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Há quatro anos a revista Istoé registrou a seguinte
reportagem: "Uma overdose de festas voltadas para jovens de
classe média garante o alto consumo de bebidas. No feriado de
Finados, o panfleto de uma festa levou quatro amigos, três
deles menores de idade, a uma boate no Lago Sul, área nobre de
Brasília. A R$ 20,00 por cabeça, conseguiram passaporte para o
paraíso adolescente: mulher bonita, som tecno e bebida de
graça. Três deles deixaram a boate em mau estado. O quarto
precisou sair carregado. Desfalecido, foi colocado pelos amigos
no banco de trás do carro e levado às pressas para o hospital.
No caminho, cruzaram com outros jovens desmaiados na calçada à
espera de que, ao chegar, o pai os identificasse."1
Pesquisas
mostram que oito em cada dez estudantes já usaram álcool. A
escola é a grande parceira da família na tarefa de educar, sem
precisar impor, é claro, regras nos lares alheios. Em
Brasília, uma escola2
tomou uma medida controversa que dividiu a opinião de
pais e irritou alunos ao entregar um documento que sugere aos
pais que proíbam os menores de 21 anos de tomarem bebidas
alcoólicas nas festas e eventos sociais promovidos pelos
adolescentes em suas casas.
Pode
parecer algo um pouco exagerado, mas a questão merece uma
análise, até porque há estatísticas que apontam que os
jovens estão bebendo cada vez mais cedo (por volta dos 11 anos
de idade). Mesmo que a Direção da escola esteja restrita aos
seus muros, não basta dizer aos pais, nessa conjuntura, que
seus filhos estão bebendo. Desta sorte, estão empurrando o
problema de volta para a família. Cremos que as escolas
deveriam debater com mais ênfase sobre bebida alcoólica, essa
droga legalizada.
Não
existe uma idade definida para qualificar a criança dependente
de álcool. Segundo a Dra. Sandra Scivoletto, coordenadora do
GREA " Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e
Drogas ", responsável pelo Ambulatório de Adolescentes e
Drogas do Sepia " Serviço de Psiquiatria da Infância e
Adolescência ", do Instituto de Psiquiatria da
Universidade de São Paulo, "estudos epidemiológicos
brasileiros e do exterior mostram que a idade de início de uso
de álcool e drogas vem diminuindo. Uma pesquisa realizada em
1993, em dez capitais brasileiras, mostrou que a idade média do
início do uso era de 13 anos. Em 1997, um trabalho realizado
com adolescentes em tratamento no GREA mostrou que eles têm
começado a beber, em média, aos 11 anos de idade, com casos
raros em que iniciou-se aos 4 anos de idade"3, alerta a médica.
As
pesquisas realizadas pelo Grupo Interdisciplinar de Estudos de
Álcool e Drogas demonstram que o Brasil é o quinto maior
produtor de cerveja do mundo e tem a terceira maior empresa da
área. A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou, em
abril de 1999, que o Brasil é o quarto colocado no mundo em
acidente de trânsito. A ingestão de álcool é uma das maiores
causas de acidentes " 60% a 80% das mortes no trânsito
são provocadas por motoristas alcoolizados, segundo estimativa
do IML de São Paulo.
Alguns
acreditam ser muito difícil definir o exato momento em que o
uso de álcool merece ser catalogado como dependência. Assim
como é tênue a fronteira entre o chamado heavy drinker
(bebedor pesado) e o alcoólatra, aquele cujo organismo
necessita de álcool para voltar a funcionar ou que desenvolveu
a dependência psicológica da garrafa. Ou seja, há um
mecanismo psicossocial que o leva a beber, e um mecanismo
fisiológico que o impede de parar de beber.
No eterno
desculpismo, os bebedores se refugiam no chamado "drink
social". Bebedor social? " será?? " pesquisas
americanas atestam que uma pessoa, para tornar-se alcoólatra,
pode levar de 8 a 20 anos e os bêbados começaram com
"inofensivos goles festivos". Desde 1935, os
fundadores do AA (Alcoólicos Anônimos) " Bill Wilson e
Robert Smith " afirmam que em cada dois bebedores um
desenvolverá a doença do alcoolismo. Sabe-se hoje também que,
no início do processo, não há diferença entre o bebedor
social e um futuro alcoólatra.
O
alcoolismo não é hereditário. As pessoas bebem por questões
psicoemocionais e criam dependência por questões
fisiológicas. O que existe é um fator genético de
predisposição ao consumo excessivo de álcool. Traduzindo,
geneticamente, ninguém tem compulsão para a bebida conforme
escreveu a revista americana US News & World Report:
"nenhum gene tem o poder de fazer com que você compre uma
garrafa de uísque, a verta num copo e a tome toda".
A
Doutrina Espírita ensina que a propensão ao alcoolismo pode
estar no Espírito, como herança de vidas passadas.
No Brasil
toda esquina tem um botequim, um bar, um quiosque com as portas
escancaradas, para a larga distribuição do veneno letal. Na
televisão, as propagandas mais sedutoras são de bebidas. Nos
restaurantes, a primeira pergunta do garçom é " o que
você vai beber? Nas competições automobilísticas, o vencedor
derrama sobre si a champanhe; a cada segundo os canais de
televisão estão convidando os incautos a beberem, e para isso
investem bilhões de dólares para vender a droga
"legal" e o governo vai gastando muitos outros
bilhões para cuidar das doenças do alcoolismo, como a cirrose
do fígado, a encefalopatia alcoólica ou a polinevrite
alcoólica, o delirium tremens, a afetação dos pulmões
(tuberculose), a decadência física e mental, a caquexia
(desnutrição), isso sem esquecer as vítimas do trânsito e
outras conseqüências.
No livro
Missionários da Luz, Alexandre explica que "(...) usar um
aperitivo comum (...) de modo algum significa desvios
espirituais; no entanto, os excessos representam desperdícios
lamentáveis de forças, os quais retêm a alma nos círculos
inferiores. (...)"4 Ao
considerar essas ponderações, urge também refletirmos que
para muitos encarnados até mesmo o "inofensivo"
aperitivo pode desencadear processos de dependência nos
excessos, por isso toda vigilância é imperiosa.
Desconhecemos se alguém da família carrega uma certa
predisposição ao álcool, que pode ser potencializado com o
primeiro gole, por isso cremos que no bom senso um espírita
consciente não mantém em seu lar um barzinho com garrafas
rotuladas de "bebida importante", contendo o inferno
da droga legalizada, que tem levado muitos homens aos escombros
dos desvios espirituais.
1 Revista IstoÉ - edição 17/11/99.
2 Escola
Americana do Brasil - Av. L-2 Sul - Brasília-DF.
3 Informativo/dez-2001,
ABRAFAM (Associação
Brasileira de Apoio às Famílias de Drogadependentes).
4 XAVIER,
Francisco Cândido. Missionários
da Luz. Pelo Espírito André Luiz. 36. ed. Rio de Janeiro: FEB,
2001.
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