O Anjo do Saxofone

- Sou seu anjo custódio. Do caminho
desviei pedras, águas, sorvedouro.
Dos pés em chaga lhe tirei o espinho.
Dos olhos arranquei castelos de ouro.

Por vezes fraco como um passarinho
e noutras insensato como um touro,
para guardá-lo fiz-me seu padrinho,
fui seu vaqueiro, me vesti de couro.

Quando as noites lutávamos e ele,
somando mágoas e desesperanças,
sem aceitar Nosso Senhor, insone,

se ocultava nos livros ou naquele
não teimoso dos poetas e das crianças,
acalentava-o com meu saxofone.

 

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