Vida     Carreira     Discografia     Cadastro

Vida de Música

Quando foi morar em Trenchtown, o garotinho Bob já tinha uma ligação forte com a música. Ele e seu amigo Bunny, filho do homem com quem a mãe de Bob havia casado ainda em Saint Ann improvisavam guitarras feitas de lata e acompanhavam os sucessos vindos da América, particularmente de New Orleans, sintonizados em um mini-rádio transistorizado. Eles captavam Ray Charles, Fats Domino, Brook Benton (um dos preferidos de Marley) e grupos como os Drifters, que eram muito populares na Jamaica.

Nesta época, a juventude jamaicana fervia com esta gama variada de R&B americanos, mas ter um rádio transistor para captar a nova onda era luxo, por isto nomes como Coxsone Dodd, Leslie Kong e outros, ficaram famosos por seus Sound Systems (sistemas de som), normalmente um furgão equipado com aparelhagem suficiente para fazer a rapaziada se animar com os últimos sucessos chegados dos EUA nas ruas dos guetos.

Por volta do início dos anos 60, o movimento R&B começou a decair nos Estados Unidos e tornou-se difícil a aquisição de discos para satisfazer a dieta insaciável de lançamentos que o povo jamaicano exigia. Os donos dos Sound Systems se viram então obrigados a investir no talento dos músicos locais. Começava-se a desenvolver nesta época na ilha, uma música que incorporava as tradições musicais jamaicanas com influências do R&B e das Big Bands, resultando no vibrante e agitado som do Ska. A independência da Jamaica em 1962, deixando de ser uma colônia britânica, ajudou a compôr o momento de criação de uma música originalmente jamaicana.

Quando Bob Marley deixou a escola aos 14 anos, parecia ter apenas uma ambição: a música. Mas, muito para agradar sua mãe, que temia que ele se tornasse um rude boy (como são conhecidos os delinqüentes juvenis na Jamaica), Bob arranjou um emprego de soldador.

Passava suas horas livres ao lado de Bunny aperfeiçoando suas habilidades vocais. Eles eram ajudados por um dos mais célebres habitantes de Trenchtown na época, o cantor Joe Higgs, que dava aulas informais de canto para artistas aspirantes que estivessem interessados em aperfeiçoar suas habilidades. Foi numa destas sessões que Bob e Bunny Wailer conheceram Peter Tosh, outro jovem com grande ambição na música.

Em 1962 Bob fez uma audiência para o produtor Leslie Kong, que veio a bancar suas primeiras gravações. "Judge Not", de composição de Marley, foi a primeira. Apesar de as músicas gravadas não terem sido executadas nas rádios e chamado pouca atenção do público, só vieram confirmar a ambição de Marley de se tornar cantor.

No ano seguinte, Bob decidiu que o caminho a seguir seria montar um grupo. Se juntou com seus amigos Bunny Wailer e Peter Tosh para formar os "Wailing Wailers". Os garotos escolheram este nome à banda porque diziam que, ao nascer no gueto, nasciam a lamentar, e "wail" signifca "lamentar". O novo grupo tinha um mentor: o percussionista rastafári chamado Alvin Patterson, que apresentou os garotos para o produtor Coxsone Dodd. No verão de 1963, Coxsone ouviu os Wailing Wailers e, satisfeito com o som do grupo, resolveu gravá-los e os pôr pra valer nas paradas jamaicanas.

Os Wailing Wailers finalizaram seu primeiro single, "Simmer Down" através do selo de Coxsone, durante as últimas semanas de 1963. Já em janeiro do ano seguinte era a primeira nas paradas jamaicanas, e se manteve nesta posição durante os próximos dois meses.

O grupo, Bob, Bunny e Peter juntamente com outro cantor, Junior Braithwaite e mais duas backing vocals, Berverly Kelso e Cherry Smith, eram a grande novidade no cenário jamaicano. "Simmer Down" causou grande sensação na ilha e os Wailing Wailers começaram a gravar com regularidade para o lendário Studio One de Coxsone Dodd. O grupo agora criava novos temas se indentificando com os Rude Boys das ruas de Kingston. A música jamaicana finalmente tinha uma identidade e alguém que falava a mais pura linguagem do gueto.

