|
A
ponte de intercâmbio entre os dois mundos - a mediunidade -
constitui-se numa das concessões divinas às suas criaturas.
Mediante tal recurso é possível haurir as indispensáveis
forças morais e espirituais para a consecução de nosso
objetivo maior na vida terrena, qual seja a de buscar a
liberdade espiritual através da nossa evolução.
Manobras ardilosas, preparo de hábeis documentos foram
elaborados por religiosos imediatistas para silenciar as Vozes
Amigas viventes no além-túmulo. Não conseguiram, muito pelo
contrário, foram surgindo outras e mais outras, falando-nos às
consciências, ajudando-nos a crescer para Deus, concitando-nos
à prática do bem e do amor ao próximo, expandindo-se a
mediunidade irresistivelmente.
Pouco ou quase nada conseguiram aqueles manobreiros das
consciências alheias com a ameaça de suas fogueiras, de um
inferno ardente para calar as vozes dos imortais. O interesse
acendrado dos Espíritos para prosseguirem ajudando-nos foi
imenso, continua enorme, não obstante todas as armadilhas,
artimanhas utilizadas pelos maus servidores do Evangelho, os
quais, utilizando-se da perseguição, pressupunham silenciar as
vozes levantadas das tumbas. Estas são de pais e mães, de
amigos e familiares outros, carinhosos e fraternos, retornando
da sepultura para acalentar e inspirar seus entes débeis e
desinformados.
O correio
da mediunidade agora aberto não vai mais fechar, noticiando o
mais possível, dentro das nossas necessidades evolutivas,
aquilo que precisamos saber e compreender.
Amigos e
conhecidos, mentores e guias abnegados insistem no uso da
palavra mediúnica, escrita e falada, conjugando companheiros
empenhados nas lutas de ascensão espiritual ainda na retaguarda
terrena. Paralelamente a estes, outros surgem, sedentos de
vingança entre tormentosas reminiscências, invejosos e maus,
procurando prejudicar os incautos da Terra; são os adversários
do passado, vencidos pelas urdiduras da pusilanimidade,
aproveitando-se de suas condições de invisibilidade para dar
vazão às suas ojerizas e idiossincrasias em longos processos
obsediantes.
As
vinculações são feitas mente a mente, conforme os pensamentos
acalentados, estabelecendo-se a sintonia, consciente ou
inconscientemente. Inicia-se, assim, um processo que geralmente
desemboca na obsessão e suas conseqüências sempre
lamentáveis, para ambas as partes, alongando-se no tempo.
A morte, importa saber, não
paralisa jamais a dinâmica da vida "o amor" ,
estuando aqui e além num permanente esforço para a todos
adaptar a uma existência feliz na Espiritualidade.
Há,
houve, está havendo e haverá sempre intercâmbio de ondas
mentais, quando as permutas de experiências são trocadas entre
os libertos da carne e os a ela aprisionados, testemunhando a
indestrutibilidade da alma de conformidade com o ensinado pela
Doutrina Espírita.
Os
cultuadores da verdade e os que viveram o Evangelho, na sua real
expressão, brilham além das trevas, prenunciando a eterna
madrugada, donde retornam triunfantes a fim de cantarem as
sonoras melodias das belezas imortais, convidando os atentos
ouvintes para a felicidade e a paz destinadas a todos os filhos
de Deus.
Dentre as
dores do ser humano, uma das mais pungentes, pertinazes e
profundas é, indubitavelmente, a que decorre da separação
física imposta pela morte. O homem, de modo geral, não se acha
ainda acostumado ao fenômeno biológico natural da vida - a
morte. Nada que se lhe compare, tal o dilaceramento provocado
nos tecidos sutis da alma, mesmo quando aguardada.
Ela é a
única realidade de que ninguém pode fugir, graças ao seu
caráter determinístico, convidando a todos para que nos
projetemos, o mais cedo possível, na imortalidade.
Quantas
vezes ela surge sorrateira arrebatando os afetos e carregando os
adversários, mas sempre provocando emoção, mais ainda em se
tratando dos amores, enigmaticamente realizando a transferência
de um para outro estágio da vida.
A morte
pode ensejar felicidade e triunfo, sendo ela, nesse caso,
libertação, mas pode também fazer-se grilheta e cárcere para
as consciências comprometidas, intoxicadas pelos vapores da
insensatez e das paixões comprometedoras.
A
ninguém poupa e prima por igualar a todos, selecionando-os de
conformidade com os títulos morais auferidos no transcurso das
existências.
Nunca
deveríamos rebelar-nos diante das conjunturas da morte que nos
separou de um ente amado, porque tal separação não atende aos
caprichos do acaso, mas às determinações do Criador, o único
a deter o poder sobre as nossas existências. Ela, a
separação, jamais será definitiva, requisitando nossa
paciência e nosso preparo para o reencontro.
