Última atualização: (mês/dia/ano h:min:s) Hoje é:

Procurando Algo ?

Principal
A Casa
Contos
Poesias
O Bardo
O Mundo de Lendell
Fontes
Travelers
Links
Bandas
Blind Guardian
Rhapsody
Avantasia
Da Casa
Webmaster
Contato
Mande seus contos
Livro de Visitas

A Lenda de Arkânis - Parte III

Esses anos de revolução se tornaram perigosos, e como tal, todo cuidado era pouco. A mulher silenciosamente tomou a estrada do rio, e numa curva desapareceu. Se embrenhando por entre as grandes árvores, logo ela foi dar em uma grande clareira. A clareira oculta entre as árvores já não parecia tão grande, tamanha a quantidade de pessoas que ali se aglomeravam para ouvi-la. Aqueles que não conseguiam um lugar no chão se apinhavam nas árvores, parecendo uma horda de macacos. Aquela aglomeração não lhe agradava, e a forma como a recebiam, aos gritos de "Vida longa à Sacerdotisa". Seu nome havia caído no esquecimento, sendo legado apenas aos amigos mais próximos. Ela então se aproximou do longo tronco caído, adaptado como um palanque. E assim que ergueu os braços a multidão se calou. Logo ela iniciou mais um discurso:

- Amigos, eu estou aqui mais uma vez para lhes passar um pouco de meu conhecimento. Nesses últimos anos, meus poucos alunos se transformaram nesta imensa multidão. Fico feliz em ver que meu legado se estendeu a terras tão distantes e que a luz da consciência pôde alcançar até a mais obscurecida mente. Hoje já faz cinco anos que iniciei meu trabalho, e muitos dos seus espalham minhas palavras pelo reino. É certo que estamos num tempo de guerra, de violência e de desordem. Mas após esse período reinará novamente a calmaria. Não uma paz outorgada ou imposta por um tirano, mas sim uma paz duradoura. Somente aquele capaz de enxergar através da escuridão da ignorância tem o poder de enxergar através da alma de seus súditos...

E o discurso prosseguiu por horas a fio, e a cada parábola, o povo a aclamava e depois se calava para continuar a escutar. Porém naquela tarde nublada, havia uma diferença fundamental. Um entre as centenas de pessoas na clareira não se intimidava ou aclamava a jovem oradora, ele recolhia dados, dados preciosos para por fim a revolução. Dados que trariam a paz sob as mãos justas de Andrew. E isto aconteceria em breve.
Naquela manhã, o rei foi acordado as pressas, um de seus assessores o aguardava na sala do trono com informações cruciais a respeito da "Sacerdotisa". Andrew pulou de sua cama ao saber. Rapidamente vestiu sua túnica e desceu as escadas. Parou alguns instantes perante a porta antes de abri-la, respirou fundo e a abriu. Entrou com olhar austero, passos curtos e pesados. Seu olhar se dirigiu para o subserviente informante parado perante o trono. Em seu rosto, um sorrisinho irritante de vencedor, aquele sorriso que faz você sentir vontade de esmurrar a pessoa até ela arranca-lo do rosto. A idéia passou correndo pela mente do rei, mas logo ele a esqueceu. Havia assuntos mais importantes a ser tratados. Ele se sentou no trono, bem no fundo e apoiando a cabeça nas mãos resmungou:

- E então, o que tem para mim servo?

O irritante informante andava apressadamente de um lado para o outro, aquele sorriso incomodava o rei, o homem parecia que a qualquer momento ia pular de alegria ou cantar algo. Estava certo de que receberia alto pela informação e com uma voz quase que cantando começou a esganiçar:

- Vossa Majestade, deixe-me primeiro parabenizá-lo pelo excelente governo que tem feito, é o melhor rei que tivemos. Bem, como sabe, eu sou um homem simples, minha família passa fome e…….

O jovem continuou a vomitar aquelas palavras, uma após a outra num ladainha insuportável, Andrew perdido em seus pensamentos só via a boca dele gesticulando. Abrindo e fechando freneticamente. Até que em um momento sua atenção foi chamada para uma palavra pronunciada com grande ênfase:

- Pois bem majestade, a de termos de discutir a recompensa…

- Por favor, aproxime-se jovem.

E o informante se aproximou, aquele sorriso esculpido em seu rosto, parecia que era inquebrável e era isso que o rei iria averiguar. Quando o jovem se aproximou a um metro do rei, este esticou seus velhos braços agarrando o colarinho do insolente e o puxando para bem próximo de seu rosto. E então de forma irritada começou a falar:

- Escute aqui seu servo insolente, quem pensa que é para tagarelar feito uma gralha e ainda me pedir dinheiro, ainda não sei se permitirei que saia com vida desta sala... portanto vá dizendo logo o que tem a dizer e veremos se essa informação vale sua vida.

O sorriso, até então fixo, se desfez em segundos, e foi substituído por uma feição de temor. O suor escorria pela testa do informante que balbuciando falou:

- Desculpe majestade é que…

- FALE LOGO...

- Sim senhor, eu descobri aonde a sacerdotisa reúne seus ouvintes. Eu estava lá e a ouvi falar.

Os olhos de Andrew se encheram de excitação, finalmente algo de concreto.