Nos anos seguintes, a banda de Marley colocou mais alguns hits nas paradas da ilha, o que estabeleceu a popularidade do grupo mas, apesar disto as dificuldades econômicas que atravessavam fez com que Junior Braithwaite, Berverly Kelso e Cherry Smith deixassem a banda. Além disso, a mãe de Marley havia se casado novamente e se mudado para Delaware, nos Estados Unidos, aonde economizou algum dinheiro para mandar uma passagem de avião para o jovem Marley, naquela altura com 20 anos. A intenção da mãe de Bob era que lá ele começasse uma nova vida. Antes de se mudar para a América do Norte, ele conheceu uma jovem chamada Rita Anderson, e no dia 10 de fevereiro de 1966 casaram-se.

A estadia de Marley nos Estados Unidos teve vida curta. Ele só trabalhou lá o suficiente para financiar sua verdadeira ambição: a música. Em outubro de 1966, Bob Marley, depois de oito meses na América do Norte, retornou à Jamaica. Este foi um período decisivo na sua formação, pois o imperador da Etiópia, Haile Selassie, havia feito uma visita de estado na Jamaica em abril daquele ano, e durante o período em que Bob esteve fora, o movimento rastafári ganhou nova vida nas ruas de Kingston. Marley começou cada vez mais a se aprofundar dentro do espírito e cultura rastafári.

Em 1967, a música de Bob já refletia sua nova crença. Ao invés de cantar hinos para os Rude Boys, Marley começou a compôr temas sociais e espirituais, o que se tornou sua marca registrada e seu maior legado. Uniu-se novamente a Peter Tosh e Bunny Wailer para reorganizar o grupo. Eles simplificaram o nome original "Wailling Wailers" para "The Wailers". Rita tinha iniciado sua carreira como cantora e alcançou um grande sucesso nas paradas com a música "Pied Piper", uma versão cover de uma música pop inglesa. A música jamaicana, por sua vez, estava se transformando: o agitado Ska tinha sido substituído por um ritmo mais lento e sensual chamado Rocksteady.

O compromisso que os Wailers vinham assumindo com o movimento rastafári provocou um certo conflito com o produtor Coxsone Dodd. Então, decidiram controlar seu destino fundando seu próprio selo, Waili'N'Soul. Devido à ingenuidade dos garotos nos negócios, apesar de terem conseguido algum sucesso no princípio, a firma acabou falindo no final de 1967. Apesar disto, o grupo sobreviveu inicialmente como compositores para uma companhia associada ao cantor americano Johnny Nash, que na década seguinte teve um grande sucesso internacional com a música "Stir it Up" de Marley.

No final da década de 1960 e início de 1970, os Wailers também se uniram ao produtor Lee Perry, o mago dos estúdios, que transformou as possibilidades técnicas de gravação em uma forma requintada de arte. A união dos Wailers com Lee Perry resultou em algumas das mais belas produções da banda. Faixas como "Soul Rebel", "Duppy Conqueror", "400 Years" e "Small Axe" não foram apenas clássicos, mas definiram a direção do Reggae. Nesta mesma época, o baixista Aston "Family Man" Barret e seu irmão, o baterista Carlton se uniram aos Wailers. Eram eles que formavam a base rítmica dos "Upsetters", o grupo de estúdio de Lee Perry com quem os Wailers tinham gravado em todas aquelas sessões junto ao produtor. Os dois irmãos eram, indiscutivelmente, a melhor sessão rítmica da época e o The Wailers, junto a eles, começou a ganhar forma. Anos mais tarde, Family Man, numa declaração, disse:


"Nós éramos a melhor cozinha e os Wailers o melhor grupo vocal da Jamaica, então nos perguntamos: por que não pôr o mundo de joelhos?"





Vinícius Matuella - Turma 1IM1 - Web I - Alides Maya