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A PREGAÇÃO DO EXCLUÍDO

RETIRO. Na Praia de Itaipu, Caio Fábio diz que vai dar uma "arrumadinha" nos negócios para depois voltar a pregar.

O pastor "desgarrado" prega por uma nova igreja. O reverendo Caio Fábio d'Araújo Filho, 45 anos, defende que as igrejas abracem os "excluídos", aqueles, que por terem cometido algum erro, são postos de lado nas instituições religiosas. Ele fala em causa própria: assumiu a infidelidade no casamento e foi acusado de dar guarita ao tráfico de drogas e de se envolver no dossiê contra o presidente Fernando Henrique Cardoso. É a busca pela redenção.

"Estou voltando a pregar", dispara ele, ansioso. "Daqui a alguns meses, vou estar mandando ver, em nome de Jesus, para tudo que é lado. Só estou dando uma arrumadinha em alguns negócios".

Mais do que nunca, Caio Fábio precisará da ajuda divina. Cinco anos atrás, era referência no mundo evangélico. "Eu tenho pena. Ele perdeu 95% da credibilidade. Eu oro por ele", observa o pastor Silas Malafaya, da Assembléia de Deus. Mas Silas reconhece o valor do colega: "Um pastor como Caio não aparece todo dia. Tem qualidades fantásticas".

O pastor Caio Fábio passou a escrever livros de ficção

Com a série de escândalos, o pastor se afastou do rebanho. Deixou a Fábrica de Esperança (instituição beneficente) nas mãos do Governo do estado, vendeu a revista Vinde, parou de pregar por dois anos e passou a escrever livros de ficção. Agora, a notícia de que Caio Fábio fundaria uma nova igreja se espalhou. Ele, porém, nega que esteja lançando uma igreja apenas para excluídos, com novas leis e templo próprio. "Vejo uma igreja para todos, incluindo os que as igrejas normalmente têm excluído".

De início, Caio Fábio garante apenas pregações nesse sentido, invocando as mensagens essenciais de Cristo. "Meu projeto é mais amplo do que começar uma igreja ali. Pode ser que as circunstâncias caminhem nesse sentido", observa.

Pastores criticam discurso e comportamento de Caio Fábio

O discurso do reverendo sobre os excluídos contraria outros líderes evangélicos. O pastor Paulo César Brito, da Igreja Maranata, ressalta que os padrões bíblicos permanecem inalterados: "O homem não é rejeitado por Deus e sim, rejeita Deus".

Silas Malafaya volta a carga: "O que a igreja não está entendendo é um cara que se divorcia da esposa por causa de paixões e se une a outra mulher. Depois quer casar com esta mulher. Vai virar bagunça. O pastor deve ser exemplo".

Perguntas e respostas

Excluído - "Há igrejas, cada vez mais raras, que orientam um indivíduo, recém-chegado e que já teve várias famílias, a procurar a primeira esposa. É absurdo."

Generosidade - "Na chegada, em geral, a igreja é muito mais generosa. Começa a perder a generosidade quando o pecado acontece depois da conversão."

Olhar - "Existe o caso da exclusão psicológica. Você não toma nenhuma medida formal contra a pessoa, mas, comunitariamente, ele passa a carregar o número do mandamento violado. Fica cada vez mais no canto. Ele recebe um olhar de cima para baixo. Pouca coisa dói mais do que um olhar assim. Confesso que não encontrei ser humano que me desse essa olhada."

Consultor - "Nunca fui consultor da TV Globo. Me consultavam como fonte de informação regular."

Jogo - "Fiz parte de um jogo que não me era muito consciente. Houve elementos de utilização de minha influência e imagem a favor de alguns projetos ideológicos, econômicos e religiosos ameaçados pela Igreja Universal."

Bispo Macedo - "Foi um dos caras mais éticos nesta minha tragédia pessoal. Ele não deixou o jornal da Universal falar mal de mim. Desconfiava de distorções."

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