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Escrever sobre Alberto Antonio Soria é difícil para mim, mas falar sobre Uma carta para Deus já é um pouco mais fácil. Uma carta para Deus, foi o livro de poemas que me deixou pensando nas amplas possibilidades que nós seres humanos, temos para com Deus. Podemos orar a Deus, chorar aos seus Pés, agradecer, fazer promessas, sorrir para Deus ou fazer como o Alberto Soria fez, escrever uma carta. Nela ele pôs toda a sua história de vida emocional, rasgando a carne e expondo o coração. Perguntou muito e ele mesmo por vezes, tentou responder. Foi incansável porque queria continuar a viver. Tinha amigos, tinha a esposa, tinha os filhos e tinha suas convicções. Sempre acreditou na liberdade e enquanto escrevia, tecia um fio de esperança para encontrar o caminho do rumo certo. Deus, por que? O Soria se pudesse reformava o mundo desde a sua criação, não deixaria ter nascido nem Caim nem Abel, na verdade, Abel é que foi o culpado pela inveja de Caim. Logo, nenhum dos dois iria fazer falta. Por causa deles, somos filhos da tragédia. E que tragédia... Mas, lendo toda a carta-livro dele, podemos ver que seus momentos de revolta duram muito pouco, ele sabe elogiar a Criação, falar de suas mágicas e em seus lampejos de alegria, sempre tinha o brilho do sol. Sua data de nascimento 12 de junho de 1942, a Segunda Guerra Mundial estava no meio e desde pequenininho, o Soria já estava marcado para lutar. Geminianos, são inteligentes, adoram viver da melhor forma possível, são desconfiados, melancólicos, depressivos e pasmem, grandes festeiros. Deixam Baco temendo perder a sua coroa. E se tem algo que o geminiano sempre pergunta é: se era pra sofrer, porque fui nascer. Soria, em seu livro, dá a entender o tempo todo esssa interrogação. E com esse livro eu pude perceber a grandiosidade e coragem que o Soria tinha e teve durante toda a sua vida. Não o conheci mas acerquei-me de suas cartas e sei que todo ele estava nelas. Partiu o Soria em 05 de março de 2003 e levou com ele sua filosofia e jeito de dizer as coisas de coração aberto. Foi, mas nos deixou um documento com o qual podemos reivindicar o mesmo direito, de também poder escrever uma Carta para Deus. Mônica Banderas, poeta e artista plástica. |