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Na hora da caridade

Bezerra de Menezes
do livro O Servo Fiel, psicografado pela médium Shyrlene Soares Campos, editado pelo Núcleo Servos Maria de Nazaré

         Quando se escancara a janela de nossas almas e nós 
nos debruçamos sobre ela, é que percebemos tudo aquilo que fazemos, e o remorso vem como sombra avassaladora a nos castigar os dias e as horas. O remorso, realmente, é um grande burilador de almas.

       Se vocês soubessem, meus filhos, quanto é importante a vida e quanto de desespero existe naqueles que anseiam por superar suas provas ou que lamentam não terem superado as suas provas e se arremessaram no báratro de sofrimentos maiores !

       Quando essa janela da alma se abre, quanta tristeza ... principalmente quando começam, nas colônias, a observar as legiões de espíritos que venceram e que conversam felizes, e que são diáfanos, leves, sorridentes e tranqüilos, porque cumpriram o seu dever, porque sorveram até o último gole da taça de sofrimentos e se regozijam, enquanto aqueles que fracassaram não se dão o direito de se sentirem Luz.

       É muito importante, meus filhos, agradecermos, cada dia, a bênção da vida. Se ela é áspera e difícil, é a vida que nós recebemos. Se ela nos traz amargo pranto, devemos nos lembrar dos instantes em que também fomos felizes e sorrimos e nos reabastecermos de força nas boas lembranças, e não mergulhamos constantemente no fel das amargas lembranças.

       Jesus falou para os seus algozes, olhando a humanidade que devia se debruçar na janela da própria alma e mergulhar no remorso:

       __ Pai, perdoai porque não sabem o que fazem.

       Quando somos feridos é fácil falar. Mas, quando, meus filhos, nós somos juízes de nós mesmos ? Jesus era o réu sem culpa, era o Cordeiro divino sendo imolado, mas nós jamais poderemos colocar em nossos lábios as palavras do Pai.

       __ Senhor, perdoai, porque não sabem o que fazem.

       Porque nós sabemos muito bem o quanto e quando ferimos. Sabemos muito bem os nossos deveres e as nossas responsabilidades. Nós não podemos nos libertar do peso de nossas culpas, Jesus, sim, pode pedir por nós. Mas nós temos que trabalhar por nós, trabalhar incessantemente em nós, lutando para sermos menos cruéis, para sermos realmente mais gratos, para não supervalorizarmos as migalhas que oferecemos de auxílio e de amor e também não subestimarmos as toneladas de auxílio e de amor que recebemos.

       Todos nós estamos presos à nossa cruz mas não fomos colocados como Jesus foi, por outras mãos. Fomos colocados em nossas cruzes por nós mesmos. Então, nós temos que ser nossos próprios salvadores, e o exemplo de Jesus é a nossa força, porque foi para nós que Ele pediu perdão. Foi para todos nós que Ele estendeu a misericórdia da Boa Nova, foi para todos nós que Ele fez Luz no roteiro.

       Por isso, meus filhos, olhando o Cordeiro Divino, saibamos amansar nossas almas, que ainda são lobos ferozes. Saibamos usar da mansuetude mas também da energia, porque pedimos mansidão para nós e energia para os outros, quando, na verdade, precisamos de energia para nós e mansuetude para os outros. Saibamos realmente analisar no profundo de nossas almas: o que fazemos, o que Jesus espera de nós, o que devemos esperar de nós e lutarmos para realizar o melhor em nós. Por nós.

música: "Ever lasting love"

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