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"Frei
Egídio levantou a mão com suavidade e falou pausadamente:
__ Pai Francisco !... Em que posição devemos ficar,
quando a nossa família não compreende a nossa missão fora do
lar ?
Francisco, naquela serenidade de sempre, concatenando
idéias e buscando no coração as frases mais simples
possíveis, respondeu com brandura:
__ Frei Egídio, temos para com a família um dever
maior. Sendo ela o próximo mais próximo, juntos a ela podemos
escutar e sermos ouvidos. A família nos deu a possibilidade de
ficarmos visíveis no mundo, no qual devemos fazer e cumprir,
acima de tudo, a vontade de Deus. Aqueles que ainda têm a
responsabilidade de família poderão encontrar, no seio dela,
um vasto campo de trabalho e realizações. A pregação do
Evangelho dentro de casa quase não carece dos recursos da
palavra, pois nela funciona, com mais proveito, o exemplo.
O que dirige um lar recebe ajuda dos que convivem com
ele, quando estes lhe apontam as falhas que não teve
oportunidade de corrigir.
Se já granjeou a humildade, o lar será para ele a
melhor escola, onde o aprendizado seja talvez mais profundo, do
que para aqueles que visita todos os países do mundo,
executando o verbo na função do Bem.
Ninguém perde por ficar preso, como dizes, em um lar; ao
contrário, ganha muito, se souber viver com os que o cercam, e
compreende-los. Lembra-te de que o nosso Mestre nasceu em um
lar, e que quando chegou o momento, rompeu os vínculos que o
retinham e formou outros lares, por não se prender, pois a Sua
missão era a de ser Mestre de todas ovelhas. O Seu lar é a
humanidade e todos somos, em Deus, nosso Pai, Seus irmãos
menores.
Existem, meu filho, os que constroem lares com deveres e
compromissos assumidos, bem como os que não vieram para isso,
fazendo seus, todos os lares, estendendo o seu amor por toda a
Terra. Cada um de nós tem uma missão diferente da outra e
quando entende o seu dever, o resto Deus acrescentará.
Quanto ao nosso caso, particularmente, não existe mais
vínculo, no tocante às coisas materiais. Fui separado da
família por vontade de meu pai, pelo excesso de domínio que
ele quis exercer sobre mim, já na maior idade. Quanto ao que
devo ajuda-los, eles não precisam de mim, no que concerne às
coisas materiais e, em espírito, onde eu estiver, posso
ajuda-los, se for o caso. Acima de tudo na Terra, tenho
compromissos com a minha consciência e com Nosso Senhor Jesus
Cristo. Sou livre, graças a Deus, no que se refere à
família." |