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Nota:
O conteúdo das respostas é de inteira responsabilidade do
autor, cabendo ao CVDEE, ora ao Mensagens Fraternas, o papel de
divulgação e incentivo ao estudo da Doutrina Espírita.
Questão
[001]
Como a Doutrina Espírita avalia a participação de um
jovem que desde tenra idade estuda com afinco esta mesma
Doutrina, que segundo KARDEC é uma Doutrina Evolucionista, e
este jovem resolve entrar para a política de seu País? Qual é
o papel desse jovem, em relação a sua posição futura na
Sociedade? Ele poderá conviver de ambos os lados servindo a
Deus e a Mamon?
Resposta:
É preciso entender bem as duas posições colocadas em extremos
diferentes. Política e Espiritismo não devem ser considerados
necessariamente condições próprias de mundos opostos, como
Espiritismo ligado a Deus e Política vinculada a Mamon. O jovem
espírita que desejar seguir uma carreira política pode levar
para seu ambiente de atividades todos os princípios estudados
na Doutrina, assim como qualquer espírita deve fazê-lo em seu
meio profissional. Se vai ser possível ou não uma convivência
entre dois mundos diferentes, tudo vai depender da fidelidade
desse jovem aos valores ético-morais assimilados livremente em
suas reflexões espíritas.
Questão
[002]
Os jovens cujos pais não aceitam a participação de
reuniões espíritas devem continuar indo sem a permissão ou
consentimento dos pais? Como proceder?
Resposta:
Tudo depende do diálogo. O jovem espírita que encontra
resistência no lar para prosseguir em suas atividades
doutrinárias deve buscar de todas as formas abrir caminhos para
facilitar a compreensão familiar a respeito do que seja
efetivamente a Doutrina. Ademais, nesses dias de absoluta
liberdade sob qualquer aspecto, proibições de caráter
religioso são absurdas e devem ser refletidas em conjunto, para
que as perspectivas de liberdade de consciência preconizadas
pelo Espiritismo sejam vitalizadas por jovens firmes e
conscientes de seus direitos.
Questão
[003]
Sabemos que o jovem sempre tem resistência para fazer
algumas coisas. Uma delas é dirigir-se ao centro, participar
das atividades evangélico-doutrinárias. Sou mãe de uma jovem
de quinze anos, que apesar de fazer parte do Coral Espírita do
centro que freqüentamos não participa das outras atividades. O
que fazer para estimulá-la a nos acompanhar, já que ela tem o
exemplo meu e de meu marido?
Resposta:
Saiba que seu exemplo e de seu marido são os maiores
patrimônios que poderiam deixar aos filhos. Esse é o passo
fundamental. Os outros são um permanente diálogo, no sentido
de lembrá-lo(a) de seus deveres enquanto ser imortal,
incentivá-la sempre a buscar na Casa Espírita as companhias e
os ambientes propiciadores de equilíbrio e renovação pessoal.
Por fim, é necessário também refletir sempre, junto aos
companheiros da Mocidade, se as reuniões de jovens estão
atraentes o bastante para que haja interesse na permanência
deles no Centro. Em um mundo onde tudo atrai pela beleza e pelo
prazer, se a reunião da juventude não tiver atrativos que
prendam a atenção e o interesse dela, a tarefa de formar um
ser mais amadurecido no futuro que se aproxima fica realmente
mais difícil.
Questão
[004]
Sou jovem e gostaria de saber como a Doutrina Espírita
trata o assunto "sexo". Como um jovem espírita deve
se comportar perante as inúmeras facilidades quanto ao sexo,
que há hoje em dia? Ao sair à noite ele poderá manter
relações sexuais sem responsabilidade sentimental alguma sem
que isso o prejudique? Como o espiritismo vê o jovem que se
relaciona sexualmente sem compromisso com várias mulheres, que
também não estão preocupadas em relacionamentos sérios?
Resposta:
O Espiritismo considera o sexo como uma das formas mais
profundas de contribuir com a natureza e a humanidade na
formação de sentimentos superiores e de vibrações sublimes.
