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Crônicas
de Den, o velho bardo místico!
A
primeira viagem
Parte
III - A procura pelos elfos (continuação)
Ficamos
ali até o meio dia, quando, finalmente, resolvemos partir
depois de uma rápida segunda refeição.
Kiensai
conduziu a carruagem durante todo o quarto dia de viagem enquanto
nós conversávamos lá dentro. Durante todos
aqueles dias de viagem pude aprender muito da personalidade daquelas
pessoas que vinham de lugares tão distintos. Ifelius, o elfo
azul, era uma pessoa de extrema inteligência e delicadeza,
mas tinha um ar superior, percebi que ele achava as pessoas daqui
do sul um tanto quanto ignorantes, e que ele estava aqui para dar
um auxilio à nós "pobres homens do sul que não
conhecem os mistérios de Talivora e toda sua maldade",
ao menos foi isso que pude captar dele durante nossas conversas,
não obstante, era uma boa pessoa, e percebi muito bem que
sentia uma grande saudade da sua terra natal, a Terra do Gelo.Já
Airok era um homem destemido, um homem de guerra que agia primeiro
e pensava depois, mas de forma alguma era bruto ou mal educado,
pelo contrário, tinha toda uma pompa na sua oratória.
E antes de tudo era uma pessoa muito boa, apesar de às vezes
ser difícil de se perceber isso. Senti também que
ele tinha uma certa inveja da sabedoria de Ifelius e Kiensai.Kiensai
que era o mais velho entre nós, tirando Ifelius que era um
elfo, logo, com certeza, tinha centenas de anos, era também
o mais sábio à sua maneira, conhecia muitos mistérios
que até Ifelius desconhecia, e sempre tentava nos ajudar
com seus ditados do Deserto. Kiensai era fechado, mas sempre conversava
em particular com Ifelius, eles dois eram típicas pessoas
que sabiam muito e queriam saber ainda mais. De qualquer forma,
Kiensai era uma boa pessoa para se consultar, está sempre
disposto a ajudar os outros com sua sabedoria. Fiarn foi meu melhor
amigo, era o mais novo - com minha exceção é
claro - não tinha tanta sabedoria quanto Ifelius e Kiensai,
e nem força e elegância na fala como Airok, mas com
certeza era o mais agradável para se conversar. Fiarn estava
sempre sorridente e disposto a conversar comigo quando eu ficava
sozinho olhando Airok discutir com Ifelius e Kiensai sobre o verdadeiro
valor da força física na guerra e coisas do tipo que
eles adoravam discutir e do qual eu sabia tão pouco. Talvez
ele fizesse isso por ter me empurrado para a minha aventura, talvez
ele quisesse me proteger, ou simplesmente gostava de conversar com
pessoas que nada sabiam e nada tinham a oferecer de útil
apenas meu pequeno sorriso amarelo.
Passados
seis dias de viagem, estávamos exatamente na direção
de Sihn, deveríamos nos dirigir para a estrada agora, chegando
do outro lado de Sihn, com apenas a floresta à nossa frente.
- Vamos andar até anoitecer em direção à
cidade. - Ordenou Airok apontando para a estrada que saía
dos portões da Grande Cidade - Quando o Sol cair acamparemos
uma última vez, devemos compensar o tempo perdido dando a
volta. Chegaremos na estrada no sétimo dia de viagem e depois
levaremos mais nove dias em linha reta até Clannorian, não
é isso Ifelius?
- Sim, segundo meus cálculos sim! Eu conduzo a carruagem
até a noite.
Ao chegar a noite do sexto dia, acampamos como combinamos. Podíamos
ver algum movimento na saída da cidade, poderíamos
chegar lá em vinte minutos a pé. Havia duas grandes
tochas no portão. Não acendemos fogueiras para não
sermos importunados. Comemos rapidamente e logo nos preparamos para
dormir. Mas eu fiquei de guarda, e vi um grande movimento na cidade.
Já estava noite alta quando houve uma grande agitação
nos portões, muitas pessoas corriam, não para fugir,
mas para abrir passagem. Acordei o pessoal, todos vieram ver, uma
grande sombra parecendo uma carruagem saiu em disparada da cidade,
não dava para ver nada, estava muito escuro, víamos
apenas as projeções das grandes tochas no portão.
