Problemas especiais
As informações contidas nesta página, foram retiradas do livro:
O grande livro das mães ( Dr. Jacob Renato Woiski - Editora Melhoramento ).
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A visão da criança nos primeiros doze meses ainda não esta perfeitamente desenvolvida e portanto só é possível constatar as deficiências acentuadas.
As duas anomalias mais freqüentes no 1° ano são a catarata e o glaucoma. Ambas são congênitas, isto é, nascem com a criança, aparecem nos primeiros meses de vida e podem ser eliminadas com intervenções cirúrgicas muito delicadas, mas relativamente comuns e com grande possibilidade de sucesso.
A criança com catarata apresenta a pupila (menina dos olhos) levemente esbranquiçada. Isso acontece quando o cristalino (membrana transparente do olho) torna-se opaca. A cirurgia faz com que a criança volte a ver normalmente, embora com auxílio de óculos.
O glaucoma é uma deformidade do interior do globo ocular que provoca lacrimejamento sob luminosidade forte. Os olhos também ficam vermelhos e um pouco inchados. As chances de cura total são bem maiores quando a cirurgia é feita logo nos primeiros meses.
ATENÇÃO =>
Vermelhidão ou lacrimejamento nem sempre são sintomas de glaucoma. Infecções, alergias ou irritações também podem provocar essas reações, bem como inflamação das pálpebras e um pouco de febre. É o que ocorre nas conjuntivites e terçóis que, nos casos mais simples, podem ser tratados até pelo próprio pediatra.A partir dos 12 meses os pais e o pediatra já podem observar melhor as reações da criança e perceber alguns dos problemas mais comuns de visão. Diante de qualquer suspeita, o melhor a fazer é levar a criança ao oftalmologista.
Miopia, hipermetropia, astigmatismo =>
Conforme a criança vai crescendo, fica mais fácil observar o seu grau de acuidade visual. Ela passa a desenhar, a escrever, a distinguir e identificar objetos distantes. É a partir dessa fase que pode ser constatados os chamados vícios de refração, como a miopia, a hipermetropia, e o astigmatismo.Tais desvios são provocados por pequenas alterações no globo ocular. No caso da miopia, a retina afasta-se um pouco mais da córnea, impedindo que a criança focalize bem as imagens distantes. A hipermetropia é praticamente o inverso, caso em que a criança sente dificuldade para enxergar de perto. O astigmatismo consiste numa pequena modificação da curvatura da córnea, o que cria leve distorção da imagem ocular, dificultando a visão dos detalhes.
Esses distúrbios originam sintomas semelhantes : Dores de cabeça, olhos levemente congestionados e sonolência. Mais tarde, aumenta a dificuldade de enxergar e os próprios pais podem observar os esforços que a criança faz para ler livros, ver televisão, reconhecer pessoas e objetos situados a determinadas distâncias, e assim por diante.
Tanto a miopia, como a hipermetropia e o astigmatismo são tratados com o uso de lentes adequadas. Dificilmente regridem, mas se forem combatidos desde o início podem ter a sua evolução controlada, e às vezes até estacionada.
Ambliopia e estrabismo =>
Aos cinco anos, convém levar a criança ao oftalmologista, mesmo que ela aparentemente não apresente qualquer distúrbio visual. O tratamento de certas anomalias, como a ambliopia, só é eficaz se iniciado nessa idade, quando todos os mecanismos da visão, que não esta ainda se consolidando.Na sua fase inicial, a ambliopia só pode ser constatada pelo especialista. Trata-se de um enfraquecimento progressivo da visão, que não esta relacionado diretamente com nenhum defeito óptico ou lesão da retina. O tratamento desse distúrbio pode ser feito até os 10 anos de idade, por meio de exercícios especiais. Mais tarde, o tratamento será bem mais difícil e bem menores suas chances de sucesso.
O estrabismo pode ser constatado com facilidade quando a falta de paralelismo ou a dificuldade de coordenar os movimentos oculares são bastante acentuadas. É mais difícil percebê-los quando ocorre em grau leve, ou então nos primeiros seis meses da criança, quando ela é normalmente vesguinha devido à falta de coordenação funcional entre os dois olhos. De acordo com o caso, o tratamento consiste em exercícios de reeducação da visão, uso de óculos (às vezes com a oclusão de uma das lentes), ou cirurgia, e é importante que o tratamento seja iniciado assim que se contata a deficiência (em alguns casos, já a partir do 6° mês de idade).