Como é força construtiva, a energia sexual mobiliza
intensamente o jovem, quando ele sente aflorar o desejo de viver
o prazer que ela propicia. Em um mundo sem regras, fica fácil
viver essa descoberta sem os devidos cuidados com o sentimento
alheio. Fazer sexo com qualquer pessoa, sem o senso de
compromisso que essa vinculação deveria despertar, deixa a
impressão de que tudo é muito fácil e permitido. As próprias
garotas, por também estarem inseridas em um contexto
extremamente erotizado, acabam envolvidas por pressões do meio
e começam a praticar o sexo sem a devida maturidade e noção
do que seja o uso das forças genésicas. Aí entra o aspecto
revolucionário do Espiritismo. Na visão profundamente
libertadora da Doutrina, o sexo pode ser educado dentro das mais
nobres concepções de responsabilidade. São elas que vão
definir, com clareza e tranqüilidade, o tempo certo de se
começar, a pessoa certa com quem dividir essa intimidade, e os
meios adequados para se atingir essa condição. Que o jovem
espírita não tenha pressa; que ele não sucumba com facilidade
às pressões nem sempre éticas da sociedade consumista, que
deseduca ao ensinar o ser humano a amar as coisas e usar as
pessoas, quando o correto é o contrário; que ele siga
estudando sempre, ininterruptamente, os livros fundamentais da
Doutrina, bem como conversando bastante com pessoas mais vividas
e equilibradas, para ouvir quem já enfrentou batalhas nesse
campo.
Questão
[005]
Como fazer para integrar os jovens, adolescentes e
pré-adolescentes, nas atividades do Centro Espírita ?
Resposta:
Jovem integrado é jovem que participa adequadamente do espaço
que lhe é legitimamente oferecido para trabalhar. É preciso
ampliar o horizonte das atividades da Mocidade dentro da Casa
Espírita, para que ele veja que o trabalho de hoje é a
sementeira das responsabilidades seguintes, que lhe chegarão à
medida que o tempo for passando e ele for amadurecendo
convicções e conhecimentos.
Questão
[006]
Gostaria de saber mais sobre mediunidade na adolescência.
Como lidar com esse assunto?
Resposta:
Guto: Mediunidade deve sempre ser tratada com conhecimento
teórico e educação do sentimento. Por conhecimento teórico
compreendo o estudo sistematizado da Doutrina Espírita,
sobretudo dos livros que tratam diretamente do assunto, como
"O Livro dos Médiuns", apenas para citar um. Por
educação do sentimento, entendo o domínio das
características que definem a criatura. Ela é amorosa,
orgulhosa, arrogante, sensível, dedicada, disciplinada?
Educar-se significa descobrir quais são essas qualidades
pessoais e tratar de eliminar as não muito boas com o reforço
das boas. Todo médium, seja jovem ou não, deveria
comprometer-se com uma atividade de caráter assistencial.
Visite em grupo um asilo, ou um orfanato, ou um hospital; forme
uma equipe de passes para atender quem não possa ir a um Centro
Espírita; integre grupos de apoio à evangelização da
infância. Dedique-se a causas nobres, mantendo seu coração
sempre desperto para as vibrações de amor. Só assim, a
espiritualidade poderá servir-se de sua mediunidade com o
equilíbrio e o amor indispensáveis ao bom exercício de tão
valiosa tarefa.
Questão
[007]
Como você vê a "avalanche" de atividades
artísticas no movimento juvenil espírita?
Resposta:
Atividades artísticas são características da juventude. Elas
são sempre bem vindas, desde que preservem o equilíbrio e bom
senso preconizados pela Doutrina. Seja no teatro, na música, na
dança, na poesia, a arte pode e deve ser incentivada, para que
o sentimento de "avalanche", ou a sensação de que
está acontecendo muita coisa sob esse rótulo dentro da casa
espírita sem o devido cuidado, seja substituído pela da
prudência e da serenidade. Muito cuidado: esses valores devem
ser vividos pelos mais amadurecidos, sem que de certa forma
apaguem o ímpeto criativo da juventude. Dar espaços com
sabedoria é tão importante quanto saber cortar os excessos.
