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Di�rio do Front
(t�tulo)Quest�o social est� se tornando insol�vel (subt�tulo) S�o Carlos j� n�o tem mais condi��es de absorver seus desempregados, mas problema continua progredindo Alexandre Gomes (olho) "Portanto n�o enfrentar este problema � condenar a cidade a ser gerida por pol�ticos capazes de fomentar a mis�ria para poder comprar votos a um pre�o mais baixo" (olho) "Se este n�mero se mantivesse no mesmo patamar, nem com 10 anos de intenso desenvolvimento econ�mico seria suficiente para absorver um quarto destas pessoas no mercado de trabalho" (olho) "� evidente que a maioria destes desempregados n�o ter�o outra fonte de renda sen�o a caridade p�blica ou o obtido atrav�s do crime" (olho) "A perspectiva deste tipo de racioc�nio parece ser excessivamente conservadora, quem sabe at� desumana, mas � simplesmente realista." S� uma das ag�ncias de emprego da cidade tem 32 mil pessoas cadastradas procurando um emprego, incluindo apenas pessoas que residem em S�o Carlos. Parte significativa destas pessoas tem 2� grau e quase todas tem 1� grau. As chances deste enorme contingente encontrar um emprego � remota, ali�s a chance que a metade mais instru�da e preparada delas encontre um lugar ao sol j� � escassa. Se este n�mero se mantivesse no mesmo patamar, nem com 10 anos de intenso desenvolvimento econ�mico seria suficiente para absorver um quarto destas pessoas no mercado de trabalho. E o pior � que nada sinaliza nem que esta fase extraordin�ria de crescimento vir�, nem que este n�mero pare de crescer. O n�mero de pessoas sem qualifica��o profissional a busca de um emprego vai crescer n�o s� pela intensa taxa de fertilidade existente nos bairros mais pobres como pela crescente migra��o de exclu�dos de outras regi�es do pa�s. Isso coloca um problema grav�ssimo a ser enfrentado n�o s� pela administra��o municipal como pelo conjunto da comunidade. � evidente que a maioria destes desempregados n�o ter�o outra fonte de renda sen�o a caridade p�blica ou o obtido atrav�s do crime, porque nem emrpegos tempor�rios e mal remunerados ser� poss�vel obter para este crescente ex�rcito de miser�veis. Quanto tempo os recursos p�blicos ser�o suficientes para manter uma situa��o de relativa estabilidade passa a ser uma pergunta crucial, at� proque se uma pol�tica social de atendimento aos miser�veis n�o for implantada de forma s�ria em breve nem todo o or�amento do munic�pio ser� capaz de manter a paz na cidade. A perspectiva deste tipo de racioc�nio parece ser excessivamente conservadora, quem sabe at� desumana, mas � simplesmente realista. Daquele tipo de realismo que os pol�ticos n�o falam nos palanques com medo de perder o voto destes miser�veis ou de ser considerado elitista ou coisa pior. Uma pol�tica social consequente implica necessariamente na tentativa de "salvar"as gera��es mais novas destas fam�lias de miser�veis, em outras palavras, qualquer ajuda s� deve ser feita se estiver vinculada � perman�ncia da crian�a na escola e fora da mendic�ncia. Mais do que isto deveria estar vinculada a algum tipo de treinamento profissionalizante melhorando as condi��es de empregabilidade destes futuros jovens quando os mesmos estiverem pleiteando a entrada no mercado de trabalho. Todas as a��es de combate ao trabalho infantil - por mais justas que sejam - tem atacado o problema menos grave - o menor que trabalha - e deixando de lado o mais grave - o menor que pede esmola. No m�nimo deveria atacar os dois, nunca perdendo a no��o que se trabalhar � prejudicial, muito mais prejudicial � pedir esmolas, guardar carros ou coisas do tipo que abrem o caminho para o crime e a droga, al�m de ser moralmente aviltante. Curiosamente n�o se v� este tipo de debate entre as for�as pol�ticas da cidade. Todas parecem estar mais preocupadas com seus pr�prios umbigos, em tocar em temas mais agrad�veis, em buscar fatos mais palat�veis, em dar respostas mais simples. Contudo � imposs�vel que qualquer problema de S�o Carlos seja mais grave que esta crescente turba de desempregados. Nenhuma outra quest�o � mais urgente! Nenhuma outra quest�o tem uma solu��a mais dif�cil! Nenhuma outra quest�o tem tanta influ�ncia sobre os destinos da cidade! Nenhuma outra quest�o tem sido t�o negligenciada como a de dar uma solu��o para o problema dos desempregados! Adianta muito pouco utilizar-se r�tulos bonitos para adornar a cidade e promover infinitos semin�rios, simp�sios e debates se n�o se enfrentar o problema do que fazer com a massa de inempreg�veis que cresce geometricamente em S�o Carlos. Da mesma forma, n�o h� quest�o importante que n�o passe pela solu��o deste problema. S�o Carlos jamais ter� um sistema pol�tico s�rio enquanto houver dezenas de milhares de desempregados e subempregados �vidos por garantir a sobreviv�ncia vendendo votos. N�o h� conscientiza��o pol�tica capaz de falar mais alto que os berros do filho pedindo comida. Portanto n�o enfrentar este problema � condenar a cidade a ser gerida por pol�ticos inescrupulosos pela eternidade, pol�ticos capazes de fomentar a mis�ria para poder comprar votos a um pre�o mais baixo e perpetuar a fome. Alexandre Gomes � editor do PRIMEIRA P�GINA |
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