A não ser nos casos mais graves, a deficiência de audição (hipoacusia) nem sempre é logo percebida pelos pais. Nos primeiros meses, só se percebe que o bebê ouve bem quando ele vira a cabeça e os olhos na direção de um som ou quando se excita ou se acalma ao ouvir a voz da mãe.
A partir do primeiro ano, é mais fácil constatar anomalias mais acentuadas, pois a criança já começa a falar e a exigir respostas às suas perguntas. As deformações congênitas do canal auditivo, as lesões do tímpano e outros problemas semelhantes são geralmente diagnosticados nessa época, e seu tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível para evitar que interfiram negativamente no processo de aprendizagem da fala.
É possível que os pais fiquem atentos à maneira como seu filho reage aos mais diversos estímulos auditivos. Assim poderão perceber, por exemplo, um reflexo mais lento a determinados tipos de som, ou uma dificuldade um pouco maior em localizar a proveniência de certos estímulos sonoros.
Ao constatar qualquer problema, procure o otorrinolaringologista. Se a deficiência resultar de um processo infeccioso, este poderá ser combatido ainda no início, antes que se agrave. Se decorre de acúmulo de "cera" no ouvido, o médico fará uma lavagem.
A primeira dentição é sempre acompanhada pelo pediatra. Ele providencia, geralmente, um reforço de flúor, em forma de gotas diluídas na água, a fim de auxiliar o processo de calcificação. Quando os dentes aparecem, seu aspecto permite que o pediatra identifique e trate certas deficiências orgânicas da criança.
Aos 2 anos, a primeira dentição da criança já estará formada, e indicará algumas característica da dentição definitiva. Se a primeira dentição é forte e saudável, ou se apresenta deficiências na constituição do esmalte, ou implantação irregular, são aspectos que já indicam, de certa forma, se a criança terá ou não problemas dentários mais tarde, e quais. O pediatra, conforme o caso, sugerirá à mãe que encaminhe a criança ao especialista já nesse período.
Aos 4 anos e meio, aproximadamente, a primeira dentição começa a sofrer descalcificação. A queda dos primeiros dentes e o aparecimento dos definitivos ocorre entre os 6 e os 12 anos. O pediatra normalmente informa a mãe sobre a data aproximada de surgimento da segunda dentição. Atrasos e antecipações de até 6 meses são perfeitamente normais.
Muitas vezes é também o próprio pediatra quem primeiro constata alguma irregularidade na implantação dos dentes. Esses casos devem ser tratados por ortodontistas (especialistas na prevenção e correção de defeitos dos dentes). Dentes tortos, desalinhados, com implantação alta ou baixa, muito separados ou "encavalados" são corrigidos com pequenas intervenções cirúrgicas ou com aparelhos, fixos ou móveis, que a criança usa durante algumas horas ou o dia inteiro.
A eliminação dessas anomalias é importante para proporcionar uma boa mastigação (e portanto uma melhor digestão dos alimentos), para evitar o desgaste prematuro dos dentes e deformação dos maxilares, como o queixo proeminente, que fatalmente ocorrem como resultado da acomodação irregular dos dentes.
É necessário que a criança abandone certos hábitos como chupar o dedo, roer unhas ou ranger os dentes. Eles são muitas vezes os únicos responsáveis por determinadas anomalias (como os "dentes de coelho") e retardam o tratamento ou impedem que tenha bons resultados.
A partir dos 2 anos a criança deve aprender a escovar os dentes, como uma forma de prevenir a ocorrência de cáries. Mesmo que ela os escove desajeitadamente no início (o que é muito compreensível) é melhor deixar que ela mesma o faça. Se alguém escovar seus dentes por ela pode provocar danos à sus gengiva, além de estar, de certa forma, retardando sua aprendizagem. Mais tarde, a partir da segunda dentição, a melhor maneira de prevenir as cáries e suas conseqüências será, além da boa escovação, a visita periódica ao dentista, no mínimo de 6 em 6 meses.
Os problemas que afetam a estrutura óssea da criança geralmente aparecem ou se tornam mais evidentes durante as fases de crescimento mais acentuado (nos primeiros 5 anos e dos 10 anos até a puberdade).
Nos primeiros cinco anos, além do intenso ritmo de crescimento ósseo, a criança exercita pela primeira vez uma série de movimentos. Aprender a andar, por exemplo, pode significar um esforço muito grande para os membros inferiores, causando desvios que só o ortopedista poderá tratar. Isso ocorre porque os ossos, tendões e músculos, todos eles ainda em fase de consolidação e adaptação, nem sempre se harmonizam perfeitamente desde o início, quando solicitados a realizar novos movimentos. É comum, portanto, a criança pisar torto, ficar com os pés ou os joelhos excessivamente voltados para dentro ou para fora, com as pernas arqueadas ou em "X".
