Era uma noite comum, ao menos parecia ser. Snape não tinha idéia que sua vida mudaria drasticamente a partir daquele dia.
- Outra missão bem sucedida. – falou Snape monotonamente, enquanto o grupo aparatava no meio do mato.
- É verdade... vamos tomar um porre para comemorar!! – Lúcio sugeriu alegremente, enquanto enrolava sua capa negra.
Eram o grupo de comensais da morte mais respeitado das trevas. Ele (Snape), junto com Malfoy, os Lestrange e Crouch formavam o esquadrão cem por cento... nunca haviam falhado em uma missão. Encontraram um bar na beira da estrada a poucos metros de onde haviam aparatado. Sentaram-se os cinco em uma mesa e pediram as piores bebidas que encontraram. Após alguns momentos um cigano entrou no bar e trocou algumas curtas palavras com o dono.
- Quanto você quer? – o dono perguntou secamente ao cigano.
- 30 galeões... garanto que seu bar passará sempre a encher. – o dono, que era um homem gigantesco, assentiu com a cabeça e entregou um saco de galeões ao cigano.
- O resto vem no fim...
O cigano bateu palmas e dentro do lugar entraram palhaços e malabaristas.
- Vamos procurar outro lugar... até minha esposa é mais divertida que isso...-disse Lúcio extremamente desgostoso.
- Do que você está reclamando, Lúcio? Narcisa é uma mulher admirável e belíssima! – falou Richard Lestrange, que era o mais velho do grupo.
- Eu sei... mas ultimamente ela tem estado tão fria...
- Não será por que você tem passado muito tempo fora a deixando sozinha? – perguntou ironicamente Belatriz, esposa de Richard.
- Mas... – Lucio tentou argumentar, mas Belatriz o interrompeu.
- Você vai perdê-la, Lucio. Se eu não trabalhasse com o Rick – ao falar isso deu um beijo na bochecha do marido – provavelmente nosso casamento já teria acabado, eu certamente teria o expulsado de casa.
- Você me expulsaria de casa?
- Se você passasse tanto tempo fora quanto Lucio. – pronto, estava armada mais uma discussão entre o casal. Rick e Belatriz eram igualmente teimosos, mas eram um casal aparentemente sem problemas, embora adorassem bater boca por qualquer besteira.
Após uma longa espera e muitas reclamações de Lúcio, os palhaços e malabaristas saíram e o cigano bateu palmas dizendo que a última atração agradaria a todos, entrou no lugar então uma naja, logo depois vários músicos que a rodearam. E então ela entrou. Para Snape o mundo tinha parado, ele esqueceu de todos seus dilemas éticos e de todas aquelas cenas que sua consciência fazia questão de lembrá-lo a cada momento. Para ele só existia ela e a música. Ela fez uma referência a todos e entrando no círculo pulou por cima da serpente, os músicos se agacharam para que todos vissem o número.
Ela começou a dançar com a cobra, mexia o quadril de uma forma que não parecia ser dotada de coluna. Severo deixou-se levar pelo momento, não existia nada além deles.
Por anos Severo se lembraria daquela dança do ventre acreditando que fora aquilo o que lhe trouxera de volta a sanidade. Era, sem dúvida, a coisa mais sensual e provacante que já havia visto.
Lucio olhou-a como um lobo faminto olha um cordeiro. Belatriz encarou-o com raiva.
- Nem pense nisso, Lucio... eu não pensaria duas vezes antes de contar a Narcisa. – Lucio sustentou o olhar revoltado – Você quer perdê-la para sempre? – Mal sabia ela que durante os próximos anos, e durante sua estadia em Azkaban, isto se tornaria normal na mansão Malfoy.
- Estou indo para casa – disse irritado, embora estivesse com saudade da esposa – Acho melhor você levar o Rick também. – Belatriz olhou para o marido brava e Lucio antes de ir embora deu-lhe um sorriso malicioso.- Ou talvez ele acabe não querendo mais voltar.
A jovem acabou a dança, todos pediram-lhe que dançasse um pouco mais, ela negou. O cigano para acalmar a todos avisou que na noite seguinte ela dançaria de novo. Quando ela deixou o bar, apenas Crouch não prestava atenção nela. Era um garoto de seus 16 anos recém feitos e não prestara atenção na dançarina pois tinha estado preocupado em conquistar a filha do dono. A garota não era feia, mas era do tipo alemã; ela saiu na frente sendo seguida logo depois por Crouch. Tanto Severo quanto Bartô eram jovens e cheios de sonhos, contudo ao contrário de Severo, Bartô nunca terminara Hogwarts. Durante as férias do sétimo ano se desentedera com o pai, e decidira não voltar. No fim, apesar de ser mais novo, sua iniciação foi feita na mesma noite que a de Severo. O ódio entre pai e filho era de conhecimento de todos, apenas a mãe de Bartô não o notava. Os dois jovens dividiam um apartamento, nenhum deles dispunha de muitos recursos. O serviço pagava bem, contudo eles precisavam guardar dinheiro para uma fuga. Para conseguirem algum dinheiro extra precisavam efetuar grandes obras, que na visão de Severo significavam grandes matanças. Mas isso não importava, naquele momento o essencial era passar o máximo de tempo Perto daquela criatura divina.
Snape prometeu a si mesmo que toda a noite visitaria aquela espelunca enquanto ela viesse dançar.