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Saiba um
pouco sobre os Hippies
Bom escrevi aqui o que sei sobre
os chamados "Hippies". Quero deixar bem claro
que não me considero Hippie, apesar de durante algum tempo ter
sobrevivido dos trampos, eu sou um cara normal, se é que se pode
dizer isso de mim...
Os
beatniks
Pelos anos 50, em pleno pós-guerra,
havia um certo sentimento de insatisfação entre os jovens. Nem
todos estavam dispostos a assumir os papéis costumeiros na
sociedade. Mais especificamente nos Estados Unidos, uma parte dos
jovens não tinha interesse em dar continuidade ao estilo de vida
medíocre e superficial de seus pais, na qual, a aquisição de
coisas desnecessárias era a razão da existência. Eles estavam
em busca de uma verdadeira liberdade, de emoções diferentes,
sensações novas.
Como conseqüência dessa
insatisfação e por não acreditarem que as coisas fossem
melhorar, ele mandavam tudo para o diabo, ficavam
"pirados" com álcool ou drogas e botavam o pé na
estrada em busca de aventura, viajando de carona através do país,
inclusive pela Rota 66. Eles fariam parte da chamada geração
"beat", mais tarde batizados de "beatniks".

Rota 66, ao longo do tempo...
Rota
66 - A Grande Serpente Americana
Cortando os Estados Unidos de Los
Angeles a Chicago, a Rota 66, ao longo do tempo, foi cruzada por
todo o tipo de aventureiro (inclusive os beatniks). Para muitos, a
viagem era uma jornada desesperada de poeira e desolação. Para
alguns sortudos, significou o caminho para a fama e fortuna. A
Rota 66 era selvagem e solitária, doce e infinita. Também uma
sedutora pronta pra roubar sua carteira ou seu coração.
Mas para todos que fizeram o
percurso, a viagem se tornou a maior experiência de suas vidas.
Cinco, dez ou cinquenta anos depois, ninguém esqueceu da aventura
de ter cruzado a estrada, nem das pessoas ou dos lugares
descobertos ao longo do caminho. O transcurso de cada milha fez
refletir sobre a rotina em que suas vidas eram vividas freqüentemente.
Ninguém que tenha passado pela Rota 66, conseguirá esquecer o
belo retrato da América, através de suas 2.400 milhas de
paisagens inesquecíveis, campos de milho, cidades-fantasma, motéis
baratos e postos de gasolina aparentemente abandonados. Muito
menos esquecerá do sorriso da garçonete, ou do jukebox
com direito a três melodias por 25 cents...
Por possuir uma linguagem
muito própria, o movimento beat gerou um estilo de literatura bem
particular, caracterizado por uma maneira bem solta de escrever,
esquecendo regras, usando gírias e criando termos.
Entre os escritores que se
destacaram nesse período, estão Allen Ginsberg, autor de
"Howl", poema escrito com doses de erotismo e
obscenidade que fizeram de Allen um símbolo mundial de depravação
sexual; e Jack Kerouac, consagrado como o grande ícone da geração
beat e celebrizado por seu livro "Pé na Estrada",
considerado a bíblia dos beatniks, onde ele conta as suas
aventuras e de seus amigos cruzando a América de costa a costa.
Apesar de ter as suas raízes em Nova Iorque, o movimento
espalhou-se, chegando a criar um reduto próprio na cidade de San
Francisco, no bairro de North Beach.
San
Francisco
Em San Francisco, já nos
primeiros anos da década de 60, a cena começava a se modificar.
