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Directorium Inquisitorum, o Manual dos Inquisidores.

Parte II – Prática Inqusitorial

 

 

Sugestão de que o inquisidor sabe bem que a tortura pode levar à morte


“[Neste trecho, La Peña comenta os dez truques que, segundo Eymerich, o herege utiliza para responder sem confessar. Um deles, o nono truque, é fingir-se de louco] A questão de se fingir de louco merece uma atenção especial. E se se tratasse, por acaso, de um louco de verdade? Para ficar com a consciência tranqüila, tortura-se o louco, tanto o verdadeiro como o falso. Se não for louco, dificilmente poderá continuar a sua comédia sentindo dor. Se houver dúvidas, e se não se puder saber se se trata mesmo de um louco, de toda maneira, deve-se torturar, pois não há por que temer que o acusado morra durante a tortura [grifo nosso] (cum nullum hic mortis periculum timeatur). Mas se o herege continuar blasfemando com um louco durante a tortura, e mesmo quando for conduzido para a execução, não haverá como suspendê-la para fazê-lo arrepender-se, de modo que perca a vida, sem perder a alma? Parece-me que sim
[...] E o que fazer quando o acusado for mesmo louco? Ficará preso enquanto não recobrar a razão: não se pode mandar um louco a morte, mas também não se pode deixá-lo impune ” (La Peña, que escreve em finais do séc. XVI ,p. 122)

 

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