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"Observei mais. Deslocado indebitamente e mantido ali por forças incoercíveis, o organismo da entidade, que chegara a renascer, alcançou em movimentos espontâneos a zona do coração. Envolvendo os nódulos da aurícula direita, perturbou as vias de estímulo, determinando choques tremendos no sistema nervoso central. Tal situação agravou o fluxo hemorrágico, que assumiu intensidade imprevista, compelindo a enfermeira a pedir socorros imediatos, depois de delir, como pôde, os vestígios de sua falta. __ Odeio-o ! odeio-o ! __ clamava a mente materna em delírio, sentindo ainda a presença do filho na intimidade orgânica. __ Nunca embalarei um intruso que me lançaria à vergonha ! Ambos, mãe e filho, pareciam agora, por dizer mais exatamente, sintonizados na onda de ódio, porque a mente dele, exibindo estranha forma de apresentação aos meus olhos, respondia, no auge da ira: __ Vingar-me-ei ! Pagarás ceitil por ceitil ! não te perdoarei !... Não me deixaste retomar a luta terrena, onde a dor, que nos seria comum, me ensinaria a desculpar-te pelo passado delituoso e a esquecer minhas cruciantes mágoas... Renegaste a prova que nos conduzia ao altar da reconciliação. Cerraste-me as portas da oportunidade redentora; entretanto, o maléfico poder, que impera em ti, habita igualmente minhalma... Trouxeste à tona de minha razão o lodo da perversidade que dormia dentro de mim. Negas-me o recurso da purificação, mas estamos agora novamente unidos e arrastar-te-ei para o abismo... Condenaste-me à morte, e, por isso, minha sentença é igual. Não me deste o descanso, impediste meu retorno à paz da consciência, mas não ficarás por mais tempo na Terra... Mão me quiseste para o serviço do amor... Portanto, serás novamente minha para a satisfação do ódio. Vingar-me-ei ! Seguirás comigo ! Os raios mentais destruidores cruzavam-se, em horrendo quadro, de espírito a espírito. Enquanto observava a intensificação das toxinas, ao longo de toda a trama celular, Calderaro orava, em silêncio, invocando o auxílio exterior, ao que me pareceu. Efetivamente, daí a instantes, pequena turma de trabalhadores espirituais penetrou o recinto. O orientador ministrou instruções. Deveriam ajudar a desventurada mãe, que permaneceria junto da filha infeliz, até à consumação da experiência. Em seguida, o Assistente convidou-me a sair, acrescentando:
__ Verificar-se-á a
desencarnação dentro de algumas horas. O ódio, André,
diariamente extermina criaturas no mundo, com intensidade e
eficiência mais arrasadoras que as de todos os canhões da
Terra troando a uma vez. É mais poderoso, entre os homens, para
complicar os problemas e destruir a paz, que todas as guerras
conhecidas pela Humanidade no transcurso dos séculos. Não me
ouves mera teoria. Viveste conosco, nestes momentos, um fato
pavoroso, que todos os dias se repete na esfera carnal.
Estabelecido o império de forças tão detestáveis sobre essas
duas almas desequilibradas, que a Providência procurou reunir
no instituto da reencarnação, é necessário confia-las
doravante ao tempo, a fim de que a dor opere os corretivos
indispensáveis. Calderaro fitou-me com o acabrunhamento de um soldado valoroso que perdeu temporariamente a batalha e informou: __ Agora, nada vale a intervenção direta. Só poderemos cooperar com oração do amor fraterno, aliada à função renovadora da luta cotidiana. Consumou-se para ambos doloroso processo de obsessão recíproca, de amargas conseqüências no espaço e no tempo, e cuja extensão nenhum de nós pode prever." Trecho do livro No mundo maior, pelo espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, edição da FEB, 1ª Edição 1947, Cap. X "Dolorosa perda", páginas 142, 143 e 144. *
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* O texto acima é um trecho do livro "No mundo maior", de André Luiz, psicografado por Chico Xavier; onde uma jovem grávida consuma, com a ajuda de uma enfermeira, contratada particularmente, o aborto de seu filho. Na reminiscência desta tragédia, encontraremos uma jovem revoltada com uma gravidez indesejada e que, na verdade, traria de volta às experiências na Terra, um antigo companheiro ligado a ela e aos dramas do passado. Imprevidente aos erros graves que traria novos sofrimentos no futuro, acusava a mãe, no mundo espiritual, de não tê-la preparado o espírito para os graves embates da vida; principalmente o que gera a confiança na justiça e bondade de Deus, através da oração e da vigília. Malgrado a assistência direta dos médicos espirituais que, incansavelmente ministravam conselhos e energias benéficas, a irmã da história põe fim a um laborioso trabalho dos espíritos superiores no que tange a reeducação da alma e resgate de débitos pretéritos. Lamentáveis sofrimentos advirão após finda atitude, visto que a jovem, impedindo tal oportunidade, agrava os sentimentos de vingança. Calderaro, o instrutor espiritual na história, finaliza os trabalhos esclarecendo sobre o processo de obsessão que se criou devido a tais atitudes. Comove-nos tais informações. E se nos sentimos como verdadeiro irmãos, roguemos ao Cristo Jesus o amparo às nossas consciências, força e coragem nas lutas diárias, amor e compreensão nos relacionamentos humanos, vida e atitude Cristã perante nós e àqueles que vacilam nas duras provações do espírito. |
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MENSAGENS
FRATERNAS |