São Paulo, segunda-feira, 1º de junho de 2009
Observatório da Imprensa
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Um colunista comprometido
Quanto mais complicada fica a situação de
José Sarney, presidente do Senado, mais inconfortável fica a situação da
Folha de S. Paulo. Sarney cometeu uma grave infração ética, quebrou o decoro
parlamentar, pediu desculpas públicas.
Agora não adianta devolver os quase 80 mil reais de auxílio-moradia que recebeu
desde maio de 2007. Sua imagem está definitivamente comprometida, não tem mais
condição de presidir o Legislativo.
Há muitos anos tem mansão no Lago Sul em Brasília e, além disso, na qualidade de
presidente do Senado, mora em outra mansão, esta mantida pelo Estado brasileiro.
Não contente, resolveu embolsar os cerca de 3.800 reais que o cidadão brasileiro
paga mensalmente aos congressistas que não têm casa na Capital Federal.
E o que tem a Folha de S. Paulo a ver com o novo vexame cometido pelo
vice-rei do Brasil? Sarney é colunista do jornal há décadas. Contrariando sua
própria linha de conduta, a Folha o manteve como colunista mesmo quando
passou a ocupar tão alta posição no Estado brasileiro.
Contrariando o senso comum, contrariando a opinião pública, contrariando as
normas de transparência e credibilidade exigidas de uma grande empresa de
comunicação, Sarney é mantido na honrosa Página 2 apesar da sucessão de
escândalos iniciada no dia seguinte à sua posse na presidência da Câmara Alta.
Na sexta-feira (29/5), como todas as sextas, dia da coluna de Sarney na Folha,
é dia dos leitores perguntarem outra vez qual a razão desta fidelidade do jornal
a um ex-presidente da República conhecido pela generosidade em distribuir
obséquios e oferecer favores.

Em tempo: A
Folha
foi o único dos três jornalões que publicou na primeira página o pedido de
desculpas do senador.
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originalmente, no sítio do
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da Imprensa, às terças-feiras e neste Mandando Pra Rede
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