A OPINIÃO QUE FAZ A DIFERENÇA
   

São Paulo, segunda-feira, 04 de maio de 2009

O Boletim


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Brasileiros de alma lavada

Mais uma vez, o presidente Lula pisou na bola. Ao comparar a troca de acusações entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa a uma briga de jogo de futebol, marcou um gol contra. A questão não se limitou a uma discussão de teses jurídicas ou interpretação das leis, mas sim à referência de associação criminosa (capangas) e indução à idéia de que o presidente do STF está julgando por interesses pessoais ou corporativos (destruindo a credibilidade do Judiciário). Se isso não é uma crise institucional, não sei mais o que isto significa.

Executivo, Legislativo e Judiciário brasileiros. Vergonha nacional! O respeito à democracia acabou, parlamentares estão se digladiando por terem perdido o direito de pagar passagens para mulheres, filhos, netos, artistas e até amantes, na maior cara-de-pau. Ministros do Supremo discutem, ao vivo e a cores, em plena sessão. Estamos no pior momento da nossa história, no que tange ao respeito às instituições de governo.

A discussão entre os ministros poderia até ser considerada normal, afinal, por definição, juristas são polemistas e estamos falando da elite judiciária do país. Quanto ao ilustre ministro Joaquim Barbosa considerar que o presidente do Supremo Gilmar Mendes, “está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro”, não interpreto como acusação e sim como constatação.

Obama estava errado, o Ministro Joaquim Barbosa é que é “o cara”! Falou o que muita gente tinha engasgado na garganta. Pena que seus pares não aproveitaram a deixa para limparem suas respectivas barras diante da população.


É preocupante esta crise deflagrada entre o presidente do STF e o Ministro Joaquim Barbosa. O mais alto poder da República não pode ficar exposto a tanto. O estado de direito e a democracia podem até sair um pouco arranhados, mas o que se viu do lado de fora foram brasileiros de alma lavada. O sorriso amarelo e nervoso do presidente do STF mostrou que ele acusou o golpe.

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Valter Bernat é advogado e escreve nesta coluna às sextas-feiras e mantém o periódico O Boletim
    



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