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ÍNDICE
Quando o sonho perde a razão de existir
Quando seus pés ficam sem chão
Quando a rasteira é tão forte
que você não tem mais forças para se restabelecer
Quando tudo parece ruir
Quando lágrimas e soluços cessam pelo esgotamento
Quando um duro golpe massacra os mais profundos anseios
Neste momento, nada faz sentido
O consolo não acontece
O niilismo é inevitável
A lucidez, a moral e a índole - tão distintas - tornam-se irrelevantes
O que resta é um bagaço humano mediocre e dilacerado
Não há escapatória
Marsolua (ago/2003)
Sê prudente, começa a apurar teu vinho, e nesse curto espaço
Abrevia as remotas expectativas. Mesmo enquanto falamos, o tempo,
Malvado, nos escapa: aproveita o dia de hoje, e não te fies no amanhã.
Horácio, Odes, Livro 1, ode 11, versos 6-8
"aproveita o dia", tornou-se um convite estimulante e de tão forte apelo que você é capaz de ficar um tanto desapontado com o original de Horácio. O poeta aconselha seu amigo, não a ir à luta e conquistar o mundo, mas sim a voltar ao trabalho de sempre. Ninguém sabe o que os deuses lhe reservam, assegura Horácio; então, a melhor coisa é parar de sonhar com o futuro, admitir que a vida é curta, e colher os frutos de hoje.
Cícero (ago/2001)
O VASO DE PORCELANA E A ROSA
O Grande Mestre e o Guardião dividiam a administração de um mosteiro zen. Certo dia, o Guardião morreu e foi preciso substituí-lo. O Grande Mestre reuniu todos os discípulos para escolher quem teria a honra de trabalhar diretamente ao seu lado.
- " Vou apresentar um problema. - disse o Grande Mestre. Aquele que o resolver primeiro será o novo Guardião do templo."
Terminado o seu curtíssimo discurso, colocou um banquinho no centro da sala. Em cima estava um vaso de porcelana caríssimo, com uma rosa vermelha a enfeitá-lo.
- " Eis o problema ", disse o Grande Mestre.
Os discípulos contemplavam, perplexos, o que viram: - os desenhos sofisticados e raros da porcelana, a frescura e a elegância da flor. - Qual seria o enigma ?
Depois de alguns minutos, um dos discípulos levantou-se, olhou o mestre e os alunos à sua volta. Caminhou resolutamente até o vaso e atirou-o no chão, destruindo-o.
- " Você é o novo Guardião." disse o Grande Mestre.
E então explicou:
Eu fui bem claro: disse que vocês estavam diante de um problema. Não importa quão belo e fascinante seja, um problema tem que ser eliminado. Um problema é um problema; pode ser um vaso de porcelana muito raro, um lindo amor que já não faz mais sentido, um caminho que precisa ser abandonado - mas que insistimos em percorrê-lo porque nos traz conforto - Só existe uma maneira de lidar com um problema: atacando-o de frente. Nessas horas, não se pode ter piedade nem ser tentado pelo lado fascinante que qualquer conflito carrega consigo.
Paulo Coelho (ago/2001)
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INSTANTES Si pudiera vivir nuevamente mi vida en la proxima trataria de cometer mas errores. No intentaria ser tan perfecto... me relajaria mas. Seria mas tonto de lo que he sido; de hecho tomaria muy pocas con seriedad. Seria menos higienico. Correria mas riesgos, haria mas viajes, contemplaria mas atardeceres. subiria mas montañas, nadaria mas rios. Iria a mas lugares adonde nunca he ido; comeria mas helados y menos habas; tendria mas problemas reales y menos problemas imaginarios. Yo fui de esa personas que vivio sensata y prolificamente cada momento de su vida; claro que tuve momentos de alegria. Pero si pudiera volver atras trataria de tener solamente buenos momentos. Por si no saben, de eso esta hecha la vida, solo de momentos; no te pierdas el ahora. Yo era uno de esos que nunca iban a ninguna parte sin un termometro, una bolsa de agua caliente, un paraguas y un paracaidas. Si pudiera volver a vivir, comenzaria a andar descalzo a principios de primavera y seguiria asi hasta concluir el otoño. Daria mas vueltas en calesita, contemplaria mas amaneceres y jugaria con mas niños, si tuviera otra vez la vida por delante. Pero ya ven, tengo 85 años y se que me estoy muriendo... Jorge Luiz Borges (abr/2001) |
INSTANTES Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido. Na verdade, bem pouca coisa levaria a sério. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e comeria menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários. Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida. Claro que tive momentos de alegria. Mas se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabes, disso é feito a vida. Não percas o agora. Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, Um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo . |
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PUEDO ESCRIBIR LOS VERSOS... Puedo escribir los versos más tristes esta noche. Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada, y tiritan, azules, los astros, a lo lejos". El viento de la noche gira en el cielo y canta. Puedo escribir los versos más tristes esta noche. Yo la quise, y a veces ella también me quiso. En las noches como ésta la tuve entre mis brazos. La besé tantas veces bajo el cielo infinito. Ella me quiso, a veces yo también la queria. Como no haber amado sus grandes ojos fijos. Puedo escribir los versos más tristes esta noche. Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido. Oir la noche inmensa, más inmensa sin ella. Y el verso cae al alma como al pasto el rocio. Qué importa que mi amor no pudiera guardarla. La noche está estrellada y ella no está conmigo. Eso és todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos. Mi alma no se contenta con haberla perdido. Como para acercarla mi mirada la busca. Mi corazón la busca, y ella no está conmigo. La misma noche que hace blanquear los mismos árboles. Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos. Ya no la quiero, es cierto, pero cuanto la quise. Mi voz buscaba el viento para tocar su oído. De otro. Será de otro. Como antes de mis besos. Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos. Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero. Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido. Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos, mi alma no se contenta con haberla perdido. Aunque éste sea el último dolor que ella me causa, y éstos sean los últimos versos que yo le escribo. Pablo Neruda (jan/2001) |
POSSO ESCREVER OS VERSOS... Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Escrever, por exemplo: a noite está estrelada, E cintilam azuis, os astros, desde longe. O vento da noite gira no céu e canta. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Eu a quis, e às vezes ela também me quis. Nas noites como esta a tive entre meus braços. Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito. Ela me quis, às vezes eu também a queria. Como não haver amado seus grandes olhos fixos. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi. Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. E o verso cai na alma como ao pasto o orvalho. Que importa que meu amor não possa guardá-la A noite está estrelada e ela não está comigo. Isso é tudo. Muito longe alguém canta. Muito longe. Minha alma não se contenta em havê-la perdido. Como para aproximá-la meu olhar a busca. Meu coração a busca, e ela não está comigo. A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores. Nós, os de então, já não somos os mesmos. Já não a quero, é certo, mas quanto a quis. Minha voz buscava o vento para tocar seu ouvido. De outro. Será de outro. Como antes de meus beijos. Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos. Já não a quero, é certo, mas talvez a quero. É tão breve o amor, e é tão longo o esquecimento. Porque, em noites como esta, a tive entre meus braços, minha alma não se contenta em havê-la perdido. Ainda que esta seja a última dor que ela me causa, e estes sejam os últimos versos que eu lhe escrevo. . |
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