Textos
Título: LOURAS PLATINADAS – AS DEUSAS DO UNIVERSO INFANTIL
Autora: Mariane Cara
Evento: INIC
Realização: Universidade do Vale do Paraíba
Ano: 2002


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LOURAS PLATINADAS – AS DEUSAS DO UNIVERSO INFANTIL

Introdução
A partir da década de 80, surge no campo da programação infantil da Televisão Brasileira um fenômeno importante e até mesmo o marco de uma era: A fórmula da apresentadora loura, bonita, sensual, que tem um programa de aproximadamente 3 horas por dia, que em pouco tempo se transforma no ídolo das crianças.

Esta fórmula, que não havia sido utilizada antes, está em vigor há quase 20 anos, contando como início o ano de 1984, embora tenhamos registros anteriores de mulheres bonitas que participaram como apresentadoras de programas infantis, porém não com o mesmo apelo e nem com a mesma padronização.

Vivemos num momento de provável transição, com o retorno de programas diferenciados desta linha como o Sítio do Pica Pau Amarelo, Castelo Rá Tim Bum, entre outras iniciativas, mas ainda é grande o número de importância das Louras no universo infantil.

Este estudo procura sinteticamente comentar este fenômeno da Indústria Cultural e da Cultura de Massa, por considerar o tema pertinente à realidade do consumo infantil e a importância e durabilidade desta fórmula na TV Brasileira.

Um Modelo Nazista
Fazendo uma análise do padrão de beleza das apresentadoras infantis, vemos que este padrão segue a mesma perfeição da beleza loura, ariana, saudável, recém depilada, e alegre - o ideal da beleza juvenil do Norte, a beleza branca européia, bem educada e o sonho da juventude Hitlerista.

Vemos que o padrão de perfeição da beleza de Xuxa e das outras apresentadoras é um padrão que pode ser até comparado com o modelo nazista: racista, seletivo e utópico.

Qual é a relação desta beleza com a beleza brasileira? Praticamente nenhuma, porém é esta beleza que invade as telas todos os dias, aumentando o desejo de imitação deste ideal e gerando também angústia para crianças e adolescentes que não têm este padrão estético.

Uma beleza que exige encenação, artifício, refabricação estética: os meios mais sofisticados, maquiagem detalhista, fotos e ângulos de visão estudados, trajes, cirurgia plástica, massagem... Todo tipo de artifício é utilizado para confeccionar a imagem incomparável, a sedução enfeitiçadora das estrelas que a mídia a todo instante manipula.

Clone
A fórmula da apresentadora loura, bonita, com roupas sempre sensuais, que canta, dança e faz o papel de amiga das crianças, começou com Xuxa Meneghel – poderíamos dizer que ela é a precursora deste modelo. Seu sucesso foi tão grande que deveria ser copiado e produzido em série.



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