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Di�rio do Front
Decodificando o plano "Avan�a Brasil"
Apesar de fingir n�o ter dado import�ncia � Marcha, FHC tenta convencer pa�s que mudou

Alexandre Gomes

(olho) "� evidente que embora o discurso tenha sido o de minimizar a import�ncia e os efeitos da Marcha, ela assustou a alian�a de FHC"
(olho) "Nem parece o mesmo Covas que h� menos de um ano discutiu com furor com Maluf disputando o direito de aparecer em out-doors ao lado de FHC"
(olho) "O plano serviu de cortina de fuma�a a entrega do Or�amento - no qual curiosamente n�o se v� grandes sinais do grandioso Plano apresentado."
(olho) "FHC fala que uma parte dos planos ser� feita pela iniciativa privada. Isto significa concess�es tal como as das rodovias para financiar estas obras e posterior cobran�a dos cidad�os. Ou voc�s pensaram que ele queria dizer que as empresas privadas iam fazer tudo aquilo de gra�a?

Como na piada, reconhecendo que est� � beira do precip�cio o presidente resolveu avan�ar mais um passo. A mais clara associa��o pode ser estabelecida entre a Marcha dos 100 mil e o plano batizado de Avan�a Brasil anunciado com grande pirotecnia pelo governo ontem..
� evidente que os mesmos �rg�os da grande imprensa que esfor�aram-se ao m�ximo para reduzir a amplitude do movimento na semana passada teceram loas vergonhosamente entusi�sticas ao vago plano de FHC.
Numa falha de an�lise muita �bvia para ser mera incompet�ncia, nenhum destes �rg�os comentou, ou sequer mencionou como vaga hip�tese, a exist�ncia de uma rela��o entre o Plano e a Marcha. N�o estava, certamente, no script distribu�do pelo Planalto.
� evidente que embora o discurso un�nime do governo tenha sido o de minimizar a import�ncia e os efeitos da Marcha, ela assustou as for�as que integram a alian�a de FHC. Tampouco foi por outro motivo que as mais variadas parcelas do tucanato - em especial Covas - sentindo que o barco est� prestes a afundar procuram ansiosos um salva-vidas.
Nem parece o mesmo Covas que h� menos de um ano discutiu com furor com Maluf disputando o direito de aparecer em out-doors ao lado de FHC, como todo leitor atento deve se lembrar. Mas � t�pico dos tucanos subestimar a intelig�ncia e a mem�ria da sociedade, imaginam que tal como no livro de Orwell o passado pode ser sempre reescrito para se adaptar �s necessidades pol�ticas do presente.
Curioso que os tucanos sequer esperaram um pouquinho mais antes de tentar responder aos anseios representados pela Marcha. Isto indica que ou a Marcha assustou tanto ao governo que eles preferiram correr o risco de "passar recibo" para dar uma resposta antes que a coisa crescesse ainda mais, ou confiaram ao extremo na sua capacidade de manipular a opini�o p�blica atrav�s dos meios de comunica��o.
Mas h� mais coisas escondidas sobre o plano mirabolante que promete revolucionar o pa�s e recuperar a economia. Uma delas � que na verdade ele serviu de cortina de fuma�a a entrega do Or�amento - no qual curiosamente n�o se v� grandes sinais do grandioso Plano apresentado.
O Or�amento - que � a linguagem objetiva e material por detr�s dos discursos bonitos - assinala que a press�o tribut�ria vai continuar aumentando no pr�ximo ano. Tamb�m assinala amplos gastos com o sistema financeiro internacional e N�o aponta com clareza o enorme an�ncio das verbas sociais que FHC promete no Plano.
Enfim, parece que o Plano foi feito t�o �s pressas que n�o tiveram tempo de consolid�-lo no Or�amento. Mas novamente neste ponto, percept�vel a olho nu a centenas de quil�metros de Bras�lia, n�o foi visto pelos �rg�os de imprensa amestrado de FHC.
H� outras coisas extremamente significativas que tamb�m precisam ser decodificadas. FHC fala, por exemplo, que uma parte dos planos ser� feita pela iniciativa privada. Lido de um lado isto parece ser muito bom, afinal significa que n�o se gastar� dinheiro p�blico.
Mas lido pelo outro lado, isto significa concess�es tal como as das rodovias para financiar estas obras e posterior cobran�a dos cidad�os. Ou voc�s pensaram que ele queria dizer que as empresas privadas iam fazer tudo aquilo de gra�a?
H� por detr�s desta hist�ria toda a id�ia j� velha de privatizar os rios do pa�s, os recursos minerais, o servi�o de transporte e sabe-se l� quantas coisas mais. � preciso reconhecer que o Planalto � habilidoso em marketing, afinal transformou a doa��o de boa parte do pa�s em algo muito mais palat�vel � opini�o p�blica, at� positivo. Resta saber por quanto tempo ele conseguir� continuar enganando a todos.
A ant�tese do malandro � o ot�rio, um noa pode existir sem o outro porque se complementam, um nasce da rela��o com o outro. Enquanto houver ot�rios que continuem confiando nele, acreditando na m�dia amestrada, aceitando que tentar investigar poss�veis irregularidades cometidas por ele s�o um "golpismo", aceitando que a doa��o do pa�s ao capital internacional beneficiar� os cidad�os, a malandragem de FHC poder� continuar agindo.
Com o tal Plano turbinado pela manipula��o da informa��o FHC conseguiu um tempo extra. Resta saber por quanto tempo o brasileiro continuar� sendo ot�rio de acreditar nele.




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