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Autor responsável: Uriel Assan [email protected] |
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DOR |
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Anatomía
humana
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INTRODUÇÃO Evitar
a dor é uma necessidade humana básica.
Embora uma pessoa possa sobreviver com dor, a sua presença contínua
interfere no bem estar do indivíduo.
Uma dor que atue constantemente passa a ser um ponto focal na
vida da pessoa, o que desorganiza a sua capacidade de se alimentar, de
dormir ou de desempenhar atividades. A
dor é uma das circunstâncias mais comuns que levam as pessoas a
procurar instituições de assistência a saúde. Em consequência,
todos os enfermeiros inevitavelmente trabalham com pacientes que sofrem
de dor. O enfermeiro de uma
equipe de saúde que passa a maior parte do tempo com os pacientes pode
estabelecer uma importante diferença na maneira como os pacientes
percebem a dor, reagem a dor, e no grau de alívio que obtém. DEFINIÇÃO
DE DOR “É
uma sensação pessoal e particular de sofrimento físico; um estímulo
nocivo que indica lesão ou dano tecidual atual ou eminente; um padrão
de respostas que atua para proteger o organismo contra o dano”.
(Sternback, 1968) “Tudo
que a pessoa que sofre diz ser dor, e existe sempre que a pessoa diz que
existe”. (Mc Caffery, 1972) “A
dor é uma sensação causada pela ação de estímulos de natureza
prejudicial. Embora
desagradável, a dor é em muitos casos um mecanismo protetor que avisa
os indivíduos que tecidos do seu corpo estão sendo lesados ou estão
prestes a serem lesados”. “A
dor é uma desagradável experiência sensorial e emocional resultante
de um dano real ou em potencial ao tecido”. FISIOLOGIA
DA DOR Estruturas específicas do sistema nervoso estão envolvidas na transformação de um estímulo em uma sensação de dor. O sistema envolvido na transmissão e percepção da dor é conhecido como sistema nociceptivo. A sensibilidade dos componentes do sistema nociceptivo pode ser afetada por inúmeros fatores e pode variar entre as pessoas. Nem
todas as pessoas expostas ao mesmo estímulo experimentam a mesma
intensidade da dor. Além
disso, um estímulo pode resultar em dor em um momento e não em outro.
Esses fatores podem aumentar
ou diminuir a sensibilidade dos diferentes componentes do sistema
nociceptivo. TRANSMISSÃO
DA DOR Receptores da dor (nociceptores): estes são terminações nervosas livres na pele que respondem apenas a um estímulo interno, potencialmente danoso. Este estímulo pode ser de natureza mecânica, térmica ou química. Os grandes órgãos internos (vísceras) não contém terminações nervosas que respondem somente ao estímulos de dor. A dor originada nesses órgãos resulta de intensa estimulação dos receptores que tem outros propósitos. Os receptores da dor são vias multidirecionais complexas. Essas fibras nervosas se ramificam muito perto de sua origem na pele e enviam fibras para os vasos sanguíneos locais mastócitos, folículo do cabelo e glândulas sudoríparas. A estimulação dessas fibras resulta na liberação de histamina dos mastócitos e em vasodilatação. As fibras cutâneas localizadas mais centralmente, mais adiante se ramificam comunicando-se com a cadeia simpática paravertebral do sistema nervoso e com grandes órgãos internos. Como resultado da conexão entre essas fibras nervosas, a dor é frequentemente acompanhada por efeitos vasomotores, autônomos e viscerais. Apesar de a intensa ativação das fibras receptoras da dor na pele causam uma resposta na conexão visceral da mesma fibra, o inverso também é verdadeiro. Estimulação intensa do ramo visceral da fibra pode resultar em vasodilatação e dor na área do corpo associada com a fibra resultando na dor referida. Inúmeras
substâncias químicas que afetam a a sensibilidade das terminações
nervosas ou receptoras da dor são liberadas no tecido extravascular
como resultado de dano no tecido. São
substâncias que aumentam a transmissão ou percepção da dor como
histamina, bradiquinina, acetilcolina e substância P. As
prostaglandinas que aumentam a sensibilidade dos receptores da dor pelo
aumento do efeito provocado da dor da bradiquinina. As
endorfinas e encefalinas são substâncias derivadas da morfina
produzidas pelo corpo, são exemplo de substânias que inibem a
transmissão de impulsos dolorosos provocando o alívio da dor. Fibras
interneuronais inibitórias que contém encefalinas são permanentemente
ativadas pela atividade das fibras periféricas não nociceptoras
(fibras que normalmente não transmitem dor ou estímulos nocivos), no
mesmo campo receptores da dor ou nociceptor e das fibras descendentes,
agrupados em um sistema chamado “controle descendente”.
