Malt Whisky
Temos diversos tipos de malt whisky:
- · O Single Malt, feito 100% de cevada
maltada, vem de uma única destilaria. Mais raro ainda, um single malt
pode ser um single cask, ou seja, a garrafa inteira foi tirada de
um único barril.
- · O pure malt, que também
é composto de cevada maltada, mas feito a partir de diversos maltes
vindos de várias destilarias diferentes (vatted malt).
- · O single grain que, ao contrário
do que o nome vem a nos fazer acreditar, é feito a partir de uma mistura
de diversos cereais com a predominância da cevada.
No caso de mistura, a etiqueta na
garrafa sempre mostrará a data do whisky mais jovem.
Atenção! “Malte” não
é o nome de uma planta específica, mas apenas o termo que é
usado para se referir à cevada germinada.
Após colhida, a cevada é
seca sobre a Turfa (peat), fermentada e destilada duas vezes. Aqueles
que manjam um pouco de química devem se lembrar que na destilação
o destilado é dividido em três partes: A cabeça, o corpo
e a cauda. O mesmo ocorre com o whisky. No seu caso apenas o corpo da destilação
(chamado heart) é usado. A cauda, fraca demais e a cabeça,
forte demais, são destiladas novamente e o corpo desta destilação
à parte é incorporado ao corpo da destilação
normal. (Não me perguntem o que eles fazem com a cabeça da
destilação à parte...)
Os alambiques também possuem
um papel importante na regência do sabor da bebida: quanto mais alta
a estrutura de destilação, maior será o contato com
o cobre e mais suave será o whisky. O inverso também se aplica:
quanto mais baixo, mais rasgado será o produto, arrancando aquele
famoso “Eita, Marvada!!!!”
O envelhecimento é uma das
partes mais bonitas do processo (na minha opinião, é a mais
romântica...). Ele se dá em tonéis de carvalho que muitas
vezes têm mais de cinqüenta anos. O envelhecimento da bebida pode
durar décadas, dependendo do tipo (e do preço)... No entanto
ela pode ser tirada do barril e comercializada ao fim de três anos
(mas não espere lá grande coisa). Convém também
dizer que quanto mais velho, mais precioso é o whisky. Ao fim de 15
anos de envelhecimento um terço do barril foi perdido por evaporação
(coisa que os escoceses chamam de angel’s share, a parte dos anjos. Pois
é... nosso santo espera que você ofereça... os deles
sabem como o escocês é pão duro, e vão buscar
no barril diretamente). Agora você sabe porque aquele single cask de
30 anos que está no fundo da adega é a menina dos olhos de
seu pai.
O cúmulo da ironia para este álcool
tão famoso é que o seu segredo não está no processo,
no cultivo ou no envelhecimento: está na água. A água
dos Highlands brota de nascentes muito profundas, e corre sobre o leito pedregoso
dos rios, filtrando-se pela turfa (olha ela aí de novo!), enriquecendo-se
de sabores e cores (a água da torneira de lá é levemente
amarelada...), e como resultado final temos a base perfeita para esta bebida
ainda mais perfeita.
Como nem tudo é pureza, podemos dizer que a
cor do whisky se deve também ao envelhecimento em tonéis de
carvalho que já foram usados para sherry ou bourbon... E alguns destiladores
(oh, meu DEUS, que coisa horrível de se escrever...) não hesitam
em colocar até um pouco de caramelo para dar cor... Porque não
alguns corantes químicos, então?
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