IPI - ENTRADA TRIBUTADA SAÍDA DESONERADA - CREDITAMENTO - DIREITO AINDA ANTERIOR À LEI N. 9.779/99
TRIBUTÁRIO.
IPI. PRODUTO ISENTO OU TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. PRINCÍPIO DA
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS TRIBUTADOS. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. PROVA DA
NÃO TRANSFERÊNCIA DO ENCARGO. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO. LC 104/2001.
CORREÇÃO MONETÁRIA. SUCUMBÊNCIA. 1). A prescrição do direito à
utilização dos créditos escriturais do IPI é qüinqüenal, na forma do
art. 1º do Decreto nº 20.910/32 (EIAC nº 2000.04.01.093255-0/SC). 2).
Delimitada a lide apenas até dezembro de 1998, pois a partir de 1º de
janeiro de 1999, com o advento da Lei nº 9.779/99, a ré passou a
admitir o uso dos créditos do IPI na compensação com outros tributos.
3). Impõe-se o creditamento do IPI incidente na aquisição de
mercadorias e insumos tributados aplicados na industrialização de
produtos sujeitos à alíquota zero ou isentos, pena de ofensa ao
princípio constitucional da não-cumulatividade e transmutação do
industrial, contribuinte de direito, em consumidor, contribuinte de
fato o IPI em autêntico imposto direto. 4). Não existe ofensa ao art.
150, § 6º, da CF/88, que exige lei específica para as hipóteses de
isenção e redução de base de cálculo, mas unicamente da verificação da
inteligência e alcance do art. 153, § 3º, II, da Lei Maior, relativo à
não cumulatividade do IPI, e o não aproveitamento do crédito obriga o
contribuinte a suportar o encargo financeiro ou repassar o ônus,
onerando a cadeia produtiva. 5). A vedação contida no art. 155, § 2º,
II, da CF/88 é específica ao ICMS, não se aplicando, pois, ao IPI. A
ausência de ressalva na regulamentação do IPI não é omissão e, sim,
intenção do Constituinte Originário e não admite interpretação
extensiva. 6). O art. 174, I, a, do Decreto nº 2.637/98, teve sua
inconstitucionalidade reconhecida neste Egrégio Tribunal, no julgamento
da Argüição de Inconstitucionalidade na AC n° 1999.72.05.008186-1/SC.
7). Não tem aplicação, in casu, o art. 166 do CTN, que condiciona a
restituição de indébitos à prova do não-repasse do encargo a terceiros,
haja vista a natureza escritural dos créditos pleiteados. 8). A
compensação pode ser lançada na contabilidade do IPI ou, a critério do
contribuinte, compensado na forma dos artigos 73 e 74 da Lei nº
9.430/96, somente após o trânsito em julgado da sentença, nos termos da
LC 104/2001, por se tratar de tributo objeto de discussão judicial. 9).
Sobre os créditos do IPI incidirá a SELIC, a partir da data em que
poderiam ter sido aproveitados até o trânsito em julgado da ação,
quando não mais será possível a atualização, haja vista a sua natureza
contábil, conforme decisão da 1ª Seção deste Tribunal, nos Embargos
Infringentes em AC nº 2000.71.10.001214-4/RS. 10). Honorários
advocatícios fixados em 10% sobre o valor da condenação, nos termos dos
precedentes desta Corte. Custas pela ré. 11). Considerados
prequestionados os artigos de lei e princípios constitucionais
referidos na decisão. (TRF-4, 1a. Turma, AC 2002.72.02.001921-2/SC,
Rel. Artur César de Souza, v.u., julgado em 21.03.2007, DJE 11.04.2007)
Link para inteiro teor do julgado direto da página do TRF-4