Acredita-se que as encefalinas e as endorfinas inibem os impulsos
no cérebro e na medula espinhal. A
existência de encefalinas e endorfinas ajuda a explicar porque as
pessoas sentem diferentes qualidades de dor de um estímulo similar.
As pessoas que tem mais endorfinas sentem mais dor. Para
que a dor seja percebida concientemente, os neurônios do sistema
ascendente devem ser ativados. A
ativação ocorre como resultado da entrada dos receptores da dor
localizadas na pele e nos órgãos internos. Existem neurônios
interconectados no corpo dorsal que quando ativados inibem ou desligam a
transmissão de informação de estímulos dolorosos ou nocivos na via
ascendente. Frequentemente
essa área é chamada de “portão”.
A tendência natural do portão
é permitir que todas as entradas nocivas da periferia ativem a via
ascendente resultando na dor. Entretanto,
se essa tendência prosseguir sem resistência, muitas atividades da
vida diária se tornam dolorosas. Consequentemente,
o sistema existe para fechar o “portão”.
A estimulação dos interneurônios inibitórios do sistema
ascendente fecha o portão para a entrada de dor e evita a transmissão
da sensação dolorosa. O
sistema de controle descendente é um sistema de fibras que se origina
na porção inferior e média do cérebro e termina nas fibras
interneuronais inibitórias do corno dorsal da medula espinhal.
Este sistema provavelmente está sempre ativo; ele evita a
transmissão contínua de estímulos como dor, parcialmente, através da
ação das endorfinas. O
processo cognitivo pode estimular a produção de endorfinas no sistema
de controle descendente. A
eficácia deste sistema é ilustrada pelo efeito da distração (por
ex.: indivíduos escapando de um incêndio estão desatentos para o fato
de que eles tem queimaduras, até estarem a salvo) para a pessoa se
salvar. O cérebro fecha a
percepção da dor menos importante pela estimulação do sistema de
controle descendente. A
depressão pode Ter efeito contrário da distração, pode levar a
diminuição da atividade do sistema de controle descendente e ao
aumento da percepção da dor. A
diferença da percepção da dor entre as pessoas é provavelmente uma
função inconsciente ainda que seja uma atividade persistente do
sistema de controle descendente. TIPOS
DE DOR Superficial:
descrita como sensação de ardência ou pontada, geralmente pode
ser localizada com bastante precisão, devido ao grande número de
terminações nervosas sensoriais livres na superfície do corpo. Profunda:
descrita como uma dor surda, espasmódica, corrosiva ou penetrante.
Origina-se nas estruturas mais profundas do organismo (músculos,
tendões, articulações). Os
músculos e os tendões são particularmente sesíveis a dor e podem
ocasionar doses de considerável intensidade. Visceral:
embora de difícil descrição é sentida como cólica, aperto,
torcedura ou esmagamento. Também
de difícil localização devido a menor presença de terminações
nervosas sensoriais presentes. Pode
ser percebida como se originando no próprio órgão ou pode ser sentida
num local bem distante da víscera afetada pelo mecanismo da dor
referida. A natureza da dor sentida é por vezes altamente específica
do órgão afetado e do processo patológico que está tendo lugar nele.
