O
despertar para a contemplação da Natureza
Há
cerca de 85 anos um homem da Idade da Pedra desceu das montanhas do Norte da
Califórnia. Chamava-se Ishi e era o último membro de uma tribo de índios que,
durante a sua infância, se escondera nas montanhas. Nunca utilizara uma
ferramenta de metal nem de qualquer outro material para além da pedra e da
madeira. O seu aparecimento causou sensação nos meios científicos. Porém,
ignorou-se freqüentemente o fato de lshi saber observar a Natureza. Alguns
minutos apenas após penetrar numa floresta, Ishi sabia onde se ocultavam os
animais, onde encontrar água potável e plantas comestíveis. Os sentidos da
visão, do olfato e da audição de Ishi provavelmente não eram mais apurados
do que os seus: simplesmente ele sabia utilizá-los.
Os
homens que vivem ao ar livre como Ishi aprendem através da experiência. E se
acaso existe algo de importante que ele nos possam ensinar, é o fato de não
ser necessário saber muito sobre a Natureza para nos apercebermos da sua
atividade basta apenas deixar atuar os sentidos. Por exemplo, o som é a chave
que permite observar os animais selvagens. Se, no próximo passeio, reparar no
que atraiu sua
atenção para um determinado animal, ficará surpreendido ao verificar o número
de vezes que o ouviu antes de o ver.
Um
grande número de animais serve-se do som para comunicar entre si e para se
alertarem em caso de perigo. Assim, poderá observar ainda melhor a vida selvagem
se evitar produzir ruídos desnecessários. Se estiver conversando, fale em voz
baixa (curiosamente, os murmúrios podem ser ouvidos a maior distância; muitas
vezes o murmúrio contém um som sibilante que pode afugentar os animais que
você procura). Por vezes, pode verificar os resultados conseqüentes da quebra do silêncio
ao encontrar um grupo ruidoso de pessoas que passeia num caminho e ao constatar
que, freqüentemente, são precedidas por uma “vaga”. de animais assustados.
Para
um considerável número de pessoas, um dos aspectos mais atrativos da observação
da Natureza resulta do fato de se ser observado pelos próprios animais. Com
efeito, já imaginou como um ser humano deve parecer estranho a um minúsculo
roedor ou a uma ave? Aconteceu a muitos fotógrafos da vida animal terem
colocado
cuidadosamente a máquina fotográfica à entrada de uma toca ou junto a um
ninho e esperarem para virem a descobrir que o seu habitante se encontrava a
uma certa distância, demasiado ocupado a observá-los para regressar ao seu
esconderijo. Esta a razão por que o segredo para o êxito na observação da
vida animal reside na integração no cenário natural.
Os
aromas silvestres são ofertas requintadas da Natureza. Encontram-se sem se
procurarem. Porém, quando subitamente distinguir uma fragrância delicada,
aproveite-a ao máximo. Esquece-se freqüentemente quão apurado é o sentido
do olfato de um ser humano. Ishi seguia o rasto de um animal pelo olfato.
Detenha-se
ocasionalmente a analisar os aromas que o rodeiam. Sem dúvida ficará
surpreendido, não só pela variedade dos perfumes, mas também pela sua própria
capacidade de os identificar. O cheiro das ervas aromáticas: hortelã,
rosmaninho, alfazema, vergamota, tomilho, bela-luz, mangerona, orégano, para
citar apenas algumas, enriquece o ambiente onde se propaga.
O
olfato permite-lhe reter na memória e saborear experiências. Curiosamente, o
odor parece estar ligado à memória num grau extraordinariamente
elevado.Provavelmente, a razão por que se fala tão pouco do sentido humano do
olfato reside na dificuldade de traduzir em palavras esta percepção especial.
Contudo, se alguma vez lhe acontecer ser fortemente impressionado por um aroma
em data e local específicos, a qualquer momento esse aroma o fará reviver essa
ocasião e esse local.
(Ao
Encontro da Natureza; Seleções do Reader’Digest)