O chamado "pé chato" deve também ser tratado pelo ortopedista. É uma deformação que se caracteriza pela queda do arco da planta do pé. Consequentemente, a criança com a sola dos pés inteiramente em contato com o chão, o que provoca dores nos pés e nas pernas e cansaço fácil quando ela anda ou fica mais tempo em pé. É difícil constatar esse tipo de anomalia antes dos 2 ou 3 anos, pois até essa idade toda criança se apoia normalmente na parte interna do pé e ainda não possui um arco bem definido.
O tratamento que o ortopedista pode recomendar inclui exercícios diários, uso de sapatos ou planilhas especiais e, em certos casos mais resistentes, cirurgia corretiva
Muitos dos problemas de postura que se manifestam por volta de 2 ou 3 anos surgem de fato nos primeiros meses de vida da criança. Uma das causas desses problemas é o hábito de manter a criança sentada no colo, ou amparada por almofadas, antes que ela tenha condições de sentar sozinha (posição que ela só tentará por volta do 6° ou 7° mês). É muito melhor deixa-la de bruços, pois, ao fazer esforço para levantar o tronco e a cabeça, a criança pode desenvolver melhor sua musculatura do tórax e das costas. Da mesma forma, estimulá-la a engatinhar, sem força-la a andar antes do tempo, contribui para preparar convenientemente a sua musculatura, assegurando-lhe uma boa postura mais tarde e evitando problemas com seus membros inferiores.
É difícil falar em emoções num bebê de poucos meses. O que se percebe nele geralmente é uma manifestação emocional difusa e indiferenciada, que acompanha tanto as situações de desconforto, como as de alegria.
Só aos poucos, através de sucessivas experiências, é que as emoções começam a se diferenciar melhor. A afeição, a raiva, a vergonha, o ciúme, o medo passam a se manifestar, ao mesmo tempo em que se formam também combinações mais complexas dessas emoções.
No processo de crescimento, a criança se depara com muitas situações emocionalmente desafiadoras, nas quais terá a oportunidade de "exercitar" o seu repertório de emoções. Ela poderá sentir raiva, medo, ou afeto. Nesses casos, terá sempre elementos para a ação (o ataque, a fuga ou a manifestação de carinho, respectivamente) que lhe permitirão quase sempre restabelecer o equilíbrio anterior.
Efeitos das emoções reprimidas =>
Existem outras, porém, diante das quais a criança não dispõe de meios adequados para reagir emocionalmente, isso às vezes acontece quando a criança é forçada a preencher expectativas opostas da mãe e do pai. Por exemplo, quando o pai é autoritário e rígido, e a mãe é totalmente tolerante e liberal.A repressão prolongada de determinadas emoções, em casa, na escola, ou no processo de socialização da criança, também contribui para gerar conflitos. Diante de alguma frustração, por exemplo, ela reage muitas vezes com raiva, ou então regredindo a comportamentos anteriores (fazendo manha, chupando dedo). São manifestações que podem não agradar os pais, mas são as únicas de que a criança dispõe para enfrentar emocionalmente determinada situação de frustração. E se forem seguidamente reprimidas poderão gerar também um sério conflito para ela.
Mas nem todos os conflitos são prejudiciais, às vezes é através deles que a criança dá passos importantes no seu desenvolvimento emocional. Na verdade, é a falta de solução do conflito ou as soluções inadequadas que podem prejudicar a estabilidade emocional da criança.
A reação às situações de conflito =>
Diante de um conflito que não sabe resolver, a criança geralmente desenvolve um sentimento de ansiedade. A ansiedade, embora, próxima do medo não é, como ele, despertada por um estímulo externo concreto, presente, mas por uma situação imaginada, futura, ou pela impossibilidade de reagir adequadamente.A criança pode reagir das mais diversas maneiras diante das situações que provocam ansiedades. Tudo depende de sua personalidade, da natureza, duração e freqüência do conflito e do grau de ansiedade que ele desperta.
A desatenção, a timidez ou agressividade excessivas, as dificuldades escolares e de expressão são distúrbios emocionais que se colocam, muitas vezes, como a única reação possível para aliviar a ansiedade gerada pelos conflitos.
É comum também que os distúrbios atinjam a esfera física, provocando diminuição, falta ou excesso de apetite, dificuldade em controlar a urina (enurese), insônia, pesadelos constantes, tiques e hábitos motores.
