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"(...)
Respondeu-lhe
Jesus: Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste
mundo, a minha gente houvera combatido para impedir que eu
caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino ainda não é
daqui." Costumamos
denominar rei as pessoas que se destacam extraordinariamente em
alguma coisa. Assim é que há o rei Roberto Carlos, o rei
Pelé, o rei do gado, e assim por diante. Há também, até
hoje, os nobres por natureza: a rainha da Inglaterra, o rei da
Espanha... Enfim, há milênios foi instalado o reinado na Terra
como representante da Divindade entre os diversos povos. Na época em que Jesus esteve
entre nós era esperado o Messias, que viria como um rei para
dominar todos os demais reis do Mundo, no conceito de quase
todos os judeus. Talvez por isso eles não tenham aceitado
aquele "rei" diferente, nascido numa tosca estrebaria,
filho de modesto carpinteiro. " O quê? Então o Messias, o
Salvador, teria nascido pobre e, ao crescer, pregava a humildade
e o desprendimento dos bens da Terra? Não dava para acreditar,
pois o imaginavam descendo do céu num "carro de
fogo", poderoso, rico e se impondo pela força sobre todas
as nações. Esse conceito de realeza
terrestre Jesus demonstrou com seus exemplos e palavras que não
se lhe aplicavam. Seu reinado era outro, conforme vemos no item
4, cap. II, de O Evangelho segundo o Espiritismo: o reinado
moral. Por ele, o Cristo mantém seu poder além desta vida. Antes da famosa entrevista com
Pilatos, havia dito Jesus: Deixo-vos a paz. Minha paz vos dou.
Não vo-la dou como o Mundo a dá. (João, 14:27). Aquele que
não crê na vida futura ou dela duvida pensa e age somente em
função das paixões materiais, mas não desfruta de uma paz
real. A sua é a "paz" do reino do Mundo, cheia de
inquietações, de tormentos, de incertezas. Mas a paz do
Cristo, que não se aplica aos que duvidam ou descrêem de suas
palavras, é a dos que adquiriram a certeza na vida futura e,
pois, apenas relativa importância dão aos bens terrenos. Aqui, talvez o leitor pergunte:
" Mas se o reino do Cristo não é deste Mundo, por que Ele
afirmou, no Sermão do Monte: Bem-aventurados os mansos, porque
herdarão a Terra. (Mateus, 5:5). É verdade, mas antes Ele diz:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino
dos céus. (Id., 5:3). Por pobres de espírito devemos entender
as pessoas simples, sensíveis, devotadas ao próximo.
Espíritos moralmente superiores. Por mansos, classificamos as
pessoas que se esforçam em viver harmoniosamente, em praticar o
Bem. A Terra futuramente lhes pertencerá, quando o homem
compreender que somente combatendo o egoísmo e a brutal
desigualdade social dos dias atuais poderá conviver
pacificamente com seu semelhante. Poderá, enfim, herdar uma
Terra renovada e mais feliz. As afirmações de Jesus não
são contraditórias. Ele afirma que seu reino "ainda"
não é deste Mundo, entretanto não diz que não pode estar e
nunca estará aqui. Quando aprendermos a ser, como Ele, mansos e
humildes de coração, viveremos felizes no seu reino de amor,
tanto na Terra como nos Planos elevados do Mundo Espiritual. Para vivermos no reinado do
Cristo, precisamos, desde logo, praticar a abnegação, o
desinteresse, o amor ao próximo, a humildade. Quando
ingressarmos no Além, não nos será perguntado quem fomos, que
posição social ocupamos, quanto possuíamos em bens terrenos,
mas o que fizemos, quantas lágrimas secamos, quanto progredimos
moralmente. Só então ingressaremos na "Humanidade
Real", conforme afirma o Espírito Emmanuel, pela
psicografia de Francisco Cândido Xavier, na obra Fonte Viva,
cap. 127, Ed. FEB. O reino do Cristo, portanto,
ainda não é deste Mundo, ou seja, não se assemelha às
glórias efêmeras dos conquistadores terrestres, nem às suas
riquezas materiais, mas pertence aos que comungam dos seus
preceitos morais e se esforçam por seguir seus exemplos
luminosos. No soneto abaixo, que nos foi
inspirado, encontramos algumas normas para nos candidatar a um
dia ingressarmos no reino do Cristo. Para tal, não se pede
muito de nós. Basta querermos, o merecimento virá com nossas
obras. Com
Cristo
Com
todo o resplendor de sua glória Precisa
refletir bastante nisto: A
vida neste mundo é transitória.
Ao
longo de tão árdua trajetória Porque
quem assumir tal compromisso Terá
de merecer sua vitória.
Dos
que não lhe compreendem o ideal Certo
de que Jesus é a verdade.
Triunfará
da senda atroz do mal Para
viver com Cristo nova vida. Nada melhor para concluirmos
nossas considerações sobre o reino de Jesus do que as palavras
de Emmanuel (op. cit. cap. 127.). Em mensagem, ele mostra-nos
vivamente a realeza espiritual do Cristo quando afirma: "Apresentando o Cristo à
multidão, Pilatos não designava um triunfador terrestre...
(...) Traído, não se rebelara. Preso, exercera a paciência.
Humilhado, não se entregou a revides. Esquecido, não se
confiou à revolta. Escarnecido, desculpara. Açoitado, olvidou
a ofensa. Injustiçado, não se defendeu. Sentenciado ao
martírio, soube perdoar. Crucificado, voltaria à convivência
dos mesmos discípulos e beneficiários que o haviam abandonado,
para soerguer-lhes a esperança. (...)". Deu-nos Jesus-Cristo o mais
elevado exemplo de dignidade humana. Conclui Emmanuel, nessa
bela página, "(...) que somente nas linhas morais do
Cristo é que atingiremos a Humanidade Real." Aí está o roteiro, nele
encontramos o reinado da moral elevada acima de todas as
iniqüidades que ainda regem grande parte das ações humanas. Quando nos cansarmos das
"glórias" mundanas e, arrependidos dos nossos
equívocos, buscarmos esforçar-nos para dominar nossas más
inclinações e nos transformarmos
moralmente, conforme nos aconselha Allan Kardec (O Evangelho
segundo o Espiritismo, FEB, cap. XVII), estaremos na posse do
reino do Cristo aqui ou alhures. |
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MENSAGENS
FRATERNAS |