As
nossas orações não são sempre atendidas?
Várias
vezes prometeu Jesus dar-nos tudo quanto lhE pedirmos:
“Pedi
e recebereis, procurai e encontrareis, batei e abrir-se-vos-á, porque todo
aquele que pede recebe; o que procura encontra; e a quem bate abrir-se-lhe-á”
(Mt. 7:7). ‘Tudo quanto pedirdes na oração, crede que o recebereis e
obtereis” (Mc. 13:24). Na sua primeira epístola, S. João afirma três vezes
que Deus nos concede tudo quanto Lhe pedirmos. O mesmo disse o Anjo aos
Pastorinhos de Fátima. “Os Corações de Jesus e de Maria estão atentos à
voz das vossas súplicas”. Quer dizer, Jesus e Nossa Senhora escutam sempre as
nossas orações.
Para
que as nossas orações sejam atendidas é preciso, entretanto, que perante o
Pai interponhamos os merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, Nosso
Mediador. E o que faz a Igreja que termina todas as orações e súplicas
pedindo “por Nosso Senhor Jesus Cristo”. Não quer isto dizer que não
possamos valer-nos da intercessão de Nossa Senhora e dos santos, que são os
grandes amigos de Deus e nossos protetores.
Santo
Agostinho afirma que se as nossas orações não foram atendidas é porque: “mali”,
porque somos maus; “male”, porque pedimos mal; “mala”, porque pedimos
coisas más.
1.
Mali - maus - Se fazemos sempre a vontade de Deus, também Ele fará a nossa
vontade, como Ele próprio declarou: “Se permanecerdes em Mim (em estado de
graça) e as minhas palavras permanecerem em vós (se cumprirmos os seus
mandamentos) pedi que quiserdes e ser-vos-á concedido”(Jô. 15:17).
Por
isso é que os Santos obtinham, como ninguém, as graças de Deus.
2.
Male - mal - Para rezar bem é preciso rezar com fé, como disse Jesus: “Tudo
é possível a quem crê” (Mc. 9:23) até transportar montanhas, se tivermos
“uma fé que não duvide” (ibid.). 5. Tiago declara que quem quiser obter de
Deus
a sabedoria “peça-a com fé e sem hesitar, porque aquele que hesita
assemelha-se à onda do mar que é levada e agitada pelo vento. Não pense tal
homem que receberá do Senhor seja o que for” (Tg. 1:5-8).
Ao
conceder as graças ou fazer milagres, quer corporais quer espirituais, Jesus
costuma dizer: “Faça-se segundo a tua fé... Foi a tua fé que te salvou”.
Elogia a fé do centurião (Mt 8:10) e da cananéia (Mt 15:28). Pelo contrário,
os habitantes de Nazaré não alcançaram graças e milagres por causa da sua
“falta de fé” (Mc 6:6) e repreende a “pouca fé” dos seus discípulos
(Mt 8:26).
Para
rezar bem é preciso pedir com humildade, como o publicano do templo (Lc.
18:1-8), porque “Deus resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes”
(l Pd. 5:55) “Quem se humilha será exaltado e quem se exalta será
humilhado” –disse Jesus (Lc4.1 1).
E
preciso pedir com constância, ou persistência, isto é, uma e muitas
vezes.
E a lição que Jesus nos dá com as parábolas do amigo importuno(Lc. 11: 5-13)
e da viúva persistente (Lc. 18: 1-8).
3.
Mala - coisas más - Deus, como é Pai, só nos concede as graças que
forem para glória sua e bem das nossas almas. Ele não é capaz de dar ao filho
“uma pedra em vez de pão ou uma serpente em vez de peixe” (Mt 7: 9-10).
No
Jardim das Oliveiras, Jesus pediu ao Pai que O livrasse do cálice (sofrimento)
da sua paixão e morte. Apesar de ser o seu filho muito amado, no qual pôs
todas as suas complacências, não lhE fez a vontade, mas mandou-lhE um anjo
para O confortar na sua agonia (Lc. 22:48). Se O escutasse, não teria a glória
da Ressurreição e nós não seríamos salvos.
As
graças que forem certamente para glória de Deus e nosso verdadeiro bem, tais
como a salvação, não cair em pecado, a virtude, o Senhor concede-as sempre,
se as pedirmos com as devidas disposições.