Como resultado de uma educação liberal, que estimulava a
capacidade de expressão, os jovens passaram a ser mais críticos
e contestadores, exigindo soluções para os problemas que os
rodeavam. Eles acreditavam conseguir modificar a sociedade
moderna, criando o paraíso dos sonhos, baseado apenas no amor, na
arte, no êxtase. Queriam acabar com a pobreza e o racismo,
denunciar a poluição atmosférica, se libertar da inveja e da
cobiça. Essa foi a semente do movimento hippie. Os hippies eram
uma espécie de "versão em cores" dos beatniks, pois
também estavam insatisfeitos com a sociedade, porém acreditavam
em seus "sonhos dourados"
Por essa mesma época, existia em
San Francisco uma comunidade urbana chamada The Family Dog, que
foi responsável por um grande acontecimento: a organização do
primeiro baile de rock da cidade, realizado em 16 de outubro de
1965, no Longshoreman's Hall, com quatro bandas locais. Pouco
depois desse grandioso evento, San Francisco já estava mudada. O
bairro quente deixou de ser o boêmio North Beach, reduto dos
beatniks, e passou a ser a área em volta da esquina das ruas
Haight com Ashbury, um velho gueto negro que os jovens redecoraram
com cores psicodélicas, incenso, roupas e jóias orientais,
criando uma comunidade.
No apogeu da comunidade de
Haight-Ashbury, a principal droga consumida era o poderoso ácido
lisérgico, conhecido como LSD que, apesar de já haver na época
registros de inúmeros casos de morte por overdose, o seu uso
vinha sendo defendido publicamente por Timothy Leary, entre outros
artistas e personalidades.
San Francisco tinha agora o seu
som próprio. Eram os blues, que falavam da dor e davam voz às
suas frustrações. Os blues amplificados, elétricos, gritantes,
sem polimento, coloridos pelo LSD, acompanhados de luzes e visuais
psicodélicos. Ao lado disso, inúmeras filosofias e crenças eram
"desenterradas". Velhos ideais de vida comunitária e
amor livre coexistiam pacificamente com crenças ancestrais
(astrologia, tarô, magia) e com as mais exóticas religiões
orientais (budismo, taoísmo), além da revalorização do
cristianismo original, expressa nas figuras de São Francisco de
Assis e Cristo (começavam a surgir os "Jesus Freaks":
jovens que seguiam os ideais de Jesus, aliados à filosofia
hippie), lado a lado com rituais primitivos dos índios americanos
e dos africanos. Os Hare Krishna também ganhavam força. Havia
uma nova indagação para a espiritualidade...
Em 1966, com o fim da The Family
Dog, os bailes de San Francisco passaram a ser organizados por
Bill Graham, dono do Filmore Auditorium, que seria o templo do
rock dos anos 60; e por Chet Helms, dono do Salão Avalon e que
mandou buscar do Texas a sua velha amiga, até então desconhecida
Janis Joplin, para a ser a cantora do conjunto da casa, o
Big Brother and the Holding Company. Em pouco tempo, os grupos de
rock de San Francisco (que eram pouco mais de meia dúzia)
passaram a se multiplicar, chegando, no final de 1966, a
aproximadamente 1.500, todos sob a influência do blues.
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Janis Joplin
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Em janeiro de 1967 (que ficou
conhecido como o ano da flor), os hippies da cidade mostraram a
sua força ao convocarem uma "Reunião de Tribos" no
Golden Gate Park para o chamado World's First Human Be-In,
que teve a presença de cerca de 20 mil jovens cantando e dançando,
cobertos de flores, de colares e pulseiras de contas. Compareceram
também Timothy Leary, o papa do LSD, o poeta beat Allen Ginsberg,
além de outros novos gurus. A partir daí, profetizou-se que 100
mil hippies ou flower children ("filhos da flor",
como se intitulavam) invadiriam a cidade de San Francisco em
junho, para o chamado Verão do Amor. Uma grande publicidade para
o Verão do Amor foi a música "San Francisco", gravada
pelo cantor Scott McKenzie. A música, composta por John Phillips
(dos Mamas and Papas), recomendava a quem fosse a San Francisco
que não esquecesse de colocar flores nos cabelos. A música se
tornaria o hino daquele ano...
Na verdade, os cem mil jovens
esperados não chegaram a San Francisco de uma só vez, mas
estiveram lá no decorrer daquele verão. Eles exigiam das
autoridades casa, comida e assistência médica. Além disso, a
Comissão de Parques liberou algumas áreas em torno de
Haight-Ashbury para sacos-de-dormir. Da noite para o dia, a cidade
ganhou fama (nacional e internacional) de capital mundial dos
hippies, o que acabou atraindo turistas de vários lugares.