Qualquer estímulo que excite os algirreceptores em áreas
difusas causa dor visceral. Dor
Fantasma (dor psicogênica):
persistência da sensação dolorosa a uma “memória”, após a remoção
de sua causa. A
dor causa reações motoras reflexas e reações psíquicas.
As reações psíquicas a dor parece ser ainda mais sutis; elas
incluem todos os aspectos bem conhecidos como a angústia, ansiedade,
choro, depressão, náuseas e excitabilidade muscular em todo o corpo.
Dor em uma parte do corpo consideravelmente afastada dos tecidos
que causam a dor, pode originar-se em uma víscera e ser referida a
outra área profunda do corpo, não coincidente com a localização da víscera
que produz a dor. Dor
em pontada: é sentida quando uma agulha é introduzida na pele ou
quando essa é incisada por um bisturi.
É também muitas vezes percebida quando uma área da pele é
irritada, difusa e intensamente. Dor
em queimação: como o nome diz, um tipo de dor que se sente quando
a pele é queimada. Pode
ser extremamente dolorosa e é a que mais facilmente leva o paciente a
sofrimento. Dor
contínua: não é sentida habitualmente na superfície do corpo, é
uma dor profunda com graves variáveis de intensidade.
A de pouca intensidade pode resultar em sensação muito desagradável
quando afeta extensas áreas corporais. Obs:
os termos são variáveis de acordo com a descrição, etiologia e
idiossincrasias, mas contudo, como visto, um “termo” pode ser usado
como definição de outro termo. AVALIAÇÃO
DA DOR
1. A dor é uma experiência
subjetiva, portanto uma das prioridades para um tratamento adequado da
mesma é uma avaliação exata. Essa
é altamente influenciada pela capacidade do cliente delinear com exatidão,
os aspectos de experiência da dor, caso o paciente não consiga
comunicar-se, esta avaliação será alterada.
2. É importante uma
avaliação constante da dor, incluindo os aspectos subjetivos e
objetivos, ou seja, descrições verbais do paciente e observações do
comportamento da pessoa pelo enfermeiro.
Parte da avaliação de enfermagem consiste em identificar
quaisquer necessidades não satisfeitas, que podem contribuir para a
dor de uma pessoa.
3. A dor desencadeia
respostas emocionais que podem interferir nas expressões
comportamentais. A observação
do comportamento proporciona a enfermeira uma compreensão dos
sentimentos da pessoa e o que a dor significa para ela.
Ao aceitar os comportamentos e procurar compreender suas origens,
as enfermeiras conseguem ajudar os indivíduos com dor e pra isso as
enfermeiras precisam: -
observar atentamente o comportamento do cliente;
4. Para avaliar a
experiência dolorosa do cliente é necessário colher informações
sobre a dor do paciente certificando-se sempre que possível, dos
seguintes aspectos: -
a qualidade da dor; (dor aguda, dor de cabeça) INSTRUMENTOS
USADOS NA ABORDAGEM DA DOR: Os
instrumentos mais simples usados na avaliação da dor, tanto pela
enfermeira quanto pelo cliente, são análogos visuais ou escalas de
descrições visuais. Esses
instrumentos são de fácil uso e proporcionam ao cliente e a enfermeira
uma forma de quantificar a dor. Outro
instrumento de avaliação é o questionário para dor de
Megill-Melzack, esse instrumento é complexo e de uso mais difícil, porém
ele pode ser bastante útil. CUIDADOS
DE ENFERMAGEM Ao
cuidar de um paciente com dor, identifique e remova a causa, sempre que
possível; é importante que se trabalhe junto com o cliente na busca de
formas capazes de reduzir ou melhorar a dor.