Os afetos
aguardam-nos esperançosos, anelando que cumpramos nossos
deveres e obrigações, e que nunca os decepcionemos através de
manifestações de revolta ou de desespero, totalmente
injustificáveis. Vivem eles como nós vivemos e viveremos,
tendo-os apenas como aqueles que se anteciparam na viagem de
volta, não se encontrando apartados de nós.
Apesar de
não os vermos, estão ao nosso lado caso os amemos, ou
vinculados a nós, se os detestamos.
Não os
fixemos na memória de forma inditosa, sob os caprichos da
paixão ou debaixo do sabor amargo da nossa dor, devendo, sim,
luarizar a saudade no regaço da oração, alimentando a certeza
de reencontrá-los.
Utilizemos, portanto, as nossas horas disponíveis para pensar
neles e produzir o Bem, em nome deles e por amor a Jesus, orando
sempre, e convertendo nossas moedas e flores de efêmeras
durações em reconforto para os outros seres que padecem
privações.
Nossos
gestos de amor serão por eles benditos, acercar-se-ão mais de
nós, visando a ajudar-nos e encorajar-nos ao prosseguimento das
tarefas.
Deslocando o amor em direção do sofrimento alheio diminuiremos
a nossa dor, tudo realizando em nome dos que partiram, certos de
que vivem e se encontram ligados a nós.
Somente o
corpo morre. O Espírito que o anima é imortal e prossegue, em
encarnações sucessivas, que "são sempre numerosas,
porquanto o progresso é quase infinito", diz-nos O Livro
dos Espíritos, na questão 169.
Saibamos
considerar o quanto de fragilidade existe no organismo através
do qual nos movimentamos, e, ao final de mais um dia vivido na
Terra, pensemos na possibilidade de o perdermos mediante a
transformação imposta pela morte.
Não é o
sono uma quase desencarnação? Quem tem certeza plena e
absoluta de que despertará no dia seguinte? Não nos
emancipamos do corpo nestas horas e não vamos ao encontro de
nossos afins?
Façamos
sempre uma avaliação do nosso dia, procurando analisar o que
foi feito, de certo e de errado, insistindo por viver sempre com
a retidão que é característica de quem dispõe de pouco
tempo, confiando no prosseguimento da vida após o traspasse.
Desenfaixemo-nos de tudo quanto nos possa reter na retaguarda e,
sempre que nos sintamos atados a ela, recordemos a necessidade
de prosseguir a existência,
desvinculando-nos de todo tipo de capricho humano,
avançando para o amanhã, a fim de alcançarmos o triunfo em
nossa imortalidade.
A morte,
seja violenta ou se arraste por meses e anos, chega sorrateira,
ceifando corpos, espalhando angústia, mutilando aspirações
acalentadas, mais ainda quando são os jovens os atingidos. Vai
espalhando luto e dor.
Aparatos
vários, rituais cheios de adornos cingiram-na, numa tentativa
de desvincular-lhe o impacto ou, pelo menos, diminuir-lhe o
trauma. Foram inúteis as solenidades e cerimoniais porque a
morte os dispensa, como também as conceituações pessimistas
dos que a consideram como o fim da vida.
Nós,
Espíritos, vitalizadores da matéria, preexistimos e
sobrevivemos a ela, porque somos a causa, a sua força
mantenedora, acionando-lhe a vitalidade, pondo-a em movimento e
lhe propiciando espontaneidade, sendo incontestável, pois, a
nossa sobrevivência.
Devemos
pensar, sim, no fenômeno da morte e com freqüência, anelando
habituar-nos à idéia, a fim de não sermos surpreendidos
quando o depararmos em nós ou num ente querido. É uma
fatalidade biológica da qual ninguém está isento,
competindo-nos viver de tal forma que estejamos sempre prontos a
submeter-nos a tal imperativo, aceitando-lhe a presença como
única maneira de nos libertar, presos que nos achamos ao corpo
físico. Mas, somente uma existência digna nos credenciará à
felicidade. Quem se mantiver intoxicado pelos vapores dos
vícios, da delinqüência, da insensatez, da criminalidade
sentir-se-á ainda agrilhoado aos imperativos da vida carnal,
sofrendo sem o mínimo entendimento, vendo-se sem acreditar no
que vê, assistindo à putrefação do corpo de forma dorida,
sendo aniquilado por vermes famélicos.
A
viagem material é uma aprendizagem que deve ser exercitada,
imprimindo-lhe uma conduta moral, mental e vivencial correta,
digna, respeitosa, honesta, fazendo ao próximo tudo quanto
gostaríamos que ele nos fizesse.
Não
devemos lamentar os mortos, nem nos amedrontar diante da morte,
evitando rebeldia e mágoa, considerando a existência
pós-morte apenas como a de uma vida em níveis vibracionais
diferentes, em faixas evolutivas diversas.
|