Diante da exploração turística,
muitos hippies deixaram Haight-Ashbury e foram viver em
comunidades rurais. O que aconteceu naquele verão em San
Francisco foi um reflexo do que estava acontecendo, ou iria
acontecer, em quase todas as cidades do mundo industrializado.
Por essa mesma época, próximo
de San Francisco, acontecia o Monterey Pop Festival (16 a 18 de
junho de 1967), o primeiro grande festival de rock. Graças à
cobertura dada ao festival, os hippies e seus melhores grupos de
rock ganharam fama internacional. Embora fossem esperadas 7.100
pessoas, Monterey acabou acolhendo mais de 50 mil, a maioria sem
ingresso, mas fiéis ao slogan do festival: "Música, amor e
flores". Mais importante do que tudo isso, é que através de
Monterey, o mundo assistiu ao nascimento instantâneo de duas
estrelas do rock: Janis Joplin e Jimi Hendrix.
Mais dois acontecimentos ainda
marcariam aquele período. O primeiro foi o lançamento do disco
Sergeant Pepper's, considerado o "divisor de águas" da
obra dos Beatles. A partir desse álbum, eles abandonavam de vez a
imagem de adolescentes e firmavam-se como músicos criativos
(parte de sua criatividade era atribuída ao uso do LSD).
O segundo acontecimento, também
envolvendo os Beatles, foi um especial de televisão transmitido
para 200 milhões de pessoas em vários países pelo novo sistema
via satélite, onde eles cantaram "All You Need is
Love", cuja letra dizia que tudo era possível, desde que
existisse amor.
Não dá pra esquecer também
que, no mesmo 1967, uma banda chamada The Doors, vinda de Los
Angeles, formada já há dois anos, lançava o seu primeiro disco.
O grupo iria fazer história...
Apesar de caracterizada
principalmente pela busca do prazer, a utopia hippie não deixava
lugar para injustiças sociais e opressão. Em novembro de 1967,
muitos participaram da Marcha ao Pentágono, que foi um dos
maiores confrontos entre estudantes e a força militar. O fato
anunciava que o ano de 1968 seria essencialmente político. E
foi...
A insatisfação que
existia entre os negros aumentou ainda mais após o assassinato do
Reverendo Martin Luther King, em abril, dando força ao Black
Power e aos Panteras Negras, que defendiam a luta armada. Crescia
a resistência ao serviço militar e à Guerra do Vietnã. No
mundo inteiro eram feitas manifestações nas universidades e nas
ruas. Protestos durante a convenção do Partido Democrata em
Chicago, se transformaram numa batalha entre jovens e policiais.
No verão de 1969, tentando
transformar seus sonhos em realidade e pôr a sua utopia em prática,
estudantes e voluntários ocuparam um terreno abandonado da
Universidade de Berkeley e o transformaram num parque público,
com jardins, playgrounds para as crianças, fontes d'água e
concertos de rock. Era o People's Park, o Parque do Povo. Vendo
isso como uma ameaça ao Sistema, que já se sentia vulnerável, o
governador Reagan da Califórnia (anos mais tarde presidente dos
Estados Unidos) convocou a polícia e a Guarda Nacional para
"resolver" a situação.
Com paus e pedras ou até de mãos
limpas, os jovens afrontaram as forças da repressão... O
People's Park foi arrasado e transformado em estacionamento de veículos...
Um estudante foi morto... Sobraram apenas alguns panfletos que os
jovens distribuíam, onde eles apresentavam suas propostas... ou
sonhos?
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Poster original de Woodstock
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Mas o ano de 1969 seria
marcado pelo Festival de Woodstock, o maior de todos os
festivais de rock, realizado no fim de semana de 15 a 17
de agosto, um mês depois do homem ter pisado na lua. O
evento se chamava Woodstock Music & Art Fair,
subtitulado "Primeira Exposição Aquariana".
