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Um breve depoimento "Todos os dias, depois das aulas no colégio, nós nos encontrávamos para um bate-papo. Jovens e adolescentes, quatorze ou quinze anos, o riso era sem dúvida, indispensável. Quase todos fumavam cigarros e, embora não compreendesse o prazer daquelas baforadas, imaginava como poderia ser. Mas eu resisti e acabei não me interessando. Alguns anos se passaram e já contava agora com a maioridade. Os amigos adolescentes há muito não os via. Aos dezenove anos, final de ano letivo, era noite, resolvi passar em um bar e comprar um maço de cigarros. Como um veterano, abri o maço e cheguei fumando na escola. A maioria dos amigos estranharam mas, principalmente as meninas, que de imediato perguntaram: _Você fuma ? Eu não sabia !? E de fato não sabiam mesmo. Nem mesmo eu sabia explicar o motivo de ter comprado aqueles cigarros. Não tinha nenhum problema emocional, familiar, profissional, amoroso, nada ! Eu e o desejo súbito e inexplicável de fumar. A princípio não parecia que aquilo fosse me incomodar. Dois anos depois, conheci de fato o Espiritismo. Lia O Livro dos Espíritos, fumando ! Espere um pouco; isso não está certo ! Nenhum espírita me disse: _Pare de fumar. Entretanto, a medida que lia as obras de Kardec algo começava me incomodar. Não posso mais fazer isso !. Não está certo !. Então eu parei de fumar, subitamente. Num período de oito anos fiquei sem fumar. Sentia-me muito bem. Mas, depois de oito anos, afastei-me do Espiritismo. Foi quando voltei a fumar novamente. Foram seis anos fumando. Um período totalmente diferente do primeiro. Para mim, constrangedor. Sentia-me envergonhado perante as outras pessoas. Pensava: "não posso ser tão covarde !" Tossia, observando se não estava incomodando as pessoas. Doía-me o peito. Não sentia cheiros e, a comida precisava sempre estar salgada. O cigarro estava me consumindo. Moralmente, estava abalado. Meu filho olhava-me com olhos de piedade. Relutei, durante seis anos contra a própria consciência. Porém, num ato de misericórdia divina, reconheci o apelo do anjo guardião e abandonei o vício de fumar. Em prece, pedi ajuda ao mentor e a toda espiritualidade amiga que me ajudassem na resistência. Passei a refletir intensamente, a todo momento, sobre o que havia acontecido. Como um juiz que falasse, antes de tudo, palavras carregadas de amor e justiça, eu ouvia: "Foi você mesmo que se afastou da luz." Emocionado e extremamente feliz, eu retornei ao estudo e convívio do Espiritismo, sem o vício do cigarro." Entendendo o processo do vício O fumo parece inofensivo a princípio, mas acarreta sempre males ao corpo, as vezes irreparáveis. As cargas tóxicas ingeridas pelo ato de fumar acabam atingindo também o nosso perispírito, gerando deformações no corpo espiritual, acarretando irremediavelmente, conseqüências a futuras encarnações. Dessa forma, é muito importante reconhecer a necessidade do abandono do vício o quanto antes possível. Estudos indicam que o organismo humano leva, após o fim do vício, um tempo equivalente ao que a pessoa esteve fumando para desintoxicar-se, completamente. Nós poderemos iniciar o vício por vários motivos, com ou sem dramas emocionais. Porém, depois de adquirido, muitos são os riscos e problemas que se desencadeiam. Observemos alguns: Sistema Respiratório Bronquite,
Enfisema, Câncer pulmonar, Angina do peito, Laringite, Tosse,
Tuberculose, Traqueíte, Rouquidão. Sistema Digestivo Diminuição
do apetite e dificuldade de digestão; úlcera gastroduodenal;
quilite (inflamação dos lábios), sialorréia (salivação
abundante); hepatite; aumento do ácido úrico, provocando a
chamada Gota. Sistema Circulatório Arteriosclerose;
varizes; flebite, isquemia; úlceras varicosas; palpitação;
mal de Buerger (trombose); aceleração de doenças coronárias
e cardiovasculares. Sistema Nervoso Uremia;
Mal de Parkinson; vertigens; náuseas; dores de cabeça;
nervosismo; opressão. Assim como o alcoolismo, a falta do fumo
para o viciado gera ansiedade, angústia etc. Desencadeia
crises, convulsões e espasmos. É a dependência mental,
psíquica e física. A informação do Ministério da Saúde é de que existem, na composição dos fumos, mais de 4.700 substâncias tóxicas. A principal substância é a nicotina. É ela que causa a dependência química na pessoa. Entendemos que, se a nicotina cria a dependência química, a psicológica tende a aumentar também, uma vez que, quem fuma estabelece uma permuta de energias deletérias com os espíritos infelizes já desencarnados que necessitam destas forças. Sem perceber, a dependência se instala de maneira decisiva em nosso físico e espírito. A tendência é encarar o vício como algo normal, ainda que nos seja consumidos altos valores monetários ao mês e ainda não perceber as necessidades dignas de pessoas queridas. Principalmente no lar, os familiares, mesmos os que não fumam, acabam absorvendo as energias negativas que vagueiam por todos os ambientes. O fumante que se fecha para reflexões tende a sofrer ainda mais porque, não admitindo a idéia de que lesa seu próprio organismo, aumenta a ansiedade e passa a fumar muito mais. Vale entender também que, muito embora não pareça, o vício de fumar pode gerar outros desvios morais, porque a presença daqueles que se comprazem com vício são constantes e obsessivas e, quase sempre incitam a outros pensamentos e atitudes menos dignas. A libertação dependerá sempre de uma conscientização firme e decidida por parte do fumante. O processo de libertação do vício é o inverso de quando se inicia. Por princípio, a atitude de fumar é ingênua no começo; a nicotina, o alcatrão e as demais substâncias acabam criando a dependência química e depois, com o tempo, a dependência psicológica, emocional. Perceber os prejuízos físicos e se dispor a tomar o comando mental de si mesmo. Este é o primeiro passo. É preciso decidir firmemente: "Parei de fumar". Ainda que pareça difícil e desafiador, o ato de parar de fumar de uma vez, é muito mais eficiente que os métodos gradativos que se usam para diminuir a dependência. Todas as vezes que intentamos realizar algo que irá nos enobrecer, a ajuda espiritual é acionada. Devemos com isso, aliar esforços próprios aos dos benfeitores que vibram, incansavelmente para nosso bem estar. A natureza ajuda bastante no re-equilíbrio. Sentir a beleza da luz solar, contemplar as plantas, as águas, as estrelas na noite. Observar a pureza do sorriso das crianças. Ver em tudo, a sabedoria de Deus pulsando de maneira a nos elevar. A simplicidade vivida e ensinada por Jesus, quando recordada, faz vibrar em nós o ser eterno que é capaz aprender e viver atitudes positivas que nos projetam a existências cada vez mais felizes. Se percebermos, hoje mesmo muitos amigos nos estendem as mãos caridosas, na esperança de que iremos aceita-las. |
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