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Os Artesãos e suas casacas
São patrimônios
culturais e motivo de orgulho da maioria da população
do Espírito Santo. Buscamos através de este
material esclarecer um pouco da história das bandas
de congo, da casaca, instrumento tradicional dessas bandas,
e também de Mestre Vitalino "casaqueiro"
talentoso na arte de construir e perpetuar esse instrumento
tão característico das bandas de congo.
No índice do Folclore capixaba, a casaca é
um reco-reco de cabeça esculpida, instrumento musical
provavelmente de origem indígena, formado geralmente
de cilindro de madeira, onde em uma das extremidades se
esculpi uma cabeça.
É o mais tradicional instrumento de percussão
das bandas de congo do Espírito Santo, citado em
fontes de pesquisa do século XIX. Chama-se também
"cassaco, canzazo, canzá, ganzá, caracaxá,
reqe-reque, reco-reco". A casaca chamou a atenção
de Biard e D.Pedro II, que chegaram a desenhá-la.
A melhor descrição da casaca é o
historiador e folclorista capixaba Guilherme Santos Neves:
«Um cilindro de pau, de 50 a 70 centímetros
de comprimento, escavado em uma das faces, em que prega
uma lasca de taguara de talhos transversais, sobre os
quais se atrita uma vareta. Na extremidade superior deste
reco-reco, se esculpi n própria madeira, uma cabeça
grotesca, de pescoço comprido, por onde se segura
o instrumento".
Conservando suas características originais, as
novas casacas da Barra do Jucu passam a ser, além
de instrumentos musicais, peças de ornamentação
com valor cultural, pois somente no Espírito Santo
a casaca é encontrada. Na década de 90,
o artesão Vitalino iniciou um processo de inovação,
com técnicas para produção de casacas
de extrema qualidade, utilizando madeira da região.
Atualmente as casacas são instrumentos musicais
típicos do folclore capixaba e estão sendo
aperfeiçoadas na Barra do Jucu, sendo utilizadas
com grande sucesso por bandas de musica pop, no qual os
elementos das bandas de congo são misturados a
rítimos já conhecidos como forró,
reggae, e rock, tornando-se o símbolo de um movimento
musical surgido no Espírto Santo e incentivando
novas gerações na perpetuação
dessa tradição.
Os trabalhos de Mestre Vitalino, apelido adquirido em
função de sua grande habilidade na confecção
deste instrumento, são admirados internacionalmente.
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