Seu slogan "três dias de paz e música" logo
foi modificado para "três dias de paz e amor".
O valor do ingresso para o fim de semana era 18 dólares,
mas a maior parte do público invadiu o local derrubando
as cercas (como pode ser visto no filme
"Woodstock" de Michael Wadleigh). |
Dia e noite, sob sol ou
chuva, a música rolou quase sem parar para meio milhão de
jovens, com um cast de artistas que formavam um verdadeiro Quem
é Quem do rock.
Na manhã de segunda feira, dia
18 de agosto, sob um imenso sol alaranjado, Jimi Hendrix sobe ao
palco, brindando aqueles que ainda não tinham ido embora do
local, com sua interpretação do hino nacional dos EUA, "The
Star Spangled Banner", arrancando de sua guitarra explosões
de bombas, granadas, rajadas de metralhadoras e roncos de helicópteros,
numa clara alusão à guerra do Vietnã.
Woodstock foi como uma cerimônia
de sagração da contracultura. Aqueles que tiveram o privilégio
de viver o festival de perto, saíram sentindo-se ungidos de
santidade. Ainda haveriam outros festivais (como o de Altamont,
com 300 mil pessoas), mas nenhum com a força de um Woodstock.
Woodstock parecia uma antevisão
da utópica sociedade hippie. A engrenagem social era bem mais
complexa do que podia-se imaginar, mas, no final de tudo, apesar
do sistema tentar "devorá-los", o mundo nunca mais
seria o mesmo. À medida em que ia absorvendo todas as novas idéias,
o próprio sistema também se modificava. A geração que
acreditou ser capaz de parar uma guerra e mudar o mundo, deixou
uma semente que acabaria sendo lançada aos quatro ventos, indo
refletir-se nos lugares mais longínquos do globo.
Uma nova moral, uma nova ética,
novos valores haviam sido cultivados na cabeça das pessoas, graças
àqueles jovens dos anos 60. Essa semente está presente ainda
hoje dentro de cada um que se permita sonhar e acreditar na
realização de seu sonho. Aliás, o sonho não acabou...
Resumo:
Ao final dos anos
60, quando o mundo foi tomado por jovens que negavam as convenções
e instituições sociais comandadas por um governo essencialmente
autoritário. Os Hippies pareciam representar uma sociedade
natural e alternativa, que eram em sua maioria andarilhos que
divulgavam a PAZ. Viajavam inicialmente em grandes grupos, para
protestar contra a violência e os governos que calavam o povo.
Para eles não haviam leis que impedissem isto.
Viagens e comida
Para poder comer, sobreviver faziam trabalhos manuais utilizando
matérias naturais em sua maioria e vendiam aos cidadãos que
cruzavam seus caminhos, utilizando também o dinheiro para irem de
um ponto a outro do Pais ou até do mundo.
Vestimentas
Roupas não usuais, cabelos longos e braços repletos por
pulseiras e braceletes de metais, miçangas, sementes e couro,
estes “hippies tropicais” continuam colocando-se contrários
ao modo de vida estabelecido
Bagagem
Um alicate, um monte de lantejolas miçangas e fios de arame com
os quais transforma em belíssimas obras de arte
Ainda hoje, encontra-se na
estrada muitos hippies viajando, principalmente no verão nas
praias, onde cultivam esta antiga arte de fazer pulseiras, brincos
entre outros para sobreviver.
Em todas as épocas, sempre
ouviu-se falar de rebeldia, de delinqüentes, de desajustados. Nos
anos 60 não poderia ser diferente. Porém, de braços dados a
essa rebeldia, havia um potencial criativo, um poder, um idealismo
marcante e abrangente, uma força como nunca na história da
humanidade os jovens haviam experimentado. Essa década "mágica"
foi embalada pelo psicodelismo do rock, das drogas e, ao mesmo
tempo, talvez em contradição, pelo culto aos velhos valores.
Zeca Artesão
Fone: (51) 3347.0178
E-mail: [email protected]
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By
Zeca_Cardoso
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