Existe
a Evolução?
Um tema muito debatido nestes últimos três séculos paralelamente à existência de Deus, dos espíritos, dos anjos, etc, é a evolução da vida. Há dois lados extremos aparentemente incompatíveis: o Criacionismo e o Evolucionismo. O criacionismo radical afirma que tudo que está na Bíblia deve ser interpretado literalmente, ou seja, Deus criou o mundo em 6 dias, há mais ou menos 7000 anos atrás de acordo com as datas da Sagrada Escritura. Os seres vivos que existem hoje, existiram desde o começo e nunca se modificaram. O homem foi criado a partir de um pouco de barro modelado por Deus que lhe infundiu uma alma através de um sopro. Já os evolucionistas radicais e materialistas afirmam que tudo o que está na Bíblia é uma lenda fantástica. Deus não existe e portanto não criou nada. A matéria é eterna e tudo passa por modificações, evoluções, tudo por acaso e sem rumo definido.
Até que ponto uma
corrente é verdadeira e a outra falsa? Tentarei explicar aqui, baseado nas
interpretações que os teólogos dão para essas questões e baseando-me também
em argumentos científicos.
1º)
Não se pode dizer de forma alguma que a matéria é eterna.
De acordo com o terceiro princípio da termodinâmica,
a entropia dos sistemas na temperatura 0 absoluto é nula. Ora, sabemos que a
temperatura 0º K é absolutamente inatingível. Logo, a entropia, ou seja o nível
de desordem de qualquer sistema, sempre é positivo. A entropia existe sempre e
tende a aumentar ao longo do tempo. Isto significa que a matéria tende ao caos
completo, à desordem total, à destruição... Sendo assim, se conclui que mais
cedo ou mais tarde a matéria acabará. Se ela acaba, significa que não é
eterna. Então teve um início e terá um fim.
2º) Não se
pode afirmar que a vida vem de matéria inanimada
Louis Pasteur no século
passada provou através de um experimento que da matéria inanimada não provém
animais. Caiu por terra a crença da “Biogênese” ou “Geração espontânea”.
Müller através de uns balões de vidro e tubos do mesmo material, tentou
provar que a partir da atmosfera primitiva da Terra que seria composta de gás
carbônico, água, amônia e metano que são as substâncias provenientes dos
vulcões, aconteceria, através de reações químicas auxiliadas por raios e
altas temperatura, a formação de aminoácidos, e desses unindo-se, formariam
as proteínas que são as bases da constituição dos seres vivos, juntamente
com os ácidos nucléicos. Não sei dizer como é que ele “sabia” da formação
da atmosfera primitiva, uma vez que não estava lá para caracterizar seus
elementos. Mas admitamos que seja realmente
essa a composição daquela época. Ainda assim, surge uma questão que
até o presente não consegui responder: se houve mesmo a formação de aminoácidos,
como
é que depois eles se juntaram para formar as proteínas uma vez que, para a
formação destas é necessário a presença de outras proteínas, as enzimas e,
mais ainda, a presença de ácidos nucléicos que para existirem dependem também
da existência da enzimas? Acho que essa teoria de Müller cheira mais a uma hipótese
do que propriamente teoria, como é chamada... E ainda que essas proteínas se
formassem, como
é que se agregariam formando um indivíduo por mais simples que seja? Acima
mencionei a terceira lei da termodinâmica, da entropia. As reações do
Universo tendem à simplicidade, à desordem, não à agregação de compostos
para a formação de elementos mais complexos. Dessa forma, jamais podemos crer
que um ser vivo vem de uma matéria inanimada. Por aí, a “teoria da evolução”
não parece ser convincente. Albert Einstein disse que o Universo é inexplicável
sem Deus. Para podermos acreditar que, de elementos simples vem elementos mais
complexos até os seres vivos atuais, tem que haver uma intervenção superior
inteligente. Caso contrário, tudo tende ao nada!
3º) Não
existem provas concretas que os seres vivos evoluem de fato
Qualquer
evolucionista afirma que a grande “prova” que existe a evolução é a existência
de fósseis de animais pré-históricos. Sendo assim, nós seríamos
descendentes dos dinossauros e/ou de outros animais que vieram antes ou depois
daqueles monstros. Ora essa “prova” também nos dá outra prova justamente
contrária à “teoria da evolução”.