Atrás da carruagem que já ia lá na frente vinha
correndo o que todos temiam pequenas criaturas apoiando as mãos
e os pés no chão, e corriam com grande velocidade.
Algumas perseguiam a carruagem enquanto outras ficavam e aterrorizavam
quem estava por perto.
- São elas! - gritou abafadamente Airok - Vamos até
lá.
- Não! - impediu Ifelius. - Não podemos ir de encontro
ao perigo mortal, ainda mais você nas condições
que está. Vamos segui-los paralelamente à estrada,
assim poderemos ver o que acontece sem sermos percebidos.
- Ora, então vamos logo, a carruagem já vai logo à
frente! - Com isso Airok pegou as rédeas dos animais e botou-os
a galopar forte.
Perseguimos
a sombra da carruagem, que ia se apagando cada vez que se afastava
da cidade, o que fez com que Airok se aproximasse mais ainda da
estrada.
- Não tão perto Airok! - gritava Ifelius.
- Se eu tivesse olhos de elfos poderia enxergá-los claramente,
mas não é o caso Ifelius. - Com isso ele já
estava quase na estrada bem atrás das criaturas quando uma
delas olhou para trás. - Atire Ifelius, agora! - A contra
gosto Ifelius sacou seu arco e acertou um golpe certeiro na criatura.
A criatura soltou um grito sombrio e frio que aterrorizaria o mais
corajoso dos guerreiros se houvesse alguém na estrada àquela
hora da noite. As outras criaturas que corriam atrás da carruagem
olham para trás e pararam, eram três, duas pularam
na direção de mais uma flecha certeira de Ifelius;
a outra atravessou a lâmina da espada de Fiarn; e a terceira
foi atropelada.
Com
todo aquele barulho algumas cabeças saíram da carruagem
para olhar pra fora, era o que temíamos, a carruagem estava
entupida de criaturas oriundas de Talivora.
- Carruagem da Morte! - gritou Ifelius com muito terror na voz,
quase chorando.
- O que está dizendo, Ifelius? - gritou Airok que agora conduzia
a nossa carruagem bem atrás da carruagem perseguida.
- Saía da estrada Airok, não podemos com essas criaturas!
- gritou novamente Ifelius tomando as rédeas de Airok.
- O que está fazendo Ifelius? Não deixe o medo te
dominar. - falou Kiensai colocando as suas mãos na cabeça
do elfo.
- Pare Kiensai, não estou sob feitiço algum, olhe
você mesmo! - dezenas de cabeças agora saíam
da carruagem inimiga, todas sorriam para nós, e uma chamava
nossa atenção ela vestia roupas, e usava uma tiara
com um símbolo estranho, que fica no meio da testa, o símbolo
tinha a forma de um sol, um sol enegrecido, exatamente o símbolo
de Talivora que Ifelius tinha visto na sua terra e que o trouxe
para a nossa busca. - Não podemos contra a Carruagem da Morte,
meu deus Gélius nos avisou sobre uma carruagem que não
poderia ser enfrentada, e que surgiria no nosso caminho, só
pode ser ela.
- E o que você propões elfo azul? Que fujamos? Sem
nem saber o que levam eles naquela carruagem e o por quê?
- Persegui-los não é uma boa idéia de qualquer
forma. - disse Ifelius fazendo a volta na direção
de Sihn. - Ou você pretende perguntar isso a eles? Nossa resposta
esta na cidade de Sihn, é de lá que a carruagem veio,
foi um erro desviar da cidade, a resposta estava lá o tempo
todo.
- Bom, a idéia foi sua e do Airok de não passarmos
por lá. - retrucou Firan sentando-se desapontado e ainda
assustado com a cena da carruagem que agora se afastava atrás
de nós em direção à Floresta de Clannorian.
Levamos
pouco mais de cinco minutos para chegar aos portões de Sihn,
mas fomos recebidos como inimigos, a guarda já esta à
postos, e arqueiros com flechas de fogo disparavam contra nós.
- Droga, o que significa isso? - disse Ifelius protegendo a cabeça.
Eu estava do lado de fora também mas os outros nem viram
quando acertaram um dos nossos cavalos, o que fez o outro se assustar
e cair a carruagem fatalmente despencou na pequena depressão
que havia na borda da estrada. A ultima coisa que lembrava era de
um dos cavalos cair sobre minhas pernas e a carruagem rolando depressão
abaixo.
