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(t�tulo) O que h� por detr�s do aumento dos combust�veis?
(subt�tulo) Repetindo o que foi feito com energia el�trica e telefonia, governo federal tenta maximizar lucros da Petrobras Alexandre Gomes O aumento dos combust�veis, que j� est�o pelo menos 55% mais caros do que no in�cio do ano, n�o � um fato casual, tampouco se deve a qualquer flutua��o do pre�o do petr�leo no mercado internacional. Pelo contr�rio, a oferta de petr�leo est� aumentando e os pre�os caindo. A verdade � que o governo esfor�a-se para aumentar as tarifas e sanear a Petrobr�s para preparar terreno para a privatiza��o da empresa em breve. O mesmo ardil j� atingiu o fornecimento de energia el�trica e telefonia, cujas tarifas aumentaram de forma muito significativa antes das empresas serem vendidas. E N�o se pense que a popula��o vai ter algum benef�cio neste processo todo, s� os usur�rios internacionais obter�o vantagens com esta alta de pre�os. E a grande imprensa, s�cia e c�mplice da doa��o de empresas nacionais � banca, acabar� por enaltecer de forma c�nica o �gio que seja auferido na transa��o. C�nica porque se uma coisa foi vendida por 10 vezes o pre�o estipulado, isto na verdade significa que colocaram nela um pre�o 10 vezes inferior ao que realmente valia. Mais c�nica ainda porque o valor pago como "�gio" nos leil�es de privatiza��o pode ser deduzido do Imposto de Renda, saindo quase de gra�a aos compradores. Todos sabem que os efeitos desta alta nos combust�veis, turbinada pelos cart�is que aumentam a explora��o combinando o pre�o da gasolina, ser� terr�vel. Apesar de toda a maquiagem dos �ndices oficiais de infla��o - lembrando que o governo proibiu a FGV (Funda��o Get�lio Vargas) de divulgar alguns de seus �ndices n�o expurgados - todos j� percebem que a infla��o est� de volta e os trabalhadores brasileiros passam por um arrocho salarial sem precedentes. O setor de transporte p�blico, do qual boa parte dos brasileiros dependem diariamente, j� vem sinalizando que tornou-se imposs�vel conviver com o crescente custo nos insumos. Logo haver� necessidade de deidir entre o caos ou o aumento de tarifas, ambas decis�es impopulares que qualquer governante hesitar� em tomar. Os efeitos desta perda generalizada do poder aquisitivo podem ser vistos por toda parte, junto com a absoluta inseguran�a quanto � manuten��o do emprego. O com�rcio enfrenta tend�ncia decrescente sem grandes esperan�as de se reerguer, por todo lugar se v�em establecimentos comeriais e industriais fechando as protas, pessoas de nome e reputa��o sendo obrigados a enfrentar mil dificuldades. FHC roubou o futuro do pa�s, n�o s� o futuro material, mas o futuro da esperan�a. Hoje quem est� bem tem no m�ximo a ambi��o de n�o perder o emprego ou o estabelecimento e pagar a maioria das contas em dia. Tamb�m falta a esperan�a de ver as coisas melhorarem, no m�ximo se contenta com a expectativa de que elas n�o piorem ainda mais. A intensa solidariedade � greve dos caminheiros por um instante resgatou a esperan�a de que acontecesse algo, que algo pudesse ser mudado. Houvesse naquele momento uma lideran�a de credibilidade e talvez as coisas poderiam mudar. Sente-se claramente que o Brasil chegou ao fundo do po�o de tal forma que mesmo o incerto e inseguro parece ser prefer�vel aos tempos bicudos no qual se vive. Ainda que este sentimento seja salutar, porque demosntra que finalmente o brasileiro parece estar saindo do secular comodismo e in�rcia, ele traz a preocupa��o de ningu�m ser capaz de sinalizar com outro futuro. Alexandre Gomes � editor do PRIMEIRA P�GINA |
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