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O canto do cisne

�ltima Palestra
Era encerramento do ano letivo.
Havia uma atmosfera de l�cida onda de paz e tranq�ilidade, naquele encontro do dia 25/11/80. Ali�s, o ambiente da sala, como sempre, mantinha um ar respeit�vel, introspectivo e acolhedor, pois, a presen�a do Professor sempre elevava o astral das pessoas e do lugar.
Minha colabora��o consistia em  anotar as presen�as, receber as contribui��es e dar  informa��es necess�rias aos visitantes, sempre bem-vindos. Devido  minha participa��o ativa neste movimento cultural e beneficente confiaram-me o cargo de  membro do conselho consultivo da diretoria.
Naquele dia eu ouvia atentamente a prele��o do Professor, numa leve premoni��o de que aqueles momentos nos seriam tirados em breve. A plat�ia, como sempre ouvia em sil�ncio, sem perguntas. N�o era necess�rio perguntar porque Rohden parecia adivinhar nossas d�vidas e as respondia enquanto falava.
O tema desta noite foi: 
�Alvorada para consci�ncia c�smica� - t�tulo que ele dava � Institui��o por ele fundada. Foi breve. Em  meia hora, o orador resumiu em poucas palavras o que ensinou ao longo desta sua exist�ncia. Ele n�o se achava autor de uma filosofia, pois, em todos os paises cultos da Europa e nos Estados Unidos, havia movimentos  similares entre a elite espiritual, embora com outros nomes como: Novo Pensamento, Nova Perspectiva, Auto-realiza��o...
Falou sobre a sede urbana da Alvorada, que fica ali, naquele mesmo lugar, no alto do Sumar�, onde podiam reunir at� 100 pessoas. Falou tamb�m do Ashram, sede rural, pr�pria para os retiros silenciosos, em Jundia�.
Falou da maravilhosa palavra portuguesa:
�Universo� � que traduz o significado preciso da id�ia de Deus e da crea��o. Falou dos conceitos de ess�ncia e exist�ncia, da medita��o � imprescind�vel para conscientizar a presen�a real de Deus, da Alma do Universo, como diria Spinoza. Ressaltou a import�ncia desta pr�tica para a verdadeira felicidade do homem. 
Felicidade n�o � gozo, explica.
O homem que a descobre n�o tem medo de nada, nem da morte. A transi��o do corpo material para o corpo astral n�o � morte, e quem entende isto, mant�m  tranq�ilidade ao enfrentar este aparente drama da vida.
Com entusiasmo Huberto Rohden pediu que todos se levantassem para cantar o Hino da Alvorada. Nas duas primeiras estrofes, que mencionam o cora��o, pediu que todos colocassem a m�o no cora��o. E na estrofe final, que fala de amizade fraterna, que todos acompanhassem num gesto de dar as m�os aos vizinhos.
Diz a lenda que o cisne canta alegremente para morrer, da�, a express�o
canto do cisne para a �ltima obra de arte do artista. Assim tamb�m, este genial artista da palavra oral e escrita, encerra com um canto sua brilhante carreira. Junta sua voz � dos alunos, na can��o de seu ideal:
Alvorada, luz divina,
surge em nossos cora��es,
nossas almas, nossas mentes,
nossas for�as tuas s�o.

Somos um na Divindade
Em seu foco incolor.
Unos na fraternidade,
Do Universo multicor.

Eia, pois, amigos todos,
Uns aos outros dai  as m�os.
Filhos sois da ess�ncia uma,
Na exist�ncia sois irm�os.
Todos batem palmas...
Dr. Homero Silva, vice-presidente, toma a palavra e diz que aquelas palmas significam
�muito obrigado, Professor�. N�o diz, Mestre, pois, Rohden na certa retrucaria: �N�o sou mestre de ningu�m, e sim, disc�pulo de todos.�
Continua...  �vamos agora, em homenagem ao Professor,  apresentar uma mensagem de arte, linguagem eterna, permanente e sempre edificante que � a m�sica�. 

Duas  flautas doces, instrumento milenar,  s�o habilmente executadas, num concerto, por dois jovens artistas, ambos com 19 anos: Fl�vio Stein de Lima Souza e Pl�nio da Silva.

Depois desta reuni�o Huberto Rohden ainda dirige uma medita��o no Natal. Depois deixa o cen�rio da vida p�blica para  enfrentar o calv�rio da doen�a que o levou de nosso conv�vio.
Na mem�ria dos alunos presentes daquele �ltimo encontro ecoam ainda as palavras vivas do mestre, com certeza.
Este encerramento est� registrado em fita e em cd.
�N�o deve a alma ascender quando o sopro gentil da fonte
Onipotente a convida a voar?�
(Rumi)
Iris Helena Gomes
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