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Eutanásia: Ato abominável, Crime hediondo

Rogério Coelho
Fonte: Revista Reformador, FEB, Deus, Cristo e Caridade
- Ano 120  nº 2.084  Novembro de 2002

"(...) A batalha contra a morte será vencida pela Vida Espiritual, que é real e eterna, da qual tudo procede e para cujos círculos retorna".
Joanna de Ângelis1
 
       Paradoxalmente, enquanto muitos abnegados homens da Ciência se debruçam sobre seus tubos de ensaios, movimentando sofisticada parafernália tecnológica em busca de vacinas e imunizadores que visam dilatar a vida, legisladores de países considerados do primeiro mundo estabelecem leis desumanas e sórdidas que tornam "legal", mas jamais "moral", a eutanásia, esse ato execrável...
          Como pode o homem arrogar-se o direito de decidir o que é da alçada de Deus?!... Não podemos olvidar que ainda estamos reencarnando em mundo de provas e expiações, portanto, cada criatura tem seus débitos cármicos, sabe-se lá em que quantidade... Mas o resgate não vem apartado da misericórdia de Deus, e por mais pungentes e excruciantes sejam as dores de um moribundo, cumpre que se lhe dê a chance de esvurmar as feridas da alma e esgotar seu cálice de provações até à última gota, segundo os desígnios do Pai.
          Somente uma obtusa cultura materialista, escaldada em soez hedonismo em lixívia com o egoísmo, que nada vislumbra além do túmulo, pode acoroçoar a eutanásia considerando-a cômoda e lógica solução. Ledo engano!... Segundo a nobre Mentora Joanna de Ângelis
2,

"(...) o sofrimento, que muitas vezes acompanha o moribundo ou precede os momentos finais, é resultado de longos processos evolutivos necessários à sublimação do Espírito, que o experimentará conforme as próprias estruturas morais.
          Dores acerbas, em determinados indivíduos, são administradas com relativa nobreza, enquanto outras, de menor porte, constituem verdadeiro calvário para caracteres mais frágeis. Temperamentos pacíficos e comportamentos dóceis encaram as ocorrências afligentes e funestas como naturais, enfrentando-as com elevada resignação, no entanto, outros, de constituição agressiva e rebelde, presunçosa e vazia, aumentam o próprio tormento, mediante o desespero a que se entregam e à revolta que os dominam.
          Todos os acontecimentos amargos e enfermidades extenuantes, degenerativas e desestruturadoras, fazem parte da agenda espiritual de cada pessoa, que a carrega, desde antes, em razão do comportamento que adredemente se permitiu.
          Por isso, a necessidade de expungir, de recuperar o equilíbrio moral, de sofrer os danos causados a si mesmo e aos demais pela sua sistemática impulsividade, reconquistando o malbaratado patrimônio de saúde espiritual.
          A morte com dignidade, conforme algumas pessoas pensam e planejam, jamais será aquela propiciada por agentes externos que apressam a consumpção do corpo. A dignidade está na maneira como é enfrentada a desencarnação, mesmo porque, após o silêncio sepulcral, a vida estuante aguarda o viandante com o patrimônio que lhe é próprio e não com os disfarces em que se oculta. Portanto, abreviar-se a morte de um paciente terminal, na suposição de que as suas são dores impossíveis de serem suportadas, é cometer hediondo crime contra a Vida e a Humanidade nele representada, já que ninguém se pode facultar a presunção de autor da existência para poder interrompê-la a bel-prazer.
          É certo que há momentos ímpares de dor e angústia, mas os procedimentos médicos podem atenuá-los, auxiliando o ser a aguardar o momento da libertação, quando todas as energias estejam esgotadas e ele possa, por fim, librar-se feliz e recuperado para sempre de todas as aflições.
          Jamais se terá como lícita a interrupção da vida carnal. Se o paciente a solicita e é atendido, ei-lo na condição de suicida, e aquele que o auxiliou no trespasse torna-se um homicida consciente. Se foram os seus familiares, justificando o excesso de despesas com a manutenção do enfermo, ou por compaixão, ou pensando em oferecer-lhe suavidade nos momentos finais, esses eufemismos de comportamento constituem grave homicídio também.
          A Divindade estabeleceu leis que orientam todas as ocorrências no Universo, particularmente no que diz respeito à conduta moral e espiritual dos seres inteligentes reencarnados. Ninguém, portanto, pode-se atribuir poderes divinos e estabelecer conclusões absolutas em torno dos fenômenos humanos, conseguindo o arbítrio de decidir entre os que devem viver e aqueles que devem morrer, vez que tal decisão é de Deus e todo aquele que assume a responsabilidade de fazê-lo responderá pelas suas sinistras conseqüências.
          Preocupado com a palpitante questão da eutanásia, Allan Kardec interrogou ao Espírito São Luís, em 1860, se cabe ao homem interromper os sofrimentos de alguém que os padece superlativamente; e o Benfeitor da Humanidade redargüiu que os momentos finais, como verdadeiro relâmpago, podem ensejar ao moribundo lucidez, como ocorre, com freqüência, para o arrependimento que o auxiliará na Vida-após-o-corpo, despertando mais feliz... Ademais, acrescentou que todos os momentos vividos nessa etapa final são de relevante significado para o ser em processo de libertação.  
          A preocupação, naqueles passados anos, com a eutanásia, já mereceu das Entidades Venerandas a opinião definitiva em torno do ato abominável.  
          Jamais, portanto, será justificável a aplicação de procedimentos mutiladores da vida orgânica, quando o paciente encontrar-se na etapa final ou antes dela, devendose sempre aguardar que se cumpram as determinações da vida para a felicidade do Espírito que retorna ao Lar e daqueles que lhe dão a conveniente e misericordiosa assistência do amor".


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:  
1 FRANCO, Divaldo P. Nascente de Bênçãos. Leal - Salvador (BA).
2 Idem,Ibidem.

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