Textos
Título: A poderosa camiseta
Veículo: Jornal ValeParaibano
Caderno: Vale Viver
Jornalista: Liv Taranger
Data: 25/1/2006


A poderosa camiseta

Elas estão no armário de todo mundo. Passa estação, entra tendência e elas continuam ali sempre descoladas e práticas. As camisetas, antes de serem uma roupa do cotidiano tinham outro propósito: elas eram lingeries (roupa de baixo) dos soldados europeus durante a 1ª Guerra Mundial, protegendo-os do frio e do suor.

Com o passar dos anos, este pedaço de pano em formato de "T" foi conquistando a sociedade. Segundo a publicitária e consultora de moda Mariane Cara, que realizou em 2003 o trabalho "Camiseta Mídia no Corpo", a peça é mais um item de comunicação do que de moda. "Ela não muda em volume ou formato, por isto não pode ser considerada parte da moda", disse.

Para ela, alguns pontos fazem da camiseta uma porta-voz muito eficaz de idéias e mensagens. "Primeiro, ela é simples e não possui detalhes como botões, golas ou costuras aparentes, ou seja, não há elementos visuais que poluem a peça. O segundo ponto é que ela fica na altura da visão".

Com estes elementos, no decorrer dos anos a simples peça assumiu diferentes características, sempre aliadas à comunicação, seja por meio de mensagens de protesto, humor, campanhas ou religião.

HISTÓRICO - Foi por meio de dois astros do cinema que a camiseta passou a ser assumida como uma roupa comum do vestuário. Marlon Brandon, em 1951 no filme "Uma Rua Chamada Pecado", e James Dean, em 1955, em "Juventude Transviada", apareceram somente com a peça em cena. "Para a época, foi um escândalo e marcou a popularização do uso da camiseta. A imagem transmitida teve um apelo sensual e jovial", disse Mariane.

Nas décadas de 1960 e 1970, a contestação começou a integrar as mensagens das camisas. A geração hippie elevou o status da camiseta como forma de expressão com frases como "Faça amor e não guerra". No Brasil, o símbolo de protesto foi marcado em 1984 com as "Diretas Já".

Já nos anos 80, a década do poder nos Estados Unidos também fez com que a peça assumisse outra característica. "Foi o 'boom' do exagero e das marcas. Aí neste contexto as camisetas ressaltavam os símbolos destas empresas, como por exemplo a Nike", disse Mariane.

Com a futilidade deixada de lado, nos anos 90 a camiseta caminhou para o minimalismo. Assim, apareceram as cores mais básicas e lisas. No final da década passada, a individualização foi outro elemento que influenciou o uso da peça.

É neste contexto que entra a forte tendência da costumização (leia mais abaixo) e da responsabilidade social. "Vivemos isto muito forte. Hoje, há diversas campanhas que utilizam as camisetas como meio de divulgação e arrecadação de dinheiro", afirmou Mariane.

CASO DE SUCESSO - Com certeza você já viu o símbolo da luta contra o câncer de mama estampado em alguma camiseta. Criada em 1994, nos Estados Unidos, a campanha chegou ao Brasil em 1995 e representa hoje a maior arrecadação mundial. "Nosso país é referência mundial e o maior caso de sucesso da campanha", disse Mariane.



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