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Da �frica a Marte
Depois de Zorro, Tarzan. Os her�is das primeiras hist�rias em quadrinhos, dos filmes mudos, est�o encontrando seu caminho de volta � notoriedade. O novo desenho animado de longa-metragem dos est�dios Disney trar� uma nova vers�o do her�i que fez a fama e a fortuna do escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs: Tarzan dos Macacos. O filme vem como uma esp�cie de ponta de iceberg. No caso, o iceberg � a influ�ncia de Burroughs e de suas (muitas) cria��es - al�m de Tarzan, tamb�m sa�ram da pena do escritor figuras como John Carter de Marte, Carson Napier de V�nus, David Innes de Pellucidar - sobre a cultura deste s�culo. Quando se fala em ind�stria de entretenimento, � preciso lembrar que Burroughs foi um de seus principais fundadores. A vida do autor � destrinchada em Tarzan Forever: The Life of Edgar Rice Burroughs, Creator of Tarzan, livro lan�ado em abril e j� dispon�vel nas livrarias virtuais. Mas, em resumo, Burroughs foi (e fez) de tudo: militar, policial, garimpeiro, caub�i, contador. Nascido em 1875, o escritor assistiu aos estertores do oeste selvagem, e ao nascimento do cinema. Seu pai havia lutado na Guerra Civil americana. Edgar Rice Burroughs publicou seu primeiro livro, "A Princesa de Marte", j� aos 35 anos. O protagonista dessa hist�ria � um caub�i e garimpeiro chamado John Carter, que se v� teleportado para o planeta Marte. Carter, depois, serviria de modelo para o mais famoso Flash Gordon. Que, por sua vez, inspiraria George Lucas a criar o universo de "Guerra nas Estrelas". Mas, claro, para Burroughs o sucesso s� viria, mesmo, com "Tarzan dos Macacos". O livro, publicado uma revista no mesmo ano em que saiu "A Princesa de Marte" (1912), chegou �s telas em 1918, sendo um dos primeiros filmes da hist�ria a amealhar mais de um milh�o de d�lares na bilheteria. O astro, Elmo Lincoln, havia trabalhado com D.W. Griffith em "Nascimento de uma Na��o", o �pico mudo sobre a Guerra Civil americana. O resto � hist�ria - e dinheiro. Muito dinheiro. Em 1927, a cidadezinha californiana onde Burroughs vivia muda seu nome, oficialmente, para "Tarzana", e � assim que consta dos mapas, at� hoje. Ao morrer, em 1950, Burroughs era um dos escritores mais lidos - e bem pagos - do mundo. A obra de Burroughs, principalmente os vinte e seis volumes da s�rie de "Tarzan", j� foi chamada de cl�ssica. Pessoas mais cuidadosas se referem aos livros de Tarzan como um "cl�ssico juvenil", muito embora eles n�o tenham sido escritos com uma faixa et�ria espec�fica em mente. Na verdade, os livros de Burroughs podem ser considerados um tanto quanto ing�nuos para os padr�es atuais, e com o tempo se tornaram clich�s - h� casos de leitores que conseguiam prever cap�tulos inteiros das aventuras de Tarzan. O fato � que, como autor, Burroughs vem perdendo leitores com o passar do tempo. No Brasil, a obra do escritor n�o � reeditada h� anos, situa��o que talvez mude com o lan�amento do desenho animado. Mas mesmo quem nunca leu um livro de Tarzan j� viu um filme, um desenho animado ou um epis�dio para TV com o personagem. Mesmo quem nunca ouviu falar em John Carter de Marte conhece Flash Gordon, ou j� assistiu a "Guerra nas Estrelas". E boa parte dos filmes de sess�o da tarde sobre viagens ao centro da Terra deve tanto a J�lio Verne quanto �s hist�rias de Burroughs sobre a civiliza��o subterr�nea de Pellucidar. Pode soar paradoxal, mas talvez aquilo que Edgar Rice Burroughs criou seja, de fato, mais importante do que aquilo que ele escreveu. � uma distin��o t�nue, e que n�o deixa de conceder ao soldado e caub�i que virou escritor uma certa aura de imortalidade. Links: Alt.Fantasy.ER-Burroughs http://www.xenite.org/usenet/af_erb.htm Tarzan - Disney http://disney.go.com/worldsofdisney/tarzan/nonflash/ Tarzan - p�gina oficial http://www.tarzan.com Barsoom Glossary http://home.att.net/~a.barsoom.glossary/ Textos de Burroughs online http://home.att.net/~a.barsoom.glossary/erbbooks.html Tarzana, Calif�rnia http://www.tarzana-chamber.org Carlos Orsi, 27 anos, � jornalista e escritor. Trabalha com Internet desde 1996, quando foi contratado pela Ag�ncia Estado. Desde 1997, responde tamb�m pela se��o 'Ano 2000'. |
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