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"Tomai
sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e
humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." Início
dos anos cinqüenta do século passado. Mediana cidade do
Triângulo Mineiro. Ruas de ladeiras variadas, calçadas de
paralelepípedos. Uma carroça transporta pesadas vigotas, rua
acima. Sobre a carga, já de si enorme, ia o condutor a fustigar
o cavalo, que fraquejava no aclive acentuado e escorregadio. Após ingentes esforços, o
pobre animal pára, a bufar, incapaz de prosseguir a marcha,
embora os gritos e reiterados açoites do carroceiro, jovem
ignorante e impiedoso. Furioso, desceu da carroça,
redobrando xingamentos e chicotadas vigorosas! Também ele uma
alimária, embora de outra espécie (racional?), mas, na
verdade, cruel, inclemente! Por sorte, passava por ali
outro jovem. Só que este, sensato. E " inspirado em
Francisco de Assis, pleno de compaixão ", usou de
misericórdia para com ambos, cavalo e condutor. Com humildade, propôs ao
carroceiro: __ Posso ajudá-lo? Empurro a
carroça e você puxa o cavalo. __ Esse desgraçado ‘tá’
com moleza! Não levanta porque é manhoso! __ Ele está cansado. Vamos
ajudá-lo, que ele dá conta de subir. __ ‘Tá’ certo. Pode
empurrar. Mas o cavalo não aceitou nem a
presença do condutor, recusando-se a segui-lo, seja pelo
cansaço, seja por antipatia. __ Espera um pouco, uns cinco
minutos. Está muito cansado. E vamos inverter as posições:
você empurra a carroça e eu guio o cavalo. Proposta aceita a contragosto,
nosso personagem pôs-se a conversar com o animal, ainda muito
assustado. Com serenidade e palavras amorosas ganhou-lhe a
confiança, acariciando-lhe a crina, enquanto, aos poucos,
descansava. Disse-lhe, em tom de voz amigável: __ São Francisco vai te
ajudar, meu amigo! Impaciente, o outro propunha
retomar a caminhada. Nosso amigo, sob o amparo de Francisco de
Assis, e a força moral que a humildade e a paciência lhe
favoreciam, respondeu-lhe: __ Espera mais um pouco, um
minutinho só! Ele subirá com a carga. Passado tempo razoável, o
companheiro convidou o cavalo a se levantar, dizendo-lhe com
carinho: __ Nós vamos ajudá-lo. Vem
comigo! O bichinho atendeu ao chamado,
trôpego a princípio, mas, firmando-se, venceu a íngreme
ladeira até a esquina próxima, onde a rua transversal
amenizava a subida, em busca do destino visado. Neste ponto, nosso amigo
despediu-se de ambos, com palavras amistosas para um e de bons
conselhos para o outro, para que experimentasse a paciência
sempre com seu companheiro de trabalho, que o ajudava a ganhar o
pão de cada dia. O fato singelo, mas real,
leva-nos a refletir sobre o convite de Jesus com a promessa do
jugo leve! Perdemos todos os esforços se
desanimamos, quando o fim da prova poderia estar à vista (quem
sabe, na próxima esquina?). Ao seguir, encorajados pelo
auxílio invisível, que não falta, vencemos os aclives do
caminho que nos cabe percorrer, ainda que a passos trôpegos! Quando nos surgem sofrimentos,
ao invés de nos desesperarmos, indaguemos ao Mestre, quais
lições devemos aprender com a Dor, essa Sublime Mensageira! Amigos espirituais, em nome
dEle, acorrem aos nossos apelos, quando aprendemos a buscá-lO
nas asas da prece, revestida de humildade e confiança! Santo Agostinho " Cap.
XXVII, item 23 de O Evangelho segundo o Espiritismo "
afirma-nos: "(...) A prece é o
orvalho divino que aplaca o calor excessivo das paixões. Filha
primogênita da fé, ela nos encaminha para a senda que conduz a
Deus. No recolhimento e na solidão, estais com Deus."
Os bons Espíritos, quais
samaritanos, não eliminam nossas provas, mas encorajam-nos,
inspiram-nos, quando a eles recorremos. Ainda que distantes da fé
ardente, se cultivamos a prece sincera, buscando compreender as
mensagens que as dores nos trazem, ela cresce, a pouco e pouco,
em nosso íntimo, pelas respostas que nos oferece. Se recorremos à oração
sinceramente, cumprindo nossos pequeninos deveres, e buscamos
vivenciar as lições do Evangelho, as respostas sempre nos
vêm. E assim nosso jugo vai-se
tornando leve, suportável. Indispensável, para isso, aviar as
receitas de amor do Divino Mestre, buscando, por nossa vez,
suavizar provas de outros irmãos de caminhada! Com paciência e resignação
ativas, reduzimos nossas dores, sem aflição e desespero
dispensáveis, que as reações desequilibradas favorecem. A dor fustiga, inclemente, mas
o "orvalho divino" nos conduz ao jugo leve, prometido
por Jesus. |
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MENSAGENS
FRATERNAS |