Os problemas da fala, quando não provocados por motivos orgânicos, como defeitos de ouvido, da língua, nariz, paladar, dentes, ou lesões cerebrais, têm também origem em distúrbios emocionais. É o caso da maioria dos tipos de gagueira, da fala atrasada e de quase todas as chamadas dislalias (distúrbios caracterizados pela má pronúncia, troca ou omissão de certos fonemas), que são tratados normalmente em clínicas de foniatria, mas com o auxílio indispensável da psicoterapia.
Em muitos casos, a identificação dos conflitos com ajuda do psicólogo infantil bem como orientação que ele dá aos pais já são suficientes para a volta à harmonia. É o que ocorre na maioria dos casos de distúrbios emocionais gerados por conflitos temporários, como a chegada de um novo irmãozinho.
Nem sempre porém o tratamento desses problemas é assim tão simples. A psicologia desenvolveu muito mais a técnica de diagnosticar os distúrbios do que os meios de resolvê-los, e essa dificuldade é em grande parte explicada pela extrema variedade de situações conflitantes que existem, e pela complexidade dos fatores que intervêm no processo de cura.
Ultimamente, vem sendo bastante enfatizada a importância do "intercâmbio emocional" na prevenção e cura de distúrbios emocionais.
Para a criança, esse intercâmbio está diretamente associado com o relacionamento que ela mantém com os pais, com a oportunidade que estes lhe proporcionam de vivenciar plenamente suas emoções. E com a presença de maior número de situações onde as emoções envolvidas sejam claramente definidas, insentas de ambigüidade e sem aspectos conflitantes.
A orientação que o psicólogo dará nesses casos é importantíssima. Mas ele não fornece "receitas" infalíveis. O intercâmbio emocional só ocorre quando realmente "vem de dentro", quando é feito sem esforço, espontaneamente. Por isso, o fundamental para a solução de determinados conflitos é o empenho dos pais. É preciso que eles façam uma avaliação de suas próprias emoções, de suas vidas, do tipo de relacionamento que mantêm entre si, com o mundo e com os filhos. Muitas vezes, os pais sentem dificuldade em admitir seus próprios problemas e não têm coragem de enfrentar o consultório do psicólogo. Nesses casos, devem vencer as barreiras de seu próprio medo e submeter-se ao tratamento recomendado, que será positivo para eles e especialmente para o filho (essa criaturinha que amam e por quem são responsáveis).
Todo mundo quer ter filhos perfeitamente sadios. Portanto, é normal que quando essa expectativa é frustrada os pais relutem um pouco em aceitar os fatos. Para a criança, no entanto, é imprescindível que os pais superem o mais rápido possível esse primeiro impacto, para que as medidas necessárias sejam tomadas o quando antes.
Conhecer a verdadeira natureza do problema e inteirar-se das possibilidades dos pais e da medicina para resolver ou atenuar a deficiência são informações indispensáveis para oferecer a criança o melhor possível. Os pais devem encarar o problema de boa vontade, tomando decisões realistas para enfrentá-lo.
As necessidades sociais, educacionais e psicológicas da criança excepcional são praticamente idênticas às da criança normal e, com exceção daquelas estreitamente relacionadas com a sua deficiência, podem ser satisfeitas sem cuidados especiais.
É bom, pois, que ela seja colocada em escolas normais, que participe conforme suas capacidades das brincadeiras e atividades da escola e que aprenda também a aceitar e a conviver com os limites colocados pela sua deficiência.
Em casa, como na escola, obviamente, a deficiência impõe cuidados e providências específicas. Isso porém não quer dizer que a criança excepcional necessite de mais amor, proteção e carinho que uma criança normal. Suas necessidades psicológicas podem ter, conforma o caso, algumas particularidades. Mas a tentativa de compensar a deficiência com doses extras de afeto quase sempre produz efeitos desastrosos na criança. Mais cedo ou mais tarde ela acaba percebendo claramente, por trás do "excesso" de carinho, algum sentimento relacionado com a sua deficiência (pena ou compaixão, por exemplo).
A principal tarefa dos pais, ou daquelas pessoas que têm direta ou indiretamente contato com crianças excepcionais, é evitar manter uma relação parcial com elas. E isso pode levar à pior coisa que pode acontecer a uma criança excepcional (a segregação). Infelizmente, a surpresa ou certo constrangimento provocados pela simples visão ou constatação de algumas deficiências fazem com que as pessoas se fixem nessa primeira imagem, e não consigam enxergar "através" da deficiência e constatar que, por trás dela, existe uma pessoa integral com necessidades, aspirações, qualidades e defeitos.