Durante
muito tempo, os fungos foram considerados como vegetais e, somente a partir de
1969, passaram a ser classificados em um reino à parte.
Os
fungos apresentam um conjunto de características próprias que permitem sua
diferenciação das plantas: não sintetizam clorofila, não tem celulose na sua
parede celular, exceto alguns fungos aquáticos e não armazenam amido como
substância de reserva.
A
presença de substâncias quitinosas na parede da maior parte das espécies fúngicas
e a sua capacidade de depositar glicogênio os assemelham às
células animais (LAGEIRO, 1997).
Os
fungos são seres vivos eucarióticos, com um só núcleo, como as leveduras, ou
multinucleados, como se observa entre os fungos filamentosos ou bolores.
Seu
citoplasma contém mitocôndrias e retículo endoplasmático rugoso. São
heterotróficos e nutrem-se de matéria orgânica morta, sendo sua nutrição
feita por absorção de nutrientes graças a presença de enzimas que são por
eles produzidas e que degradam produtos como, celulose e amido.
Suas células possuem vida independente e não se reúnem para formar
tecidos verdadeiros.
Protoplastos
de fungos podem ser obtidos pelo tratamento de seus cultivos, em condições
hipertônicas, com enzimas de origem bacteriana ou extraídas do caracol Helix
pomatia.
Os
fungos são ubíquos, encontrando-se no solo, na água, nos vegetais, em
animais, no homem e em detritos em geral. O vento age como importante veiculo de
dispersão de seus propágulos e fragmentos de
hifa.
Os
fungos podem se desenvolver em meios de cultivo especiais formando colônias de
dois tipos: leveduriformes e filamentosas. As colônias leveduriformes são
pastosas ou cremosas, formadas por microrganismos unicelulares que cumprem as
funções vegetativas e reprodutivas. As colônias filamentosas podem ser
algodonosas, aveludadas ou pulverulentas; são constituídas fundamentalmente
por elementos multicelulares em forma de tubo, as hifas. As hifas podem ser contínuas
ou cenocíticas e tabicadas ou septadas (Figura 1).
Ao
conjunto de hifas, dá-se o nome de micélio. O micélio que se desenvolve no
interior do substrato, funcionando também como elemento de sustentação e de
absorção de nutrientes, é chamado de micélio vegetativo.
O micélio que se projeta na superfície e cresce acima do meio de cultivo é o
micélio aéreo. Quando o micélio aéreo se diferencia para sustentar os corpos
de frutificação ou propágulos, constitui o micélio reprodutivo.
Os
propágulos ou órgãos de disseminação dos fungos são classificados, segundo
sua origem, em externos e internos, sexuados e assexuados. Embora o micélio
vegetativo não tenha especificamente funções de reprodução, alguns
fragmentos de hifa podem se desprender do micélio vegetativo e cumprir funções
de propagação, uma vez que as células fúngicas são autônomas. Estes
elementos são denominados de taloconídios e compreendem os: blastoconídios,
artroconídios e os clamidoconídios.
Os
blastoconídios, também denominados gêmulas, são comuns nas leveduras e se
derivam por brotamento da célula-mãe. As vezes, os blastoconídios permanecem
ligados à célula-mãe, formando cadeias, as pseudo-hifas, cujo conjunto é o
pseudomicélio. (Figura 2).
Os
artroconídios são formados por fragmentação das hifas em segmentos
retangulares. São encontrados nos fungos do gênero Geotrichum,
em Coccidioides immitis e em dermatófitos.
(Figura 3).
Os
clamidoconídios têm função de resistência, semelhante a dos esporos
bacterianos. São células, geralmente arredondadas, de volume aumentado, com
paredes duplas e espessas, nas quis se concentra o citoplasma. Sua localização
no micélio pode ser apical ou intercalar. Formam-se em condições ambientais
adversas, como escassez de nutrientes, de água e temperaturas não favoráveis
ao desenvolvimento fúngico. (Figura 4).
Entre
outras estruturas de resistência devem ser mencionados os esclerócios ou
esclerotos, que são corpúsculos duros e parenquimatosos, formados pelo
conjunto de hifas e que permanecem em estado de dormência, até o aparecimento
de condições adequadas para sua germinação. São encontrados em espécies de
fungos das Divisões Ascomycota, Basidiomycota e Deuteromycota.
Os
fungos se reproduzem em ciclos assexuais, sexuais e parassexuais. A reprodução
assexuada abrange quatro modalidades: fragmentação
de artroconídios, fissão de células
somáticas, brotamento ou gemulação do blastoconídios-mãe e produção de
conídios.
Os conídios representam o modo mais comum de reprodução assexuada; são
produzidos pelas transformações do sistema vegetativo do próprio micélio. As
células que dão origem aos conídios são denominadas células conidiogênicas.
Os conídios podem ser hialinos ou pigmentados, geralmente escuros, os feoconídios;
apresentam formas diferentes podendo ser esféricos, fusiformes, cilíndricos,
piriformes etc; ter parede lisa ou rugosa; serem formados de uma só célula ou
terem septos em um ou dois planos; apresentar-se isolados ou agrupados.
As
hifas podem produzir ramificações, algumas em plano perpendicular ao micélio,
originando os conidióforos, a partir dos quais se formarão os conídios.
Normalmente , os conídios se originam no extremo do conidióforo, que pode ser
ramificado ou não. Outras vezes, o que não é muito freqüente, nascem em
qualquer parte do micélio vegetativo, e neste caso são chamados de conídios sésseis.