Questão
[008]
Kardec utilizou-se basicamente de médiuns que
encontravam-se ainda na fase da adolescência. Por que as
instituições Espíritas na atualidade têm resistência em
admitir a participação de jovens nos trabalhos mediúnicos?
Resposta:
Talvez a resistência seja em função da pouca experiência de
vida dos mais jovens. Além disso, é preciso considerar que a
tarefa de Kardec era missionária, assim como a presença
daqueles jovens profundamente amadurecidos ao seu redor, apesar
da pouquíssima idade. Na condição atual, os mais novos que se
interessarem pela prática da mediunidade deveriam ser
acompanhados pelos mais experientes com todo o carinho e
respeito que merecem, para que se integrem paulatinamente nas
atividades mediúnicas da casa, sem prejuízo de suas lutas
particulares, como definições profissionais, formação de
família e desafios de cunho íntimo de toda espécie.
Questão
[009]
Existe alguma forma de tomar decisões, como por exemplo,
escolher a carreira a seguir, sem que sejamos prejudicados pela
despreocupação natural ou modismos típicos da juventude? Como
não desviar dos "planos" com que nos comprometemos na
espiritualidade (ou a nossa missão)?
Resposta:
A melhor forma de não "desviar" do plano traçado na
espiritualidade é a prece. Toda vez que nos recolhermos para
esse exercício de despertamento íntimo, devemos pedir aos
amigos que nos orientam que nos ajudem na relembrança paulatina
dos compromissos assumidos antes do nascimento. Seguindo assim,
vamos ter a intuição necessária para chegar às metas
traçadas previamente, ainda que enfrentando os tropeços e
inseguranças propiciados por um mundo difícil e cheio de
alternativas como é o em que vivemos.
Questão
[010]
Como educar nossos filhos dentro da Doutrina Espírita sem
no entanto torná-los "carolas"?
Resposta:
Tudo vai depender da forma com que os pais compreendam a
Doutrina. Quanto mais ela for entendida como um elemento
moderno, dinâmico e vivo em nossa vida, menos carola ela será,
e menos carola também vai ser nossa convivência com nossos
filhos. A Doutrina não cabe em argumentações de caráter
dogmático e moralista, elementos muito comuns em determinados
diálogos entre pais e filhos. Espiritismo deve ser conversado
sem meias palavras. Assim como deve ser sentido, pode ser
dialogado abertamente, com a clareza que nos ajuda a aceitá-lo
como chave libertadora de uma vida limitada, rumo a novas
possibilidades de crescimento. Se os pais não entenderem a
Doutrina de uma forma autêntica, vão ficar reproduzindo
clichês pretensamente educativos para os filhos e afastando-os
sem perceber do interesse pelos postulados sublimes da Doutrina.
Questão
[011]
Nos tempos atuais, o número de jovens que se aproximam da
Doutrina Espírita, freqüentando Centros e buscando o
conhecimento, através dos cursos neles ministrados, cresceu
bastante em relação há vinte, trinta anos atrás. Qual seria
a explicação, levando em conta a chegada do terceiro milênio
e o afastamento do planeta como um 'mundo de expiação e
provas', e aproximação para o de 'regeneração'?
Resposta:
A juventude que chega vem trazendo compromissos de ordem
espiritual registrados na consciência. Essa é a prova de que o
mundo, apesar das atrocidades vividas em diversas regiões,
registra a chegada de legiões elevadas de espíritos
comprometidos com a transformação profunda do planeta. São os
futuros cientistas preocupados com o equilíbrio ecológico;
são os músicos, chegando com novas noções de harmonia e
estruturação musical, que se implantadas vão provocar
sensíveis mudanças na concepção que o próprio homem tem de
si mesmo. Enfim, em todas as áreas, jovens e crianças chegam,
com a mensagem silenciosa de Jesus, de que Ele e o Pai estão
atentos aos destinos da Terra como casa dos regenerados, dos que
estamos nos esforços para a superação das mazelas íntimas.
