briga.txt |
|
|
Di�rio do Front
Dois tipos de brigas pol�ticas � preciso distinguir disputas ideol�gicas de simples combate de fac��es pelo poder Alexandre Gomes (olho) "A crise n�o poupa sequer o �nico partido estruturado da cidade, o PT, que precisou restringir o acesso da imprensa ao seu Encontro para evitar que a lava��o de roupa fosse conhecida." (olho) "Melo portanto quer n�o s� garantir um amplo arco de partidos que lhe permita acomodar muitas lideran�as mas tamb�m reduzir o custo de manuten��o da sua base parlamentar." (olho) "Um funcion�rio p�blico, aposentado ou pensionista do estado que tiver at� 25% do seu sal�rio tungado pelos tucanos s� vota no PSDB se for muito burro" (olho) "A �nica postura coerente que resta ao PSDB local � sair do partido ou aceitar passivamente o �nus da pol�tica predat�ria que seu partido pratica no pa�s sob o comando do FMI." Os partidos pol�ticos de S�o Carlos vivem agora um de seus momentos mais cr�ticos de sua hist�ria. Isto �, se � admiss�vel que se chame de partidos pol�ticos � sopa de letrinhas local. Em grande parte a crise � provocada pelas mudan�as na legisla��o, mas em grande parte ela tamb�m � fruto da falta de solidez ideol�gica e hist�rica dos partidos tanto a n�vel nacional quanto local. A crise n�o poupa sequer o �nico partido estruturado da cidade, o PT, que precisou restringir o acesso da imprensa ao seu Encontro Municipal de amanh� para evitar que a lava��o de roupa suja chegasse ao conhecimento do p�blico. A postura do PT, t�o diferente dos outros partidos em tantas coisas, acaba sendo igual nesta quest�o. O PT sabe que precisa mudar a sua imagem de partido sujeito a constantes conflitos internos se deseja chegar ao Poder. Contudo ao inv�s de tomar medidas que tornem o debate interno mais civilizado e ideol�gico, simplesmente tentam evitar que as informa��es sobre as brigas "vazem"para a imprensa. Este comportamento autorit�rio e manipulat�rio do PT revela mais do que tenta esconder, afinal n�o haveria problema nenhum que a imprensa soubesse das disputas se estas estivessem baseadas em diverg�ncias ideol�gicas mais no que em diverg�ncias pessoais e grupais. O primeiro tipo de diverg�ncia demonstra um partido plural, a segunda um agrupamento de fa���es preocupadas apenas com a divis�o do poder. Balaio sem gatos Se at� no PT existe este tipo de conflito, em diversos outros grupos a disputa � ainda mais rasteira e sequer existe a preocupa��o de tentar maquear os conflitos como sendo ideol�gicos ou administrativos. No Balaio de Gatos - coaliz�o que governa a cidade - a disputa por partidos chega ao limite de se tentar obter a todo custo o maior n�mero poss�vel de legendas, ainda que vazias. A estrat�gia do gabinete do prefeito Dagnone de Melo � t�o clara quanto s�o obscuros seus m�todos. Como a legisla��o eleitoral exige que as pessoas se filiem no in�cio de outubro, mas garante a possibilidade de se mudar o controle do partido a qualquer momento, sem que os diret�rios regionais d�em qualquer explica��o, o prefeito espera ter na m�o um elemento de coa��o sobre lideran�as pol�ticas da cidade. Em especial os vereadores s�o sens�veis a esta press�o, j� que por conta da nova legisla��o, tamb�m N�o h� mais legenda autom�tica para quem j� disp�e de mandato eletivo. Com isto os vereadores passam a depender de quem seja o "dono" da legenda a qual estejam filiados no in�cio de outubro. Melo portanto quer n�o s� garantir um amplo arco de partidos que lhe permita acomodar muitas lideran�as como candidatos a vereador - e portanto potenciais cabos eleitorais gratuitos - mas tamb�m reduzir o custo de manuten��o da sua base parlamentar. Al�m disso, Melo precisa, mais do que qualquer outro candidato, de um tempo de TV no hor�rio eleitoral gratuito extenso para que seja capaz de mostrar o que fez e convencer o eleitor a votar nele outra vez, renovando o compromisso do primeiro mandato. Qualquer um sabe que � mais f�cil destruir que construir, e que portanto ele ter� mais dificuldade em mostrar trabalho do que seus advers�rios ter�o em criticar sua gest�o, e isto independe da administra��o ser boa ou ruim. O intenso esfor�o do C�rculo �ntimo do prefeito nos �ltimos dias tentando amarrar as mais diversas legendas sob o seu controle revela uma estrat�gia acertada quanto ao objetivo, mas question�vel quanto aos m�todos. Isto porque muitas susceptibilidades foram feridas, muitas lideran�as sa�ram magoadas com o prefeito do epis�dio e, nas palavras de um dos aliados do prefeito, ele pode acabar com muitos "Balaios sem gatos". Tucanos de duas caras Quanto ao terceiro conjunto de partidos, capitaneado pelo eterno candidato tucano Paulo Altomani, ele enfrenta um dilema s�rio. Permanecer no PSDB fica a cada dia mais insustent�vel devido, principalemtne, � popularidade cadente de FHC que resultar� em um voto de protesto em massa contra os tucanos em todo o pa�s. A esfarrapada desculpa dos tucanos, de que eles tamb�m s�o contra o governo - que Altomani tenta justificar de forma muito envergonhada em artigos dominicais nos quais fala um monte de coisas para n�o dizer nada - certamente n�o � capaz de convencer nem a eles mesmos. Tamb�m n�o ajuda muito a Altomani o fato do PSDB estar no controle do governo do estado. N�o bastasse o tratamento discriminat�rio que a cidade vem recebendo, Altomani certamente n�o obter� nenhum voto de funcion�rio p�blico estadual depois que o governador Mario Covas (PSDB) virou os olhos gananciosos e as m�as sorrateiras para o sal�rio - h� 5 anos sem aumento - dos servidores com a desculpa de mudan�as na Previd�ncia. Um funcion�rio p�blico, aposentado ou pensionista do estado que tiver at� 25% do seu sal�rio tungado pelos tucanos s� vota no PSDB se for muito burro, masoquista mesmo. S� muito descaramento justifica que os mesmos tucanos que correm a se postar de papagaio (ou tucano) de pirata a cada vez que algum medalh�o do partido visita a cidade, se aproveitem da aus�ncia dos chefes para fazer demagogia. A �nica postura coerente que resta �s lideran�as do PSDB local � ou sair do partido procurando outra legenda que se encaixe melhor naquilo que eles dizem pensar, ou ent�o aceitar passivamente o �nus da pol�tica predat�ria que seu partido pratica no pa�s sob o comando do FMI. Alexandre Gomes � editor do PRIMEIRA P�GINA |
Index
|