Explico: existem animais comprovadamente “fósseis vivos” como é o caso do
peixe celacanto (Latimeria chalumnae), pescado no canal de Moçambique,
no século XX. Pensava-se que tal peixe estava extinto há milhões de anos... e
eis que aparece nos nossos dias! Ora
se a evolução existe mesmo, tal peixe não poderia mais ser! Teria evoluído
como todos os outros animais pré-históricos. Além disso, quem é que nos pode
garantir que somos mesmo descendentes daqueles animais? Alguém por acaso viu
sair de um cão um animal que não seja cão? Um cão gera outro cão que sempre
gerará outro cão... Não há prova nenhuma que gerará outro animal. Assim, não
se pode afirmar que somos descendentes de outros animais que não seja homens.
4º) O que se pode afirmar é que a “teoria da evolução” não é uma teoria propriamente dita, mas uma mera hipótese que ainda não foi comprovada, por falta de dados.
Então os criacionistas radicais estariam certos? Não existe mesmo uma evolução? Tudo o que existe é como uma imensa sociedade de “castas”, onde uma coisa nunca se transforma em outra, mas está sempre estática?
Esta é uma afirmação
irracional. São Tomás de Aquino diz que Deus move tudo sem ser movido por
coisa alguma. Se Deus “se move”, significa que Ele muda. Ora, se Deus muda,
Ele deixa de ser Deus, pois Deus é imutável. Então, uma criatura está sempre
em movimento, uma vez que nunca está à 0º K. Se a criatura se move, ela muda,
logo, evolui de alguma forma. Uma lagarta se transforma em borboleta, uma flor
em fruto. Nós somos crianças, depois nos tornamos maduros e por fim
envelhecemos, morremos e acabamos como qualquer criatura do Universo. Não se
pode de forma alguma afirmar que somos estáticos no tempo. Se ao nível de
indivíduo nos modificamos, por que não ao nível de sociedade, de espécie?
Sabemos que existe uma grande quantidade de raças de cães de gatos de vacas,
etc. A maioria dessas raças foi elaborada por seleção feita pelo homem. Na
natureza também ocorrem fenômenos semelhantes que originam várias raças e
subespécies de animais e
variedades de plantas. Supõe-se que o isolamento geográfico dá origem a espécies
distintas que se cruzadas poderão dar híbridos estéreis. Esta suposição é,
ao meu ver, o melhor indício
da existência da evolução da vida.
Mas alguém poderia
me dizer: e a Bíblia? Não é verdadeiro tudo o que ela diz? Eu respondo: Claro
que é! Mas muitas coisas na Sagrada Escritura estão escritas em linguagem simbólica,
ao modo oriental, para que as pessoas possam entender melhor. A Bíblia não
pretende ser de forma alguma um livro científico. Ela é a palavra de Deus para
orientar nossas almas na nossa peregrinação terrestre. A ciência, que será
sempre imperfeita, cabe ao homem fazer. Assim, desse modo, quando se diz que
Deus fez o mundo em seis dias e depois descansou, não significa exatamente 6x24
horas, mas um tempo no qual o mundo foi criado. Para Deus, um minuto pode ser
mil anos e vice-versa. Concluímos pois, que pode ser que a Terra e todo o
Universo pode ter existido há mais tempo do que a Bíblia fala. Tudo para a glória
extrínseca de Deus!
A evolução é
portanto, um ensinamento que diz que todas as espécies de plantas e animais,
incluindo o homem, se desenvolveram através de uma longa série de mudanças
progressivas dos tipos mais simples ou primitivos para outros mais complexos até
aos atuais.
O
ensinamento da revelação (na Bíblia ou na tradição), ensina as seguintes
verdades que têm relação com este assunto:
1º) Deus é a causa primeira de todos os seres, qualquer que tenha sido o desenvolvimento evolutivo.
2º) A alma de cada homem incluindo o primeiro homem e a primeira mulher, é criada por um ato especial de Deus, é espiritual e não evolução de algo previamente existente.
3º) Todo o gênero
humano descende de um único casal, Adão e Eva.
A Evolução que não negar a existência de Deus nem de alguma verdade revelada por Deus e ensinada pela Igreja, é simples hipótese que deverá ser aceita ou rejeitada segundo o valor de seus argumentos científicos.
A “teoria”
evolucionista materialista nega a existência de
Deus sem no entanto, conseguir explicar a evolução. A “teoria
evolucionista” católica defende a existência de Deus, explica a evolução
pela potência evolutiva dada por Deus ao primeiro ou primeiros seres vivos, e vê
na evolução um poderoso argumento para confirmar a existência de Deus. Logo
que for provado cientificamente o fato da evolução, deverá reconhecer o homem
a inteligência e a onipotência do Ser que planejou e executou de maneira tão
sublime o Universo.