Crônicas de Den, o velho bardo místico!

A primeira viagem

Parte III - A procura pelos elfos (final)


Continuei minha refeição, mas não parava de pensar nas palavras de Alexia. Eram centenas de criaturas, não sei o que seria pior. Vir direto à cidade de encontrar com elas, ou perdê-las e deixá-las ir com o que queriam como aconteceu. De qualquer forma, não adiantaria ficar ali pensando, tratei de terminar de comer e procurei Alexia com os olhos para me levar até a sala do Capitão. Não a vi, mas mandei uma das gordas cozinheiras chamá-la. Ela veio atém mim com receio do capitão estar por perto.


- Tentei te livrar de qualquer punição, eles fazem muito isso? Pela sua cara...
- Não se preocupe, vou ficar bem, bom, vejo que já terminou. Vou levá-lo até o Capitão. - Disse ela puxando-me pelo braço. - É por aqui. O Capitão parece uma pessoa má, mas na verdade é muito gentil, só que desde ontem de noite ele não tem sorrido muito, acho que ele fez isso pela primeira vez quando falou com você. De onde você vem, Den? O Capitão o trata como se fosse alguém muito importante, você é?
- Não, mas acho que meus companheiros são, ao menos um pouco. Tem haver com essas diplomacias entre reinos eu acho. - Ela me levava pelo corredor que viemos, mas agora passava direto pela passagem que dava no quarto.
- Nossa! Eu nunca saí desta cidade, não conheço nenhum reino... de que reino você é?
- Bom, acho que deste aqui mesmo, sou de uma pequena cidade a leste de Sihn. Mas meus companheiros são do Deserto, outro é do Reino do Sol, e o elfo, e da Terra do Gelo, ele é um elfo azul. - Alexia parecia o tipo de garota ingênua que sonhava em sair de sua cidade e conhecer o mundo como eu, mas ela não parecia ter ouvido falar de nenhum daqueles reinos, nem mesmo dos elfos azuis ou suas magias.
- Parece interessante... - disse ela sem saber se aquilo era muito grandioso, ou apenas bons vizinhos que viviam ali do lado.
- Sim, com certeza é...
- Bom, é aqui que nos separamos. Espere um pouco. - Havíamos chegado a uma porta grossa de madeira, depois de muitas curvas e escadas, me perderia se não estivesse com ela, ela bateu três vezes na porta e entrou, me deixando do lado de fora. - Capitão Jester, o Senhor Den está aqui.
- Faça-o entrar. - disse a voz soberana do capitão lá dentro. Alexia saiu e se despediu de mim com um aceno de mão e saiu correndo. Entrei.


- Senhor Capitão. - Disse-lhe eu. A sala era bastante espaçosa, havia um longo sofá na parede direita algumas poltronas na parede à minha frente embaixo de uma grande janela, à esquerda ficava uma mesa e uma cadeira onde o Capitão Jester estava sentado, acima da sua cabeça um grande quadro com uma pintura abstrata que figurava uma coroa no Centro de Lendell preenchia a parede da esquerda.
- Senhor Belask, por favor, sente-se. Antes de tudo queria pedir desculpas pelo acontecimento de ontem, se algum de vocês tivesse morrido não sei o que aconteceria. Como Alexia lhe disse, pensamos que fossem a aquelas criaturas novamente.
- Senhor, peço-lhe que conte-me tudo o que aconteceu naquele dia, desde o início, por favor. - Estava um pouco nervoso e tenso, pois nunca havia conversado com alguém tão importante, talvez só Airok e Kiensai, mas estes não estavam nas suas posições. Em fim, se alguém além de mim estivesse acordado, com certeza não seria eu que faria as perguntas para o capitão. De qualquer forma eu tentei parecer importante, pois eles pensavam que assim eu era. - É muito importante que o Senhor não omita nada, pois nossa missão tem relação com essas criaturas, e ela envolve todo o futuro de Lendell.
- Sim, claro, vejo que sim. - Ele parou de falar por um instante, e nesse momento pensei que ele iria perguntar de onde eu vinha. - Senhor Belask, vejo que você já tem conhecimento dessas criaturas. Foi no final da tarde, ela chegaram, não sei de onde surgiram, eram centenas, atacavam todos que viam pela frente, mas um grande grupo rodeava um deles, e esse grupo se dirigia para o Palácio Imperial de Sihn. A milícia estava despreparada, é claro, nunca esperaríamos um ataque tão grandioso como este, repentino, e ainda por criaturas tão vis como estas. Não obstante protegemos o Palácio com todas as forças, reunimos todos os soldados ali.

