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Directorium Inquisitorum, o Manual dos Inquisidores.

Parte II – Prática Inqusitorial

 

 

 

Os mágicos não são, necessariamente, hereges; nem invocar o diabo é, necessariamente, uma heresia


“[No tópico “Os necromantes”] Observem que Eymerich fala de “mágicos heréticos”, e não de mágicos, em geral. E com razão, porque é preciso distinguir duas categorias de magia: a magia matemática e a magia natural ou elementar. Na realidade, as duas são naturais e podem ser praticadas sem recorrer ao diabo: a magia matemática, por meio das regras aritméticas e geométricas, e a elementar, por outros meios.
[...] O que se deve entender por essa “companhia do diabo” de que fala Eymerich? Segundo suas próprias confissões, esses mágicos [mágicos heréticos] utilizam as coisas sagradas para as encantações. Erigem altares aos demônios, acendem velas e lhes dirigem orações. Portanto, Eymerich está certo ao considerá-los hereges. Juntamente com Simancas, gostaria de lembrar que o invocador do demônio que reincidir nesta prática, depois de abjurar, é relapso, e sofre a pena prevista para tais casos. “A menos que, depois de abjurar, faça a invocação para praticar o mal [grifo nosso. É isso mesmo, para praticar o mal] (por exemplo, para conseguir submeter a vontade de uma mulher aos próprios desejos e fazê-la sucumbir ao pecado): neste caso, não existe heresia, porque o demônio é invocado para que faça o que corresponde à sua natureza: tentar”  (La Peña, que escreve em finais do séc. XVI ,p. 134)

 

 

 

 

 

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