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Pobres escolas
Alexandre Gomes "Mas do que escolas, me instruiu uma biblioteca" (Borges) As escolas s�o um meio ineficiente de educar, sempre foram e sempre ser�o. Em primeiro lugar porque s� servem para a m�dia dos indiv�duos, quem est� acima ou quem est� abaixo desta m�dia n�o ter� jamais um espa�o adequado l� porque elas jamais fornecer�o a estes indiv�duos toda a aten��o que eles necessitam. Em segundo lugar porque o objetivo primordial das escolas nunca foi o de educar, mas sim o de doutrinar (domesticar?) consci�ncias med�ocres e aptas a conviver em sociedade - e portanto respeitar as institui��es. Em seu livro, t�o excelente quanto pouco conhecido, "os dem�nios de Loudon", Aldous Huxley ironiza a pretens�o dos jesu�tas de moldar a mente dos seus alunos tal como se molda o corpo de uma crian�a enfaixando-a quando nasce. Muitos dos ilustres alunos destas escolas tornaram-se livre-pensadores ou protestantes de carteirinha e a simples men��o que Voltaire estudou em um destes col�gios refutaria qualquer efic�cia do m�todo. Mas n�o � bem assim, afinal quantos outros voltaires n�o sucumbiram � domestica��o durante o processo de "aprendizagem"? Borges, como atesta a ep�grafe deste texto, reconhecia que sua forma��o como um dos maiores homens de letras do s�culo �s investidas � Biblioteca paterna e n�o � escola. E � digno de nota que Borges estudou em um dos melhores col�gios sui�os, cujo renome dispensa apresenta��es. Resumindo, o fato que mesmo uma escola ideal, uma escola de qualidade, uma escola excelente n�o � capaz de atender �s reais necessidades de aprendizado. Estas escolas dizem-se basear-se na velha rela��o mestre/disc�pulo herdada da Gr�cia, mas s� n�o s�o a continuidade deste sistema grego como s�o a sua nega��o. Uma ensinava a liberdade e o questionamento, a outra a ser escravo e a obedecer. At� aqui tenho falado de uma escola ideal, com qualidades excepcionais. � at� covardia incluir no debate a escola atual do Brasil - particular ou p�blica - que n�o chega sequer a cumprir a fun��o b�sica de transmitir, de forma mais ou menos aleat�ria, um conhecimento insosso e algumas regras b�sicas de disciplina. Uma boa escola - no sentido que uma escola no seu sentido moderno pode ser boa - tem uma pequena vantagem quase marginal: ela d� um cabedal de conhecimento m�nimo que at� pode permitir a um ou outro aluno libertar-se da escravidao mental que ela tenta impor. O caso de Voltaire mencionado acima talvez se explique por este caminho. Assim, por um acidente de percurso, uma escola excelente pode at� conseguir produzir algu�m preparado para buscar o verdadeiro saber. Mas uma escola ruim, como a imensa maioria das que se tem no pa�s, presta um deservi�o � humanidade. N�o poucas vezes desestimula a busca do conhecimento e at�, paradoxalmente, estimula a indisciplina ao inv�s de conte-la por desmorailzar o exerc�cio da autoridade dando-o a pessoas despreparadas. Tornou-se moda h� alguns anos a ado��o de novas metodologias de ensino que, teoricamente, tentariam recompor aquele esp�rito dial�tico grego. Mas para um conceito t�o revolucion�rio seria preciso, em primeiro lugar, ter pessoas capazes de apreender esta vis�o nova em sua ess�ncia e de aplicar de forma s�bia esta nova metodologia. O que se tem na pr�tica � muito diferente. Pessoas despreparadas, dotadas de uma mentalidade escol�stica estreita - e em geral autorit�ria - adquirem rudimentos muito superficiais destas novas metodologias (quase sempre em cursos vagos ou semi-vagos) e dotadas deste semi-conhecimento (estado em geral ainda mais funesto que a ignor�ncia porque nele a pessoa "acha" que sabe) tentam aplicar na pr�tica uma teoria em si j� canhestra. O resultado disto consegue ser ainda pior do que tudo o que existia antes. Mesmo aqueles farelos de conhecimento verdadeiro que o m�todo escol�stico era capaz de dar esvai-se em meio a estas experi�ncias com cobaias humanas. Alexandre Gomes � editor do PRIMEIRA P�GINA |
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