Questão
[012]
Sendo o jovem ainda muito entusiasta, condição que lhe
permite energia de pesquisa, mas não lhe confere maturidade, o
que você pensa sobre ele orientado enquanto estudioso da
doutrina?
Resposta:
Todo jovem deve ser orientado quanto aos estudos doutrinários.
Ninguém se encontra no direito de achar que está pronto, no
campo do saber. Quanto ao entusiasmo, eis uma qualidade que
todos deveriam ter. O ser entusiasmado é aquele que carrega
"um deus por dentro de si". Nessa condição, ele
muito pode fazer, e se estiver bem orientado, maior será o
alcance de seus empenhos.
Questão
[013]
Qual o seu conceito atual sobre a juventude brasileira e
mundial e qual a importância da juventude na dinâmica de
transformações morais no Brasil e no mundo?
Resposta:
A juventude tem grande contribuição a dar para qualquer
sociedade. Treinando agora as bases da originalidade,
criatividade e autonomia, o jovem de hoje terá amplas
condições de ser o homem amadurecido do futuro que em tempo
correto, aprendeu a temperar o ânimo e encontrar a medida certa
das coisas. O Espiritismo é justamente um dos trunfos que ele
pode ter para bem se conduzir na administração dessa força
vivencial chamada juventude.
Questão
[014]
A que ponto devemos atribuir o comportamento de um jovem a
influências da infância?
Resposta:
Influências da infância estão sempre "tocando" nas
causas de muitos comportamentos da vida, seja na adolescência
ou na vida adulta. É preciso encontrar a medida exata do bom
senso para saber até que ponto algum fato vivido na primeira
idade seja realmente o elemento desencadeador das dificuldades
seguintes. Uma boa orientação psicológica pode ajudar a
aclarar essa questão.
Questão
[015]
Tenho 15 anos e sou gay. Como o espiritismo vê esta
questão que tem se tornado mais comum?
Resposta:
Já é bastante conhecida a forma que o Espiritismo compreende a
homossexualidade. Há muitos livros que tratam da questão.
Procure em seu centro as obras que estudam esse fenômeno. Um
dos que gosto de sugerir como leitura é "Vida e
Sexo", de Emmanuel, pelo profundo teor de afeto que o
benfeitor espiritual utiliza quando estuda o tema. Talvez não
seja ainda muito assimilada a maneira prática com que os
espíritas deveriam ter para conviver com o homossexualismo e os
homossexuais. Preservadas todas as questões que se referem à
necessidade de equilíbrio e respeito ao próximo, entendo
pessoalmente que é justo cada ser humano buscar a forma mais
adequada de conhecer a própria sexualidade. Se a opção da
pessoa é pela homossexualidade, entendo que ele ou ela devam,
assim como qualquer heterossexual, preocupar-se em respeitar o
outro e a si mesmos, descobrindo a capacidade de conviver ao
mesmo tempo com o prazer e a responsabilidade, com a alegria e a
maturidade.
Questão
[016]
Trabalho da educação espirita de jovens na faixa de 15
anos em diante, e gostaria de saber qual a melhor metodologia
para o aprendizado. O que poderíamos chamar de B A B, ou
poderíamos usar a própria curiosidade do jovem como temas para
serem usados nas aulas, usando o codificação de Kardec?
Resposta:
Toda criatividade é bem vinda, na hora de se trabalhar com
jovens. A rigor, conteúdo doutrinário nunca deveria ser
"passado", mas sim "partilhado", para que os
jovens se sentissem partes integrantes do processo de formular
pensamentos adequados em torno das concepções doutrinárias.
Continue sendo criativa, que sua equipe vai repercutir essa
forma de educar logo depois, na hora de agir diante dos desafios
do mundo.
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