O conidióforo e a célula conidiogênica podem formar estruturas bem
diferenciadas, peculiares, o aparelho de frutificação, também denominado de
conidiação que permite a identificação de alguns fungos patogênicos. No
aparelho de conidiação tipo aspergilo, os conídios formam cadeias sobre fiálides,
estruturas em forma de garrafa, em torno de uma vesícula que é uma dilatação
na extremidade do conidióforo (Figura 5).
Nos penicílios falta a vesícula na extremidade dos conidióforos que se
ramificam dando a aparência de pincel (Figura 6).
Como no aspergilo, os conídios formam cadeias que se distribuem sobre as fiálides.
Quando um fungo filamentoso forma conídios de tamanhos diferentes, o maior será
designado como macroconídio e o menor microconídio.
Alguns
fungos formam um corpo de frutificação piriforme denominado picnídio, dentro
do qual se desenvolvem os conidióforos, com seus conídios, os picnidioconidios
(Figura 7).
Os
propágulos assexuados internos se originam de esporângios globosos, por um
processo de clivagem de seu citoplasma, e são conhecidos como esporoangiosporos
ou esporos (Figura 8). Pela ruptura do
esporângio, os esporos são liberados. Os esporos sexuados se originam da fusão
de estruturas diferenciadas com caráter de sexualidade. O núcleo haplóide de
uma célula doadora funde-se com o núcleo haplóide de uma célula receptora,
formando um zigoto (Figura 9).
Posteriormente, por divisão meiótica, originam-se quatro ou oito núcleos haplóides,
alguns dos quais se recombinarão, geneticamente.
Os
esporos sexuados internos são chamados ascosporos e se formam no interior de
estruturas em forma de saco, denominadas ascos. Os ascos podem ser simples, ou
se distribuir em lóculos ou cavidades do micélio, dentro de um estroma, o
ascostroma ou ainda éster contidos em corpos de frutificação, os ascocarpos.
Três tipos de ascocarpos são bem conhecidos: cleistotécio, peritécio e apotécio.
O cleistotécio é uma estrutura globosa, fechada, de parede formada por hifas
muito unidas, com um número indeterminado de ascos, contendo cada um oito
ascosporos. O peritécio é uma estrutura geralmente piriforme, dentro da qual
os ascos nascem de uma camada hemenical. O apotécio é um ascocarpo aberto, em
forma de cálice onde se localizam os ascos (Figura 10).
Os
esporos sexuados externos em número de quatro, se situam no ápice de uma célula
fértil claviforme, chamada basídio; os esporos são conhecidos como
basidiosporos (Figura 11).
Formas
sexuadas são esporádicas e contribuem, através da recombinação genética,
para o aperfeiçoamento da espécie. Em geral, estes fungos produzem também
estruturas assexuadas, os conídios que asseguram sue disseminação. Muitos
fungos, nos quais não foi até agora reconhecida a forma sexuada de reprodução,
são incluídos entre os fungos imperfeitos. A fase sexuada dos fungos é
denominada te teleomórfica e a fase assexuada de anamórfica. A maior parte das
leveduras se reproduzem assexuadamente por brotamento ou gemulação e por fissão
binária. No processo de brotamento, a célula-mãe origina um broto, o
blastoconídio que cresce, recebe um núcleo após a divisão do núcleoda célula-mãe.
Na fissão binária, a célula-mãe se divide em duas células de tamanhos
iguais, de forma semelhante a que ocorre com as. bactérias. No seu ciclo
evolutivo, algumas leveauras, como, podem originar esporos sexuados, ascosporos,
depois que duas células experimentam fusão celular e nuclear, seguida de
meiose.
O
fenômeno de parassexualidade consiste na fusão de hifas e formação de um
heterocarion que contém núcleos haplóides. Às vezes, estes núcleos se
fundem e originam núcleos diplóides, heterozigóticos, cujos cromossomos homólogos
sofrem recombinação durante a mitose. Apesar destes recombinantes serem raros,
o ciclo parassexual é importante na evolução de alguns fungos.
Os
fungos são microrganismos heterotróficos e, em sua maioria, aeróbios obrigatórios.
No entanto, certas leveduras fermentadoras, aeróbias facultativas, se
desenvolvem em ambientes com pouco oxigênio ou mesmo na ausência deste
elemento.
Os fungos podem germinar, ainda que lentamente, em atmosfera de reduzida quantidade de oxigênio. O crescimento vegetativo e a reprodução assexuada ocorrem nessas condições, enquanto a reprodução sexuada se efetua apenas em atmosfera rica em oxigênio.
LISTA DE
FIGURAS
Figura 1 - Diferentes tipos de hifas.
Figura 2 - Blastoconídeos e pseudo-hifas encontradas nas leveduras.
Figura 3 - Artroconídios.
Figura 4 - Clamidoconídios.
Figura 5 - Conídios agrupados em
forma de cabeça, ao redor de uma vesícula.
Figura 6 - Conídios de Penicillium spp. agrupados em forma de pincel.
Figura 7 - Corte transversal de um picnídio mostrando conídios.
Figura 8 - Reprodução assexuada interna.
Figura 9 - Reprodução sexuada.
Figura 10 - Diferentes tipos de ascos e ascocarpos.
Figura 11 – Basidiósporos.