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Título: O EFÊMERO DAS COLEÇÕES DE MODA
Autora: Mariane Cara
Evento: INIC
Realização: Universidade do Vale do Paraíba
Ano: 2002


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A citação de partes só é permitida para fins acadêmicos, cumprindo a norma ABNT (NBR 10520) relacionada à Referências Bibliográficas.

O Efêmero das Coleções de Moda

Introdução
Dentro do campo da estética de massas, um dos temas mais pertinentes é o da Moda e sua importância nas relações sociais em todos os tempos e especialmente na modernidade, onde a instituição abrange complexos princípios da ideologia capitalista e instaura na sociedade a febre pelo novo, através da corrida constante pelo lançamento de tendências, de novidades e de coleções seqüenciais, que ao serem lançadas no mercado enterram por completo a coleção passada, marginalizando-a e trazendo a noção de fracasso, esquecimento e ridicularização da coleção passada.

Este trabalho têm a proposta de tratar a questão do novo/efêmero e sua relação com a Moda no mundo contemporâneo (coleções e tendências). O desenvolvimento do texto é baseado principalmente nas idéias do filósofo francês Gilles Lipovetsky, teórico que aborda o vazio, a frivolidade e o individualismo do homem moderno e autor do livro “O Império do Efêmero – a Moda e seus destinos na sociedade moderna”.

A Moda e seu funcionamento na Sociedade de Consumo
A Moda arrebata todas as camadas sociais, está por toda parte na rua, na indústria e na mídia. É uma instituição estruturada pelo efêmero e pela fantasia estética, tomando lugar na história humana e sendo um traço específico do Ocidente e da própria vida moderna.

A estrutura do efêmero na Moda se dá através de suas exaustivas coleções e tendências, onde a cada estação os estilistas, instrumentos principais da indústria do vestuário, se reúnem para ditar o que deve ser um “bom estilo” e o que é definitivamente um “mau estilo”, tudo em prol da própria indústria, trabalhando para tornar belo aquilo que está encalhado nos estoques das fábricas, transformando modelos e cores sem tanto glamour em última tendência, como o cinza e alguns tons de verde (que foram vedetes das coleções mais recentes).

Neste circuito é sempre dada uma “roupagem” de lançamento inovador, criatividade e diferenciação. As coleções de Moda são a febre moderna das novidades, negação do poder imemorial do passado e a celebração do presente social, sendo a dignificação particular do novo e a expressão da individualidade humana.

Em todo processo ditatorial das tendências nas coleções de Moda, além da predominância do novo temos também a erradicação da autonomia do pensamento do consumidor. Ao indivíduo não é dada a oportunidade de reflexão ou escolha do que vestir, dentro das tendências ditadas pelos centros de moda, dificilmente leva-se em consideração sua personalidade.

A Moda pode ser considerada um instrumento da indústria cultural, pois também acarreta a manipulação e a estandardirzação das consciências, dando soluções prontas para consumir. É possível enxergar esta realidade no próprio nome dado às roupas produzidas para a massa – prét-a-porter (pronto para vestir). No momento que a roupa já vem pronta e terminada em si mesma, ela não passa pela capacidade crítica, que é reduzida. Resumindo – é um instrumento com funcionamento semelhante ao da indústria cultural.
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