É importante que se faça reavaliações e avaliações
frequentes e adaptar as prescrições de enfermagem de acordo com as
mesmas, pois a prescrição que é útil para o cliente em determinado
momento não é necessariamente útil em outro. As
necessidades humanas básicas como alimentação e excreção devem ser
feitas, pois assim é possível que a dor ou o desconforto (físico ou
psicológico) seja reduzido ou mesmo eliminado. Embora
o tratamento específico seja, sempre que possível, dirijido no sentido
da remoção da causa da dor, é preciso intervir em outros problemas
que agravem a dor tais como: tosse, anorexia, diarréia e constipação. O
alívio da dor é sempre um problema prioritário no que diz respeito a
atuação de enfermagem. Há
porém circunstâncias em que o alívio da dor é mais urgente que em
outras, em que o tratamento imediato é essencial para salvar a vida do
cliente ou impedir lesões a estruturas do organismo. Dores
fortes podem causar um colapso dos mecanismos adaptativos do corpo,
portanto requer uma intervenção imediata e o julgamento das condições
do cliente pela enfermagem é extremamente importante.
Se forem observados sinais de fraqueza e prostração, comum num
paciente que está sentido dores, o médico deve ser notificado
imediatamente para se poder obter sua orientação quanto a medidas a
serem tomadas. A
atuação de enfermagem tem como objetivo: -
eliminar ou reduzir o máximo os estímulos que estão causando dor; Para
alcançar esses objetivos, a enfermagem conta com diversos mecanismos: Alívio
da ansiedade: quanto maior a ansiedade, maior o sofrimento associado
a dor. Permaneça com o
cliente algum tempo, permita que ele converse e expresse seus
sentimentos e receios. Comunique
empatia e desejo de ouvir. Distração
ou divertimento: a distração pode de várias maneiras: terapia
ocupacional, conversação, leitura, televisão, rádio, medicação,
auto-hipnose, biorretoinformação e auto-sugestão. Uma outra forma de distração consiste em envolver o cliente
na auto-assistência, como respirar fundo, mudar de posição e
movimentar as pernas. A
intensidade do sofrimento do cliente depende da extensão em que a dor
domina sua consciência. Combatendo
medos antecipados: medos que ocorrem antes de experimentarem estímulos
de dor. Antes dos
procedimentos dolorosos deve-se conversar com o cliente a respeito do
que ele deve esperar. Oferecimento
de assistência física: existem vários princípios importantes de
assistência física de enfermagem: -
identifique a origem da dor; Administração
de medicamentos para aliviar a dor: é preciso lembrar que a medicação
pode ser mais efetiva quando associada a outros métodos de alívio da
dor. Tratamento
da dor crônica intrável: é a dor que não pode ser
satisfatoriamente aliviada. Os
clientes que a apresentam podem ser ajudados aplicando-se as intervenções
psicológicas e físicas da enfermagem. Tratamento
da dor progressiva: os clientes que a apresentam podem ser ajudaddos
pelos métodos já descritos, com a ressalva de que esses indivíduos
podem necessitar rotineiramente, de medicações para alívio da dor
como medida preventiva. CONSIDERAÇÕES
O
presente trabalho mostrou-nos a importância do estudo da dor, bem como
as intervenções que podem ser feitas pela equipe de enfermagem. As
enfermeiras encontram-se em excelente posição para lidar com o cliente
que sente dor e ajudá-lo a superá-la.
Essa também é uma tarefa importante, porém não é fácil. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS ATKINSON,
M.; Fundamentos de Enfermagem; 4ª ed. Rio de janeiro: Guanabara Koogan,
1989. BLACK,
J.M., MATASSARIM, JACOBS, LUCKMAMN & SORENSEN; Enfermagem
Médico-Cirúgica; v.1, 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
1996. BRUNNER,
L.S., SUDDARTH, H.S.; Tratado de
Enfermagem Médico-Cirúrgica; v.1, 8ª ed. Rio de Janeiro:
Guanabara koogan, 1996. DUGAS,
B.W.; Enfermagem Prática; 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988. GUYTON, A.C.; Tratado de Fisiologia Médica; 4ª ed. Rio de Janeiro: Intramericana.
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