- Eles se reúnem em uma grande clareira a alguns minutos daqui, embrenhado na floresta, um lugar muito bem escondido.

O jovem estendeu um pedaço de papel ao rei que o tomou de suas mãos e o abriu, era um rascunho de um mapa. Finalmente ele poderia colocar fim as malditas revoluções, e isso aconteceria essa mesma noite. Ele encarou o informante, um olhar gélido de seu rosto, ele se recordava de forma obsessiva como aquele servo ousou encara-lo com aquele sorriso confiante, pessoas com essa atitude são perigosas.
- Agora discutiremos sua recompensa…

Os olhos do jovem brilharam com a excitação, suas mãos suando e um ensaio do que a pouco for a um sorriso confiante.

- Guardas - gritou o rei.

O jovem se sentiu acuado á medida que quatro guardas o cercavam e Andrew ainda com um sorriso perturbador no rosto pronunciou triunfante:

- Levem esse servo para que trabalhe nas minas de sal, e o ponham a ferros.

- Mas... Mas eu lhe dei a informação…

- E eu estou lhe pagando, terá todo o sal que puder agüentar hahahahaha... Podem levá-lo.

O jovem esperneando e gritando foi arrastado para fora, e pela mente de Andrew passou a idéia de que as minas de sal iriam para sempre destruir aquele maldito sorriso.

Faltavam poucas horas segundo a descrição do informante para o próximo pronunciamento da sacerdotisa e não havia tempo a perder. Andrew tinha uma idéia: um arqueiro escondido por entre as árvores e uma flechada fatal, a multidão jamais saberá de onde veio o tiro e, portanto, nunca poderão culpar seu poderoso rei. Mas havia algo que ele fazia questão, o de estar presente nesse momento, vendo sua arqui-inimiga banhada em sangue no chão, um fim perfeito para uma agitadora. A vingança contra esses camponeses nojentos por terem levado sua amada filhinha estaria completa. Andrew gritou por um de seus criados que respondeu prontamente e então murmurou.

- Vá até a sala da guarda e fale com o comandante, diga que quero seu melhor arqueiro aqui em cinco minutos, me ouviu bem??? Cinco…

O servo correu e dentro do prazo voltou acompanhado, o homem era alto, um longo cabelo loiro liso escorria por suas costas recobrindo o arco longo preso a elas. Seus olhos verdes contrastando com um nariz pontudo e fino. Tinha lábios finos que formavam um sorriso discreto. As orelhas pontudas salientes de seus cabelos indicavam sua raça confirmada prontamente pela voz macia e ponderada que saia de sua boca, era sem duvida um elfo. O homem então se apresentou:

- Meu nome é Alan, Milorde e estou a seu serviço.

Sua voz e seu jeito suaves como uma ave, os Elfos sempre foram conhecidos por serem exímios arqueiros, e por dificilmente errarem um alvo. Mas havia um problema, Elfos costumam ser honrados e não matariam uma pessoa se não fosse para se defender. Mas ao olhar melhor para as vestes de Alan esse pensamento lhe escapou. Uma túnica negra assim como a capa. Um brasão em seu peito, eram todos os indícios de um Elfo Negro, alguém que faria um trabalhinho sujo se bem recompensado. Andrew então começou a falar:

- Preciso que uma certa pessoa que me incomoda seja riscada do mapa, você me compreende Alan.

- Perfeitamente Milorde. E quem é essa pessoa que requer meus serviços?

Sua voz calma e impassível, uma tonalidade fria que assustou até mesmo o rei. Ele então prosseguiu:

- Certamente já ouviu falar da Sacerdotisa não?

Alan se manteve impassível enquanto respondia:

- Certamente…

- Pois bem, ela tem me incomodado muito nos últimos dois anos, e acho que seria de bem se ela se calasse.

O Elfo olhou para baixo por um momento. Um olhar pensativo e então ergueu o rosto e olhando firmemente para o rei respondeu:

- O senhor compreende que terei de lhe cobrar um preço pelo serviço não é? Sabe como é difícil se livrar de lendas de forma incógnita.

Era um jovem ambicioso, isso agradava Andrew, também demonstrou ser fleumático, um assassino perfeito, o rei com um sorriso amarelo, puxou da cintura uma pequena bolsa e a arremessou para Alan, este a agarrou no ar e chacoalhando para ouvir o tilintar das moedas de ouro mais uma vez falou:

- Sabe senhor, essa tal sacerdotisa é um pouco mais famosa do que isso, o seu povo parece realmente gostar dela.
Andrew sabia entender uma indireta, puxou uma outra bolsa e a arremessou. Alan então olhou para o rei e respondeu:

- Ahhhh, creio que é o suficiente. E então, onde e quando devo executar o serviço?

Andrew explicou tudo ao jovem, deu lhe o mapa e deixou tudo combinado. Ele deveria se esconder por dentre as árvores, e assim que a agitadora pronunciasse suas primeiras frases, ele deveria dar um único e certeiro tiro em seu coração e então sumir para nunca mais voltar. Aconteceria tudo naquela noite e não poderia haver falhas. O rei mal podia esperar pela hora.

Continua... Voltar

Copyright © 2003 Casa do Bardo - Todos os direitos reservados.
Hosted by www.Geocities.ws

1