- E o povo? Como queriam que estes se defendessem? - perguntei indignado, pois aquilo contrariava tudo que eu achava da honra dos cavaleiros de uma grande cidade como Sihn, mas afinal eu era muito ingênuo naquela época.
- O nosso rei estava no palácio. - respondeu Jester como se aquilo fosse óbvio - E de qualquer forma, eles arrasaram nossa parede de escudos como uma nuvem gafanhotos devoram uma plantação. Eles entram lá.
- E o que eles procuravam? Eles encontraram? Você os viu?
- Sim, na verdade eu estava dentro do palácio junto com outros soldados, fazendo a proteção pessoal do Rei, mas esse foi o nosso maior erro. Não imaginávamos que eles queriam aquilo.
- O que? O que eles queriam?
- Existe uma câmera no Palácio Imperial que guardava um artefato, era do conhecimento de poucos, e apenas uma pessoa sabia sua utilidade. Aquelas criaturas malditas o mataram, ele era o guardião da câmera e era também o meu irmão.
- Oh! Eu sinto muito Capitão Jester. Mas, por favor, conte-me, que artefato era esse?
- Era uma placa feita de pedra, nela estava gravada alguns símbolos. Meu irmão me falou para que servia antes de morrer. É algum tipo de senha para abrir uma outra câmera que não fica aqui e sim na Floresta de Clannorian, para onde eles estão se dirigindo agora presumo eu.
- E ele disse o que há nesta outra câmera?
- Não sobre isso ele não teve tempo de falar. Mas agora preciso saber, o que trouxeram vocês aqui, o senhor disse que tem relação com essas criaturas.

- Sim, é verdade. - relatei tudo que sabia, tudo que foi dito na reunião na casa de Estur. Falei da relação das criaturas com Talivora, e dessas com os Trolls dos Pântanos e Boquinagar, aterra dos orcs e goblins, relatados por Ifelius; falei dos ataques dos Trolls e da captura de algumas pessoas do Reino do Sol, relatado por Airok; disse sobre os ataques dos homens de olhos vermelhos e capuz no Deserto, do roubo do corpo do Príncipe Gestiu e de sua espada Kitario, relatado pos Fiarn e Kiensai; e falei também sobre a relação da Espada de Kitario com os elfos de Clannorian. - A Espada Kitario foi feita pelos elfos de Clannorian, dada de presente ao Príncipe Gestiu para selar uma aliança entre os dois povos, e foi batizada com o nome do pai do príncipe, pois ele morreu numa batalha ajudando os elfos verdes. Estávamos indo para a Floresta saber o que essas criaturas poderiam querer com a espada, o que esta espada tem de tão importante. E por que os homens de capuz ainda estão rondando o Deserto, o que mais além do corpo do príncipe e da espada eles poderiam querer.
- Está história que você conta é intrigante Den. Pena que não posso ajudar mais. Reconheço que este problema envolve toda Lendell, mas como pode ver, nossos exércitos foram reduzidos, e na verdade não vejo necessidade de um grande exército para entrar na Floresta e colher informações. De qualquer forma estou disposto a ajudar... - o Capitão foi interrompido por três batidas na porta de novo, Alexia entrou de novo.

- Com licença Capitão, Senhor Den, os outros já acordaram e já fizeram suas refeições matinais, estão aqui.
- Isso é bom, faça-os entrar.
- Sim, senhor. - Ela saiu e Airok, Ifelius, Kiensai e Fiarn entraram.
- Senhores sentem-se por favor, seu amigo Den Belask já me relatou tudo e eu já expliquei-lhe tudo o que aconteceu ontem a noite. - Contou-se tudo de novo para os que tinham chegado. - E agora mesmo estava falando com Den que não tenho como ajudar muito, pois nosso exército está reduzido...
- Não precisamos de exército, senhor. - interrompeu Ifelius.
- Sim, eu sei, mas estou disposto a da cinco cavalos leves e velozes para os senhores, assim chegaram na Floresta mais rápido até do que se não tivessem parado aqui.
- Nós agradecemos, senhor. - disse Fiarn sorridente. - Mas tem uma coisa que não ficou muito clara. Ifelius, você nos disse sobre a Carruagem da Morte, explique-nos melhor sobre isso.
- Bom, como eu disse meu deus Gélius nos relatou sobre uma carruagem, que ele chamou de Carruagem da Morte. Ele disse que esta Carruagem levaria uma coisa muito importante, e que não adiantaria pará-la, quem tentasse iria morrer com certeza, por que esta estaria protegida com todo o poder do mau de Talivora.
- Acho que isso explica a presença da criatura com a tiara com o símbolo de Talivora. - interrompi e me dirigindo ao capitão acrescentei - e esta criatura que devia estar sendo rodeada pelos outros, quando se dirigiam para o Palácio, acho que deve ser um tipo de clérigo de Talivora.
- Sim, também penso assim, Den - continuou Ifelius - Talvez até coisa pior, como um paladino do mau ou um avatar. De qualquer forma ele deve ter o poder de Talivora.
- Devemos derrotá-lo então? - perguntou Airok.
- Não acho que seria uma boa idéia, não até que saibamos seus verdadeiros objetivos, talvez ele seja muito forte para nós todos, ou talvez até um simples servo do verdadeiro inimigo.
- Ifelius está certo - disse Kiensai que estava sentado o tempo todo como se estivesse dormindo - e a única maneira de saber é ir para a Floresta agora mesmo. Vamos!


