo da Internet vis�vel, descobrir uma forma de desenterrar a informa��o de que voc� precisa. � quase certo que ela vai estar l�, nos meros 16% que os mecanismos de busca p�em ao alcance de seu mouse. A quest�o: l�, onde?
De novo, o problema n�o � t�o grande quanto parece. H� alguns anos virou moda citar por a� o clich� p�s-moderno de que vamos todos morrer sufocados por uma avalanche de informa��o - e quem olha para a Internet, principalmente para uma p�gina de resultados de busca do Altavista, com trinta mil links poss�veis, pode at� tender a concordar com essa vis�o apocal�ptica; mas a realidade � menos tr�gica. Trata-se, apenas, de saber fazer a pergunta certa.
Um exemplo: h� dois anos, uma colega de reda��o me perguntou como calcular o volume de uma esfera. Claro, estudei isso no segundo grau, e � prov�vel que o leitor com forma��o na �rea de exatas se lembre da f�rmula de cabe�a - mas tudo que consegui recordar, na �poca, � que o volume da esfera envolvia o n�mero pi (claro) e o raio elevado ao cubo (j� que a unidade de volume � o metro c�bico). Isso n�o ajudava muito. Portanto, fui � Internet.
Ainda inexperiente na �poca, entrei no Yahoo e digitei a palavra-chave "geometry". Meia hora depois, eu havia descoberto a geometria n�o-euclidiana, as d�vidas filos�ficas em torno do axioma das paralelas (tamb�m conhecido como Quinto Postulado de Euclides) e que, sob certas circunst�ncias, a soma dos �ngulos internos do tri�ngulo pode ser diferente de 180�. Tamb�m descobri que, quando ainda na escola, o grande matem�tico Carl Friedrich Gauss (1777-1855) havia divisado um m�todo r�pido e pr�tico para somar todos os n�meros entre 1 e 100. Fascinante, como diria o sr. Spock.
Objetivamente: nada sobre o volume da esfera. Pedi desculpas a minha amiga e fui cuidar de outros assuntos.
Ontem, repeti a experi�ncia. Mais escolado nos descaminhos virtuais, entrei no Yahoo e digitei "sphere volume", assim mesmo, entre aspas. Uma das primeiras respostas foi um site de ferramentas matem�ticas. Uma delas era uma maquininha virtual onde bastava digitar o raio da esfera desejada e, pronto, l� vinha o volume calculado.
Bem, isso resolvia o problema imediato (ou teria resolvido, dois anos atr�s), mas... e se eu quisesse a f�rmula? Para anotar na agenda e usar quando n�o houvesse computadores por perto?
De volta ao Yahoo, fiz uma busca por "sphere volume formula". Entre as respostas, encontrei o site Measurement Formulas, com uma se��o volume formulas, subt�tulo sphere. E a resposta: o volume da esfera corresponde a quatro ter�os de pi vezes o cubo do raio.
Depois de dois anos, pode n�o parecer muita coisa. Afinal, n�o teria sido mais f�cil olhar na enciclop�dia? Mas a historinha tem uma moral - na verdade, duas. A primeira � que, sim, a Internet � um oceano de informa��es, e quem vai at� ela querendo apenas um gole corre, sim, o risco de acabar afogado. Para evitar isso, � preciso escapar do deslumbramento paralisante dos trinta mil links. � preciso pensar objetivamente e perguntar objetivamente.
A segunda moral � aquela que toda pessoa que lida com biblioteconomia e ci�ncia da informa��o sabe de cor: informa��o n�o-catalogada � o mesmo que informa��o inexistente. Ou: n�o adianta nada saber que o livro que voc� quer est� na biblioteca, se voc� n�o conhece o corredor e a estante onde procur�-lo.
Mas � �bvio que, �s vezes, vaguear a esmo pelos corredores pode ser mais divertido...





Carlos Orsi, 28 anos, � jornalista e escritor. Trabalha com Internet desde 1996, quando foi contratado pela Ag�ncia Estado. Desde 1997, responde tamb�m pela se��o 'Ano 2000'.






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