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Lei do progresso

Washington Borges de Souza
Fonte: Revista Reformador, FEB, Deus, Cristo e Caridade - Ano 122  nº 2.103  Junho de 2004

                Os  últimos dois séculos transcorridos constituem, inegavelmente, período áureo da história humana, pelas conquistas e resultados conseguidos no exercício das atividades intelectuais, científicas e tecnológicas.

O adiantamento material e espiritual foi relevante, permitindo ao homem dar largas passadas, ultrapassar os limites da Terra e conseguir, por outro lado, conceber a vida em novas dimensões.

Tais constatações não significam, evidentemente, que os habitantes terrenos tenham superado a ignorância e as imperfeições disseminadas por diversos recantos do Planeta. Contudo, ao considerarmos, por exemplo, a abolição da escravidão, em todas as nações, é forçoso concluir que esse fato, mesmo isoladamente, constitui importante vitória contra a ignóbil prática de subjugar o semelhante, nosso irmão, o próximo.

Do ato da condenação do Cristo de Deus ao culto que hoje lhe é prestado, em muitos locais e por vários segmentos religiosos, nota-se grande alteração do  comportamento humano. O Sinédrio, com relação a Jesus, não exerceu sua atribuição de julgar, como era normalmente de sua alçada. Naquele episódio já havia a condenação antecipada do Cristo. Houve, apenas, a montagem de uma impostura, uma simulação de julgamento para enganar e satisfazer o ódio de uma malta ignorante. O mundo de então estava mergulhado em densas trevas, que somente o curso do tempo e os emissários divinos têm o encargo de dissipar. Naquelas circunstâncias e perante aquela súcia, o sacrifício infame de Jesus teve caráter de um fato comum, sem relevância. Aquele bando de algozes, de completa carência intelectual e moral, não podia imaginar que sua ação estava relacionada com os destinos do Planeta. Toda aquela encenação constituía o mais infamante labéu da humanidade terrena.

Hoje, decorridos dois milênios das lamentáveis cenas do Calvário, ainda é  imperativo absoluto desalojar do coração humano o orgulho e o egoísmo para que o homem possa defender-se da influência perniciosa do materialismo e praticar as leis da fraternidade e amor ao próximo, conduta indispensável para sentir-se feliz e encontrar o rumo da perfeição a que se destina.

Pode ser compreensível que a pessoa que tenha os olhos permanentemente voltados para o chão, em busca de bens perecíveis, não creia em Deus. O que é difícil de entender e aceitar é como pode o ser humano olhar para o céu, mirar as estrelas que cintilam, ter permanente contacto com as leis naturais que regem o Universo e não perceber a presença do Criador misericordioso e amoroso que está em toda a parte.

O advento do Espiritismo, na segunda metade do século XIX, abriu imensas  oportunidades de ampliação dos conhecimentos nos domínios da Psicologia e de outras atividades científicas. Aprofundaram-se conhecimentos atinentes à vida e à matéria inerte. Surgiram novos horizontes para a Humanidade. Após milênios, o Espiritismo dá ensejo à aproximação da Ciência e da Religião.

O progresso constante das criaturase dos mundos onde habitam faz parte dos decretos da Divina Providência. É, portanto, imposição inabalável. A Doutrina Espírita esclarece que ocorre primeiramente o adiantamento intelectual, daí resultando o progresso moral, sempre dificultado pelo orgulho e pelo egoísmo que o entravam mas não o impedem de realizar-se.

O princípio da reencarnação ou das vidas sucessivas do Espírito é a prescrição natural destinada a assegurar-lhe o aperfeiçoamento, sendo que a educação, em sentido amplo, é o meio eficiente para que a alma atinja a sua destinação. O progresso moral das criaturas é, inegavelmente, a grande necessidade atual da humanidade terrena.

O Consolador prometido e enviado por Jesus nos exorta a combater permanentemente nossos erros e defeitos, grandes ou pequenos, para podermos evoluir. Estimula, também, continuamente, a prática do bem, da justiça, do amor a Deus e ao próximo, da caridade, e a buscar o conhecimento da verdade, como meios e modos infalíveis de avançar, de conformidade com a soberana e indefectível Lei do Progresso.

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