Com isso o Capitão nos acompanhou até o Portão Oeste da cidade na direção de Clannorian. Havia poucas pessoas nas ruas naquele que foi meu primeiro dia nas ruas de Sihn, todos estavam horrorizados com o que aconteceu a noite passada. Chegando no Portão cinco cavalos nos esperavam e se despediu de cada um de nós individualmente na minha vez ele aproveitou para perguntar o que o inquietava toda aquela manhã.
- Den, queria fazer-lhe uma pergunta, vejo que cada um de seus amigos vem de um lugar, um reino deferente, mas e você de onde vem?
- Bom Senhor, desculpe-me se pareci alguém muito importante quando não deveria, na verdade sou só um garoto de uma cidadezinha próxima ao Rio Verde que por sorte encontrou esse nobres guerreiros. Não sou digno de nenhuma regalia como pode ver.
- Foi como presumi, mas não se faça menos do que é, afinal você é o representante de Follshid, o Centro de Lendell, no qual Sihn é a capital. Não nos desaponte guerreiro de Follshid.
- Obrigado Capitão Jester, mas prefiro que me chame de Bardo de Follshid, afinal como pode ver nem mesmo uma espada eu tenho.
- Oh! Sim, mas isso pode ser arranjado. - ele puxou uma das três espadas que estavam penduradas na sua cintura. - Pegue!
- Mas, senhor. Não posso...
- Sim, você pode, eu sinto muito por não poder ir com vocês nesta empreitada, por isso leve um pedaço de mim bardo de Follshid, que esta espada curta traga para você mais sorte do que sua harpa ou banjo teve, presumo que seu instrumento ficou perdido nos escombros e não conseguimos recuperar. Quanto ao mantimentos, reabastecemos suas mochilas.
- Eu agradeço senhor, quanto a meu banjo não precisa se preocupar, não vou ter tempo de agora em diante para tocá-lo mesmo. - Ele não precisava saber que eu nem tinha instrumento. - Obrigado por tudo Capitão Jester! Adeus!
- Adeus, viajantes de Lendell!!!

Fomos embora. Algumas horas depois paramos, na primeira noite, depois daquela resolvemos não parar mais e fomos a toda velocidade até a fronteira da floresta de Clannorian , não fomos interrompidos durante o resto da viagem. Conseguimos chegar à floresta na terceira noite de viagem, os cavalos eram realmente velozes.
- Vamos descansar essa noite aqui antes de entrarmos na floresta, não sabemos que perigos nos esperam lá. - disse Fiarn desmontando do cavalo.
-Teremos que deixar nossos cavalos para trás agora, é uma pena porque gostei muito do meu - disse Airok - Com certeza os seres dessa floresta maldita não irão gostar de cavalos no meio de suas árvores!
- Eles também não irão gostar que você chame sua casa de floresta maldita bem na sua porta. - Respondeu Fiarn descarregando suas coisas.
- Acho que eles não gostariam nem que entrássemos aqui - disse Ifelius tentando ver alguma coisa por entre as árvores- mas temos que entrar...
- Bom, antes devemos dormir, por isso durmam. - disse Kiensai se virando para dormir quase no mesmo momento em que terminava de falar. Também foi a última coisa que ouvi naquela noite, não consegui fazer muita coisa além de descer do cavalo e me jogar no chão para dormir.
No dia seguinte fizemos um desjejum rápido, todos aprontaram suas coisas, Ifelius disse alguma coisa para os cavalos e pequenas luzes azuis pareciam sair de sua boca quando falava, com isso os cavalos se foram em direção a Sihn.
- Se os elfos verdes quiserem que saiamos daqui eles nos darão outra montaria. - disse ele - Entremos!
Entramos.

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