Acordei
num quarto especialmente branco; paredes, teto, lençóis
e camas; estava deitado numa cama próximo a uma janela, e
meus companheiros em outras quatro camas. Minha cabeça girava
mas o resto do meu corpo parecia saudável, um forte cheiro
de orquídeas vinha da janela, e só agora reparei que
era dia e luz do Sol que batia nos meus olhos ofuscava minha visão.
Tentei levantar-me quando uma moça entrou pela pequena porta
única do quarto.
- Oh! Vejo que já acordou! Chamam-me de Alexia e estou aqui
para servi-los no que precisar. Mandaram-me para verificar se tinham
acordado e pedir desculpas pelo incidente da noite anterior. Como
o senhor se sentindo?
- Um pouco tonto, e com fome. - respondi um pouco encabulado, não
estava acostumado a ser tratado assim com regalias muito menos ser
chamado de senhor. Além disso era difícil encontrar
garotas tão belas como ela na minha pequena cidade, ela tinha
cabelos negros e bastante lisos tinha uma face jovial e uma pele
clara, não devia ter muito mais que a minha idade, talvez
a idade de Fiarn.
- A fome é efeito das ervas, e a tontura logo irá
passar quando sair de perto da janela, é o cheiro das orquídeas
junto com as ervas. Por favor acompanhe-me. Consegue andar sozinho?
- Sim, é claro. Mas pode me dizer o que exatamente aconteceu
na noite passada?
- Não posso responder nada que diz respeito a isso, apenas
me mandaram pedir desculpas, vou levá-lo a cozinha lá
poderá comer, depois chamarei o chefe de milícias
para tratar sobre isso.
Saímos
do quarto e entramos num curto corredor viramos à direita
e descemos uma escada que dava numa grande cozinha onde havia uma
grande mesa.
- Sente-se por favor senhor...
- Den, apenas Den, sem senhor por favor.
- Desculpe-me... Den. Mandarei buscar uma bela refeição.
- Com isso ela saiu. Havia muitas pessoas na cozinha, muitos cozinheiros,
soldados, e outras pessoas que não faziam idéia do
que eram mas passavam a todo momento pelas duas portas que haviam
no aposento além da escada. Poucos minutos depois, Alexia
trouxe uma bandeja com várias frutas, legumes, pão
e sopa. Sirva-se por favor. Com isso ela sentou-se cansada próximo
à mim na mesa.
- Mas então Den, o que trouxe vocês aqui naquela noite
tão perturbada? A cidade está em pânico depois
do que aconteceu, suspeito que não sejam turistas ou mercadores
azarados...
- Suponho que se não pode falar nada sobre o que aconteceu
a noite passada, eu também não deveria falar dessas
coisas com você.
- Nesse caso acho que posso falar só um pouquinho. - Ela
parou para se certificar que não havia ninguém escutando,
e começou a falar como se lembrasse de coisas terríveis.
- Aquelas criaturas apareceram aqui na cidade não sei como
e saíam matando todos que encontravam pela frente, mas se
dirigiam para o palácio, eram centenas delas. Depois eu só
soube que elas fugiram numa carruagem, acho que confundiram vocês
com a carruagem inimiga.
- Explicou tudo direitinho Alexia - disse um homem vestido com gibão
de couro com a insígnia da cidade. - Mas acho que o senhor
aqui quer comer em paz e não tem tempo para suas fofocas,
tudo será explicado no seu devido tempo.
- Capitão! - falou ela assustada - Desculpe-me, eu... Já
estou saindo. - Com isso ela saiu correndo.
- Desculpe-me senhor capitão, eu insisti para que ela conta-se.
Estava muito curioso. A culpa não foi dela.
- Não precisa protegê-la Senhor...
- Belask, Den Belask. E não estou a protegendo, estava falando
a verdade, espero que haja nenhuma punição para com
ela, e não ter causado nenhum problema.
- Não, nenhum, Senhor Belask. Sou o Chefe de Milícias,
Capitão Jester. Quando acabar sua refeição
peça para alguém levá-lo até minha sala,
lá irei esclarecer todas as suas duvidas senhor, e vou mandar
ver se seus companheiros já acordaram. Por hora, coma tranqüilamente.
Atém Mais. - Com uma reverencia foi em direção
a escada.
Continua...Voltar
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