|
| |
|

O Decálogo
Editora Nova Alexandria, São Paulo, 2000
120 páginas
Dez autores brasileiros contemporâneos apresentam, em narrativas escritas especialmente para esta coletânea, sua visão dos Dez Mandamentos. “Não cobiçarás coisa alguma que pertença ao teu próximo”, o décimo Mandamento, serviu de tema para o conto “Boi”, de Marçal Aquino.
Trecho: “No final da tarde, Eraldo teve seu cochilo interrompido por batidas vigorosas na porta do barraco. Abriu o cadeado, puxou a corrente e deu de cara com Boi. Acompanhado por dois sujeitos que não conhecia. Ambos armados com porretes.
‘Você vai embora daqui na boa ou na porrada?’, Boi perguntou.
Eraldo avaliou o tamanho do porrete que os homens seguravam e coçou a cabeça. E aparentava calma ao dirigir-se aos dois:
‘Como é que ele tá pagando vocês?’
Um deles, um mulato forte, adiantou-se e olhou para Boi:
‘Ele ficou de dar um revólver pra gente’.
Eraldo sorriu:
‘Pois eu tenho uma proposta melhor’.”
(do conto Boi)
|
|

Trabalhadores do Brasil
Geração Editorial, São Paulo, 1998
312 páginas
Organizada pelo escritor Roniwalter Jatobá, a coletânea abrange um período de cerca de cem anos da produção contística brasileira para enfocar a relação entre o trabalho e os personagens criados pelos autores nacionais. Com isso, as narrativas selecionadas – de uma trajetória de 40 autores, que vem, em termos alfabéticos, do clássico Machado de Assis ao contemporâneo Wander Piroli – abordam uma expressiva
pluralidade de ocupações, formais e informais, ligadas aos personagens. Marçal Aquino participa com o conto “Matadores”, uma visão do violento universo dos pistoleiros de aluguel da fronteira brasileira com o Paraguai.
Trecho: “Achei que Alfredão estava demorando demais e resolvi voltar à boate. Dois casais se esfregavam na pista de dança e a loira já não estava no banquinho junto ao balcão. O puto do Alfredão deve ter arrastado a menina para um dos quartos, calculei, enquanto caminhava para o banheiro. Na porta, o sujeito de macacão e seu companheiro ruivo esbarraram em mim e um deles grunhiu um pedido de desculpas. Pareciam bêbados.
Não havia ninguém no banheiro. A porta de um dos cubículos estava encostada. E foi de lá que vieram os gemidos que me fizeram pegar a automática, antes de forçar a porta.
Alfredão tinha os olhos arregalados e estava prensado entre a privada e a parede. O sangue que saía de sua garganta cortada já havia empapado a camisa e manchado a jaqueta de couro. Ele estava morrendo”.
(do conto Matadores)
|
Os Melhores Contos
de Campinas e Região
Papirus Livraria Editora,
Campinas, 1984
80 páginas
Livro que reuniu os textos vencedores do 1° Concurso de Contos de Campinas, promovido pela Secretaria de Cultura daquela cidade no último trimestre de 1983. Marçal Aquino foi o vencedor do concurso, com o conto “Impotências”.
Trecho: “Meu tio nunca teve um terno, aparelho de som, empregada, carteira de trabalho. E nem andou de avião, ouviu Sinatra, disse ‘a vida é uma merda’. Morreu no hospício numa tarde de segunda. Em silêncio. Acho até que ele foi infeliz. Mas disso a família não gosta de falar”. (do conto Impotências)
|
|
I Concurso Nacional de Poesias
Vinícius de Moraes
Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1984
112 páginas
Coletânea com poemas vencedores de concurso de poesia que teve como jurados Ferreira Gullar, José Louzeiro, Olga Savary, Geir Campos, Moacyr Félix e Walmir Ayala. A um conjunto com cinco poemas de Marçal Aquino foi atribuído o terceiro lugar no concurso.
Trecho: “Noite acidental, casa em silêncio/ Sueli é apenas uma puta/ me dizendo que é impossível/ ser feliz no interior de Minas. Na cozinha, o domingo dentro da lata de lixo/ é triste à sua maneira.” (do poema Noite Acidental)
|
Antologia da Nova Poesia Brasileira
Fundação
Rio/RioArte/Editora Hipocampo
Rio de Janeiro, 1992
336 páginas
Com organização e seleção de Olga Savary, esta antologia apresenta um vasto panorama da poesia contemporânea brasileira, reunindo poetas nascidos depois de 1945 e com ao menos um livro publicado. O resultado é uma amostra do trabalho de 334 autores, abrangendo praticamente todos os estados brasileiros. Marçal Aquino participa com dois poemas.
Trecho: “eu sou/ quem o documento diz que sou/ o poeta qualquer hora/ talvez diga/ que tinha uma perda no meio do caminho/ só sei que tenho/ em algum lugar do corpo/ uma porta/ por onde, de repente, pode entrar um cobrador/ ou essa tão falada felicidade/ Deus não envelhece”. (do poema Inventário)
|
|
|
|